CUIABÁ

INSCRIÇÕES ABERTAS

Projetos Sesc Criar, Escola de Esportes e Educação para Jovens e Adultos são oferecidos gratuitamente nas unidades

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O Serviço Social do Comércio (Sesc-MT) recebe inscrições, a partir desta quarta-feira (10), para os projetos ‘Sesc Criar’, ‘Escola de Esportes’ e ‘Educação para Jovens e Adultos (EJA)’ nas unidades Sesc Alta Floresta, Cáceres e Poxoréu. As atividades ocorrerão a partir da primeira semana de fevereiro, de acordo com cada projeto e unidade.

“Os projetos são focados na oferta de atividades socioeducativas que contribuam para o bem-estar social e a qualidade de vida dos trabalhadores do comércio de bens, serviços e turismo, de seus familiares e da comunidade em geral”, esclarece a diretora de Produtos e Serviços do Sesc-MT, Ellen Camargo.

Os interessados em participar das atividades devem estar enquadrados no Programa de Comprometimento e Gratuidade (PCG), restrito a candidatos com renda familiar de até três salários mínimos. As inscrições são feitas presencialmente na Central de Relacionamento com o Cliente das unidades mediante apresentação dos documentos pessoais.

Criar Sesc 

O Sesc Criar atende crianças 6 a 12 anos com atividades voltadas ao aprendizado de forma lúdica no contraturno escolar. O objetivo é proporcionar um ambiente que fomente o aprendizado por meio de brincadeiras e da linguagem criativa, auxiliando no desenvolvimento dos participantes.

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O projeto inicia no dia 5/2 nas unidades Sesc Alta Floresta, Cáceres e Poxoréu.

Escola de Esportes 

O projeto promove aulas de diversas modalidades esportivas, como vôlei de quadra, natação, futsal, handebol, beach tênis e Atividades Psicomotoras, Lúdicas e Esportivas (Aples). A ‘Escola de Esportes’ é voltada para crianças e adolescentes.

O início das atividades será em 5/2 no Sesc Cáceres e em Poxoréu. Já em Alta Floresta, o projeto ocorre a partir de 6/2.

Educação para Jovens e Adultos (EJA) 

O EJA oportuniza um ambiente acolhedor, com espaço para estudos e cooperação utilizando metodologias que estimulam a construção colaborativa de aprendizagem, respeitando diferenças, valorizando saberes, aproximando famílias e comunidades. O projeto é voltado para jovens e adultos a partir de 15 anos. As aulas ocorrem em diferentes turnos, de segunda a sexta-feira, nos períodos matutino e vespertino.

O Sistema S do Comércio, composto pela Fecomércio, Sesc, Senac e IPF em Mato Grosso, é presidido por José Wenceslau de Souza Júnior. A entidade é filiada à Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), que está sob o comando de José Roberto Tadros.

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SERVIÇO 

 

Sesc Cáceres – EJA, Escola de Esportes e Criar Sesc 

Endereço: Rua da Membeca, 1573, Jardim Celeste – Loteamento COC

Telefone: (65) 3223-6607

 

Sesc Alta Floresta – Escola de Esportes e Criar Sesc 

Endereço: R. C-3, S/N – Setor C

Telefone: (66) 3521-7211

 

Sesc Poxoréu – EJA, Escola de Esportes e Criar Sesc 

Endereço: R. Graciliano Ramos, S/N, Jardim Tropical

Telefone: (66) 3436-2301

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AGRO & NEGÓCIOS

Indígenas Parecis mostram que produzir também é preservar a dignidade

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Campo Novo do Parecis, em Mato Grosso, abriga uma experiência pioneira no Brasil: a produção agrícola conduzida por indígenas dentro de seu próprio território, de forma organizada, coletiva e com olhar voltado para o futuro.

Durante reunião com lideranças indígenas da região, os pré-candidatos Dra. Paula Boaventura, à Câmara Federal, e Antônio Galvan, ao Senado, ouviram relatos fortes sobre a realidade dos Haliti-Pareci, povo que há anos enfrenta burocracias, embargos, preconceitos e visões ultrapassadas sobre o que é ser indígena no Brasil atual.


fAdilson Muziwane/Paula Boaventura

A principal mensagem deixada pelas lideranças foi clara: o indígena de hoje não pode ser condenado a viver como se o Brasil ainda estivesse em 1500. A cultura permanece, a tradição permanece, a família permanece. Mas o mundo mudou. A alimentação mudou. A saúde exige melhores condições. A educação exige investimento. E a dignidade exige trabalho.
“Somos seres humanos, somos brasileiros e temos o direito de viver bem dentro do nosso território, através do nosso próprio trabalho”, resumiu uma das lideranças.

