CUIABÁ

DESRESPEITANDO DECISÃO JUDICIAL

Produtor tenta invadir fazenda à força

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A Fazenda Mandassaia precisou acionar a Polícia Militar após ser alvo de tentativa de invasão na última quarta-feira, 7 de junho. A propriedade está situada em Juara (695 km de Cuiabá) e o ato foi cometido por pessoas ligadas ao produtor e ex-parceiro agrícola do grupo, Eduardo Valdameri Vergutz. Ele mantinha um contrato com a fazenda, mas foi rescindido por descumprimento de cláusulas, inadimplência e crimes ambientais. A tentativa de invasão também descumpre uma decisão judicial, que manteve a rescisão contratual até julgamento do mérito.

Foram duas tentativas de invasão no mesmo dia. Primeiramente, o grupo tentou acessar a fazenda pela entrada à qual utilizava quando mantinha a parceria. Contudo, como é preciso atravessar o rio com uma balsa pertencente à fazenda para chegar à propriedade, o grupo não conseguiu alcançar o objetivo.

Mais tarde, os homens tentaram invadir a fazenda por outra entrada, com acesso por terra. Eles acabaram sendo impedidos pelos seguranças da propriedade.

Sócio da fazenda, o produtor Douglas Paes de Barros explica a gravidade da situação.

“Foi um fato gravíssimo! O que ele está fazendo é absurdo, desrespeitando uma decisão judicial e tentando invadir a fazenda, por meio da pistolagem. Nós não estamos mais na época em que isso era aceitável. Os problemas se resolvem na Justiça e é isso que estamos fazendo: cumprindo a determinação do Poder Judiciário, seja qual for a decisão. O caso foi amenizado com a chegada da Polícia Militar… se não fossem os policiais, não sei o que eles poderiam ter feito”, contou o produtor.

O CASO
A Fazenda Mandassaia e o produtor Eduardo Valdameri Vergutz firmaram contrato de parceria agrícola referente a 3 mil hectares, cujo objeto era o plantio de soja e outras culturas. Contudo, a empresa decidiu rescindir o negócio após o produtor abandonar a área no começo de abril, além de constantes atrasos no pagamento, descumprimento de cláusulas contratuais, crimes ambientais e descumprimento das medidas preventivas de preparo ao vazio sanitário, que está prestes a começar em Mato Grosso.

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Em abril, a empresa acionou a justiça para homologar a rescisão contratual. Porém, dias depois, o produtor também ingressou com pedido de liminar para manter o contrato até a conclusão do caso.

Inicialmente, o juiz Juliano Hermont Hermes da Silva, da 2ª Vara Cível de Juara, acolheu ao pedido do produtor e concedeu a liminar no último dia 2.

A empresa então recorreu da decisão e demonstrou ao magistrado que já existia um processo judicial anterior a esse, de sua autoria. Na última segunda-feira, 5, ele cassou a própria decisão, suspendendo a liminar.

Para o advogado Ivo Spinola, que defende a Fazenda Mandassaia, o juiz foi induzido a erro, uma vez que o caso foi apresentado como se fosse contrato de arrendamento. Ele explica que, embora parecido, o acordo de parceria agrícola é diferente do arrendamento, com direitos e obrigações diferentes.

“A Parceria Agrícola não é regida pelo Código Civil… ela é muito anterior ao arrendamento. Na parceria, um ajuda o outro. Nós indicamos ao juiz uma série de irregularidades, crimes ambientais, falta de adubo na área e, depois que ele colheu a soja, não bateu veneno, deixando a soja brotar, deixando, inclusive, o dono da fazenda sujeito a multas e embargos da Sema”, explicou.

Além disso, ainda havia a preocupação de a propriedade ser multada pelos órgãos ambientais, caso não conseguisse tomar as medidas necessárias para se enquadrar nas regras do vazio sanitário a tempo.

O engenheiro florestal Edson Mendes, consultor técnico da propriedade, foi ao local para fiscalizar a área e constatou que a área colhida já estava repleta de mudas de soja. O período proibitivo para plantio de soja em Mato Grosso começa no próximo dia 15 de junho e se estende até 15 de setembro.

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“O vazio sanitário é uma medida importantíssima para o controle da Ferrugem Asiática. Neste período, o produtor não pode plantar e nem manter viva as plantas de soja em desenvolvimento, independente de qual fase a planta esteja. Se a medida não for cumprida, põe em risco toda a safra seguinte, principalmente após o Ministério da Agricultura [Mapa] identificar um grande crescimento nas ocorrências da doença na safra 2022/2023”, explicou.

Com a manutenção do contrato rescindido, a Fazenda Mandassaia já providenciou as medidas necessárias para enquadrar a área às exigências do vazio sanitário. São dois tratores empenhados no trabalho, para que o processo seja feito dentro do prazo.

PRAGA PERIGOSA
A Ferrugem Asiática é uma doença extremamente perigosa para a planta, sendo uma das mais severas nesta cultura. Ela pode ocorrer em qualquer estágio de crescimento da planta. Segundo o Mapa, nas diversas regiões em que a doença se alastrou de forma epidêmica, os danos chegaram a até 90% da produção. Na ausência de controle, ela pode causar a perda total da produção.
Por se espalhar de forma muito fácil e rápida, o descumprimento do controle imposto pelo vazio sanitário impõe risco à produção de toda a região. Em termos práticos, uma única violação do vazio sanitário pode pôr em risco toda a economia mato-grossense, já que o estado é o maior produtor de soja do país.

