CUIABÁ

DA TERRA

Show relembra 45 anos de carreira de Edmilson Maciel e encanta gerações, veja vídeo

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Um espetáculo repleto de recordações, músicas que marcaram, o colorido da cultura cuiabana e histórias que o tempo não apaga. O show de comemoração aos 45 anos de carreira do artista Edmilson Maciel encantou o público que prestigiou o momento no último sábado, 6 de maio, no teatro Zulmira Canavarros, anexo à Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), em Cuiabá.

“É uma viagem! Eu fechava os olhos e me transportava para outra dimensão, outro momento da vida… eu realmente viajei, literalmente, na emoção. Eu sou um cara muito sensível e não escondo sentimento… até me segurei um pouco para não perder a razão. Foram momentos fantásticos, memoráveis”, descreveu o artista após o show.

Veja vídeo

Embora seja a grande estrela da noite, a explosão de sentimentos não pertenceu somente a Edmilson durante o show. A cada novo ato do espetáculo, o público vibrava com o envolvimento e a entrega proporcionada no palco.

Os fãs do artista puderam assistir à encenação de parte de sua infância, quando participava de festivais de calouros em Tangará da Serra. O momento foi interpretado pelo ator e cantor mirim, Lucas Gabriel, que foi destaque durante o show.

Para o bisavô do menino, é um orgulho vê-lo nos palcos, ao lado do artista. “Eu também sou do Cururu e Siriri, estamos sempre perto do Edmilson. Precisamos de mais cultura, mais eventos como este”, comentou.

O show também contou com a participação especial de Alcemar Matos, grande companheiro de Edmilson. Os dois caminharam lado a lado por muitos anos na Banda Terra.

O grupo Flor Ribeirinha, que encantou aos presentes mostrando um pouco do talento que tem levado a cultura mato-grossense a todo o Brasil e a diversos países pelo mundo, também esteve presente. O grupo é a segunda casa do artista. Há 17 anos, Edmilson faz parte da história do Flor Ribeirinha, tendo ocupado a função de diretor musical até começo deste ano.

Avinner Brandão, diretor do grupo, também prestigiou o momento. “Nós que fazemos parte da Flor Ribeirinha temos uma imensa alegria em ter o Edmilson também transitando pela nossa história, que agora em 2023 completa 30 anos. Só podemos parabenizar o Edmilson Maciel por essa iniciativa e por celebrar conosco e todo segmento artístico esses 45 anos que com certeza marca a história de muita gente”, afirmou.

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Mais que um show, o momento foi marcado pela conexão entre o artista e seu público. Esse jeito de fazer música tem explicação: para Edmilson Maciel, subir ao palco é mais que cantar, é celebrar o dom que recebeu.

“É uma forma de agradecer a Deus, mostrando a ele que eu estou feliz, que eu estou fazendo jus ao talento que ele me deu. Celebrar 45 anos de carreira é um privilégio… eu sinto o carinho das pessoas na plateia comigo, eu sinto a verdade e isso para mim é muito gratificante. Neste momento, eu só consigo ser grato às pessoas e à essa energia que Deus me deu. Hoje, eu sou uma pessoa plena e realizada, acho que valeu a pena todo aquele empenho e sacrifício. Eu, sinceramente, vou dormir extasiado de coisas boas, cheio de energia positiva”, compartilhou.

Companheiro de jornada há quase 50 anos, Enio Castilho produziu o show do último sábado. Os dois caminham juntos desde a infância, quando moravam em Tangará da Serra, e começaram a realizar sonhos juntos no início dos anos de 1990.

“Ver um artista que sobrevive 45 anos tendo o palco como seu ganha-pão é algo digno de admiração e aplauso, porque estamos num país onde a cultura regional ainda padece de reconhecimento em todos os sentidos. Artistas como Edmilson são fundamentais para preservação da nossa memória e produzir este espetáculo foi mais que um trabalho, foi um imenso prazer e orgulho”, descreveu.

DIAMANTE
A noite também foi vivenciada pelo patrimônio vivo da cultura mato-grossense. Escritor, poeta, cantor e compositor, Moisés Martins é um ícone e uma referência a todos os artistas regionais. Ele parabenizou Edmilson pelos 45 anos de carreira.

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“Foi um espetáculo muito bom, que mostra que Mato Grosso tem valores e muita gente boa, mas que lamentavelmente muitas vezes não é garimpada. São verdadeiros diamantes! Conheço Edmilson há muito tempo, conheço o potencial de voz que ele tem, ele é muito bom. Ele é um artista e merecedor desses 45 anos que ele está comemorando, que Deus o proteja e a todos que aqui participaram. O grupo de siriri e cururu, o rasqueado… essa é a nossa cultura, não temos que fugir disso. Cada povo tem a sua cultura e uma cultura bonita como a nossa tem que ser preservada, isso é muito importante”, descreveu o poeta.

Já o ator, produtor cultural, cenógrafo e artista plástico Lionê Vitório, intérprete de Nico, da dupla Nico & Lau, relembrou os tempos em que era estudante e já acompanhava o trabalho de Edmilson.

“Acho que é uma grande satisfação para qualquer pessoa que é admiradora e colega de palco e profissão estar aqui, porque Edmilson é uma grande estrela, um grande profissional que admiro há muito tempo e é um prazer imenso fazer parte desta roda de amigos dele. Eu já o admirava antes, quando era estudante e na Escola Técnica ainda, via a Banda Terra fazer aquele enorme sucesso, aquele cantor afinado fazer aquele trabalho… hoje é uma grande honra ser amigo desse grande cantor, ator, compositor e produtor que está completando 45 anos de carreira”, disse.