Os Pareci defendem uma política pública que reconheça a diversidade dos povos indígenas. Só em Mato Grosso, são dezenas de etnias, cada uma com sua história, seu tempo de contato, sua cultura e sua realidade. Por isso, segundo eles, não é possível que uma única visão ideológica, muitas vezes construída longe das aldeias, determine o futuro de todos.

A experiência agrícola dos Pareci mostra que é possível produzir, gerar renda, manter a cultura e melhorar a qualidade de vida. Arnaldo Zuni Zakaê relata que, antes da agricultura, muitas famílias dependiam quase exclusivamente de aposentadorias, cargos na saúde ou na educação. Hoje, a produção abriu novas oportunidades: trabalho nas lavouras, cooperativas, associações, operação de máquinas, gestão, pesquisa, tecnologia e distribuição de renda.

O resultado, segundo os relatos, aparece na vida real. A população aumentou, a alimentação melhorou, a mortalidade caiu e os jovens passaram a enxergar futuro dentro do próprio território. “Saúde não se faz só com remédio. Saúde se faz com alimentação”, afirmou Arnaldo.

Também chamou atenção a participação das mulheres indígenas. Sônia Aparecida Zoazo Kamaero, agricultora, formada em Direito e especialista na área ambiental, explicou que a produção não rompeu com a cultura familiar, mas se adequou a ela. Segundo ela, na tradição Pareci, a mulher sempre teve papel fundamental na colheita, na formação da família e na transmissão de valores. Hoje, além disso, participa das decisões técnicas e econômicas.


“O homem é o guarda-chuva, a mulher é o pilar. Um não anda sem o outro”, afirmou Sônia.
O que os Pareci pedem não é privilégio. É segurança jurídica. É o direito de planejar a longo prazo. É poder acessar crédito, licenciamento, tecnologia e comercialização sem viver sob ameaça permanente de que uma mudança política ou uma interpretação burocrática paralise tudo.

Antônio Galvan, ex-presidente da Aprosoja MT e da Aprosoja Brasil, defendeu que os indígenas tenham direito real ao uso produtivo de parte de seus territórios, sempre com responsabilidade. Para ele, a experiência Pareci prova que o trabalho melhora a vida nas aldeias e pode servir de exemplo para outras etnias que desejam produzir.

Dra. Paula Boaventura também reforçou compromisso com a regulamentação, com a segurança jurídica e com políticas públicas que respeitem a autonomia indígena. De origem Bororo, ela destacou a importância da família, da tradição e do desenvolvimento como caminhos que podem andar juntos.

A reflexão que fica é simples: não se combate pobreza mantendo povos inteiros dependentes de assistencialismo. Também não se preserva cultura impedindo que indígenas estudem, produzam, empreendam e decidam seu próprio futuro.
O povo Pareci mostra que tradição e modernidade não são inimigas. O indígena pode preservar sua língua, seus rituais, seus pajés, sua família, suas mulheres, seus jovens e, ao mesmo tempo, plantar, colher, comercializar, estudar, usar tecnologia e melhorar de vida.
O Brasil precisa abandonar a visão romântica e atrasada de que o indígena só é indígena se estiver isolado da modernidade. Ser indígena é pertencer a um povo, a uma história e a uma cultura. Mas também é ser cidadão brasileiro, com direito à dignidade, ao trabalho, à renda e à liberdade de escolher o próprio caminho.
Campo Novo do Parecis talvez esteja mostrando ao país uma das discussões mais importantes do nosso tempo: o futuro indígena não deve ser imposto por gabinetes, ONGs ou ideologias. Deve ser construído ouvindo quem vive na aldeia, quem planta, quem colhe, quem cria os filhos e quem sabe, na prática, o que significa lutar por dignidade dentro do próprio território.
Os Pareci foram pioneiros. Agora, o desafio político é transformar essa experiência em política pública séria, segura e respeitosa, para que outras etnias que desejem seguir esse caminho também possam ter oportunidade de produzir, prosperar e viver melhor.

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por Luiz Henrique Menezes

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