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AGRO & NEGÓCIOS

Projeto Caju beneficia mais de 100 produtores e distribui 10 mil mudas no semiárido cearense

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Em uma região onde a escassez de água impõe desafios à produção agrícola, encontrar culturas adaptadas às condições locais é um dos caminhos para ampliar as oportunidades de geração de renda no campo. É nesse cenário que o Projeto Caju, desenvolvido pelos Amigos do Bem, organização sem fins lucrativos, com apoio da AGCO Agriculture Foundation, fundação privada que tem como objetivo prevenir e combater a fome por meio do desenvolvimento agrícola sustentável, atua no semiárido cearense. A iniciativa envolve 107 produtores em 15 comunidades, com a distribuição de 10 mil mudas de caju, capacitação técnica e acompanhamento para apoiar a implantação e o desenvolvimento dos pomares.

A escolha do caju considera as características da cultura, que apresenta adaptação ao clima quente e a períodos de menor disponibilidade hídrica. A partir dessa característica, o projeto associa o cultivo ao conhecimento técnico e ao suporte aos agricultores, buscando contribuir para a geração de renda e o fortalecimento da agricultura local.

Dos 107 produtores envolvidos, 63 receberam apoio direto com recursos da AGCO Agriculture Foundation. Entre os participantes, 64% são novos produtores, enquanto 36% já haviam sido apoiados pelo Projeto Caju.

“Os resultados mostram a importância de combinar recursos, conhecimento e acompanhamento técnico para criar oportunidades de desenvolvimento no campo. Em regiões que enfrentam desafios climáticos e socioeconômicos tão grandes, apoiar o produtor significa também contribuir para que ele tenha condições de construir uma fonte de renda mais estável”, afirma Marcelo Traldi, gerente geral da AGCO América Latina.

“Essa iniciativa demonstra como parcerias estratégicas podem gerar impacto positivo no campo. Ao apoiar os produtores com as mudas, capacitação e acompanhamento técnico, o projeto contribui para fortalecer a produção local e gerar renda para famílias em situação de vulnerabilidade no semiárido mais populoso do mundo e um dos contextos mais desafiadores do Brasil: o sertão nordestino”, afirma Alceu Caldeira, Diretor de Desenvolvimento Institucional dos Amigos do Bem.

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Do conhecimento à prática

 

A capacitação é uma das principais frentes da iniciativa. Setenta produtores participaram de treinamento técnico sobre implantação e manejo dos pomares, com orientações sobre seleção de mudas produtivas e adaptadas às condições do semiárido, preparo do solo, espaçamento, fertilização, manejo de plantas daninhas e poda de formação.O conhecimento também foi levado para o campo durante um dia de campo, que reuniu 34 produtores. A atividade permitiu demonstrar técnicas de plantio e manejo das mudas e criou um espaço para troca de experiências, esclarecimento de dúvidas e discussão dos desafios encontrados nas propriedades.

A combinação entre acesso às mudas e orientação técnica é especialmente relevante em uma região sujeita a períodos prolongados de seca. O objetivo é apoiar os agricultores nas primeiras etapas de desenvolvimento dos pomares e contribuir para que adotem práticas adequadas às características do solo, do clima e da cultura.

 

Investimento e acompanhamento

A Fundação AGCO destinou mais de R$ 100 mil ao projeto, recursos aplicados na produção das mudas, apoio aos pequenos produtores, capacitações, monitoramento e gestão da iniciativa.

Com a implantação dos pomares, o Projeto Caju avança para uma etapa de acompanhamento técnico. Estão previstas visitas às propriedades para monitorar o desenvolvimento das plantas e orientar os agricultores ao longo do ciclo produtivo.

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A programação inclui ainda novos treinamentos sobre pré-colheita e pós-colheita, com orientações sobre manejo, fortalecimento dos pomares e preparação dos produtores para as próximas etapas da produção.

O Projeto Caju integra a atuação dos Amigos do Bem no sertão nordestino. A organização atende cerca de 150 mil pessoas em 300 comunidades nos estados de Alagoas, Pernambuco e Ceará, com iniciativas nas áreas de educação, geração de renda, acesso à água, moradia e saúde.

 Sobre a Fundação AGCO

Fundada pela AGCO Corporation (NYSE: AGCO) em 2018, a AGCO Agriculture Foundation é uma fundação privada que tem como visão prevenir e aliviar a fome. A Fundação promove programas de impacto que apoiam a segurança alimentar, o desenvolvimento agrícola sustentável e constroem a infraestrutura agrícola necessária em comunidades rurais marginalizadas. A AAF está sediada em Vaduz, Liechtenstein e as operações são geridas em Duluth, Geórgia, EUA. Para mais informações, acesse https://www.agcofoundation.org/

 Sobre a ONG Amigos do Bem

Há mais de 30 anos, a instituição Amigos do Bem trabalha para transformar vidas no sertão nordestino, uma das regiões mais carentes e isoladas do Brasil. Atende regularmente 150 mil pessoas em 300 povoados com projetos contínuos de educação, trabalho e renda, água, moradia e saúde. Com um Modelo de Desenvolvimento Social Sustentável e diversas iniciativas de impacto positivo, promove inclusão social e desenvolvimento local, contribuindo com 12 dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU. Para mais informações, acesse www.amigosdobem.org.

Flavia Amarante

Executiva de comunicação

Cel.: (16) 99792-2160

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