REALIZAÇÃO
O show de comemoração dos 45 anos de carreira de Edmilson Maciel foi realizado pela Associação de Artistas Visuais de Mato Grosso (Avimt), com patrocínio da Assembleia Social e o apoio das empresas Super Gás Brás e Top Gás, além do vereador por Cuiabá, Sargento Joelson.

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AGRO & NEGÓCIOS

Indígenas Parecis mostram que produzir também é preservar a dignidade

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Campo Novo do Parecis, em Mato Grosso, abriga uma experiência pioneira no Brasil: a produção agrícola conduzida por indígenas dentro de seu próprio território, de forma organizada, coletiva e com olhar voltado para o futuro.

Durante reunião com lideranças indígenas da região, os pré-candidatos Dra. Paula Boaventura, à Câmara Federal, e Antônio Galvan, ao Senado, ouviram relatos fortes sobre a realidade dos Haliti-Pareci, povo que há anos enfrenta burocracias, embargos, preconceitos e visões ultrapassadas sobre o que é ser indígena no Brasil atual.


fAdilson Muziwane/Paula Boaventura

A principal mensagem deixada pelas lideranças foi clara: o indígena de hoje não pode ser condenado a viver como se o Brasil ainda estivesse em 1500. A cultura permanece, a tradição permanece, a família permanece. Mas o mundo mudou. A alimentação mudou. A saúde exige melhores condições. A educação exige investimento. E a dignidade exige trabalho.
“Somos seres humanos, somos brasileiros e temos o direito de viver bem dentro do nosso território, através do nosso próprio trabalho”, resumiu uma das lideranças.

Os Pareci defendem uma política pública que reconheça a diversidade dos povos indígenas. Só em Mato Grosso, são dezenas de etnias, cada uma com sua história, seu tempo de contato, sua cultura e sua realidade. Por isso, segundo eles, não é possível que uma única visão ideológica, muitas vezes construída longe das aldeias, determine o futuro de todos.

A experiência agrícola dos Pareci mostra que é possível produzir, gerar renda, manter a cultura e melhorar a qualidade de vida. Arnaldo Zuni Zakaê relata que, antes da agricultura, muitas famílias dependiam quase exclusivamente de aposentadorias, cargos na saúde ou na educação. Hoje, a produção abriu novas oportunidades: trabalho nas lavouras, cooperativas, associações, operação de máquinas, gestão, pesquisa, tecnologia e distribuição de renda.

O resultado, segundo os relatos, aparece na vida real. A população aumentou, a alimentação melhorou, a mortalidade caiu e os jovens passaram a enxergar futuro dentro do próprio território. “Saúde não se faz só com remédio. Saúde se faz com alimentação”, afirmou Arnaldo.

Também chamou atenção a participação das mulheres indígenas. Sônia Aparecida Zoazo Kamaero, agricultora, formada em Direito e especialista na área ambiental, explicou que a produção não rompeu com a cultura familiar, mas se adequou a ela. Segundo ela, na tradição Pareci, a mulher sempre teve papel fundamental na colheita, na formação da família e na transmissão de valores. Hoje, além disso, participa das decisões técnicas e econômicas.


“O homem é o guarda-chuva, a mulher é o pilar. Um não anda sem o outro”, afirmou Sônia.
O que os Pareci pedem não é privilégio. É segurança jurídica. É o direito de planejar a longo prazo. É poder acessar crédito, licenciamento, tecnologia e comercialização sem viver sob ameaça permanente de que uma mudança política ou uma interpretação burocrática paralise tudo.

Antônio Galvan, ex-presidente da Aprosoja MT e da Aprosoja Brasil, defendeu que os indígenas tenham direito real ao uso produtivo de parte de seus territórios, sempre com responsabilidade. Para ele, a experiência Pareci prova que o trabalho melhora a vida nas aldeias e pode servir de exemplo para outras etnias que desejam produzir.

Dra. Paula Boaventura também reforçou compromisso com a regulamentação, com a segurança jurídica e com políticas públicas que respeitem a autonomia indígena. De origem Bororo, ela destacou a importância da família, da tradição e do desenvolvimento como caminhos que podem andar juntos.

A reflexão que fica é simples: não se combate pobreza mantendo povos inteiros dependentes de assistencialismo. Também não se preserva cultura impedindo que indígenas estudem, produzam, empreendam e decidam seu próprio futuro.
O povo Pareci mostra que tradição e modernidade não são inimigas. O indígena pode preservar sua língua, seus rituais, seus pajés, sua família, suas mulheres, seus jovens e, ao mesmo tempo, plantar, colher, comercializar, estudar, usar tecnologia e melhorar de vida.
O Brasil precisa abandonar a visão romântica e atrasada de que o indígena só é indígena se estiver isolado da modernidade. Ser indígena é pertencer a um povo, a uma história e a uma cultura. Mas também é ser cidadão brasileiro, com direito à dignidade, ao trabalho, à renda e à liberdade de escolher o próprio caminho.
Campo Novo do Parecis talvez esteja mostrando ao país uma das discussões mais importantes do nosso tempo: o futuro indígena não deve ser imposto por gabinetes, ONGs ou ideologias. Deve ser construído ouvindo quem vive na aldeia, quem planta, quem colhe, quem cria os filhos e quem sabe, na prática, o que significa lutar por dignidade dentro do próprio território.
Os Pareci foram pioneiros. Agora, o desafio político é transformar essa experiência em política pública séria, segura e respeitosa, para que outras etnias que desejem seguir esse caminho também possam ter oportunidade de produzir, prosperar e viver melhor.

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por Luiz Henrique Menezes

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