CINEMA POPULAR
Estreia solidária será no Cine Teatro Cuiabá no dia 2 de março; J. Astrevo e Lioniê Vitório interpretam casal e colocam holofotes sobre tabus do mundo contemporâneo
Os artistas J. Astrevo e Lioniê Vitório estreiam no dia 2 de março, no Cine Teatro Cuiabá, o curta-metragem “Um rolacionamento quase perfeito”. A obra usa e abusa do humor para conversar com o público sobre amor, conflitos na vida a dois e temas contemporâneos como empoderamento feminino, autoconhecimento e quebra de tabus sociais. O ingresso solidário será um livro novo ou em bom estado de conservação.
Da play
As gravações do curta-metragem aconteceram em Cuiabá em outubro, sob a direção geral de Luiz Marchetti, direção de fotografia de Keydson Barcelos e produção executiva de Marcelo Okamura. Daniela Arantes e Priscila Pires assinam a assistência de direção e produção, respectivamente. O elenco reúne Romeu Benedicto, Amarílis França, Mazé Oliveira, Danielle Souziel e Eloá Pimenta e participações especiais de Lucas Gabriel Santana, Vini Hoffmann e Sophie Campos. A trilha original criada por Estela Ceregatti e Jhon Stuart mistura ritmos regionais com o universal, fortalecendo o arco narrativo, junto com obras de artistas visuais renomados do Estado.
“O projeto é cinema nacional com elementos da cultura popular. A comédia ficcional é livremente inspirada na comédia da vida real. Há Nicolinas e Laurenços em seus ‘rolacionamentos’ quase perfeitos por toda parte, em diferentes sotaques Brasil afora. Então, vamos retratá-los no cinema!”, explica J. Astrevo, autor do roteiro. Aos 60 anos, 45 deles vividos a dois, personagens Nicolina e Laurenço apresentam personalidades e anseios distintos. Qual será o futuro desse casamento? Saiba em primeira-mão prestigiando a exibição no Cine Teatro, no próximo dia 2.
“Um rolacionamento quase perfeito” é um filme da Nico e Lau Filmes, em parceria com as produtoras QaQ Filmes, MTO Marketing e Publicidade e CALM Audiovisual. A obra conta com o patrocínio do Governo de Mato Grosso, Assembleia Legislativa e Secretaria de Estado de Cultura, por meio de emenda parlamentar do deputado estadual Paulo Araújo.
“Estamos extasiados com o filme. As personagens nos dão licença, tendo o humor como caminho, para dialogar com famílias e sociedade em geral sobre temas tão pulsantes, necessários, como o empoderamento feminino, machismo e objetificação da mulher. Isso é comportamento, é cultura, é cinema”, destaca Lioniê Vitório.
À frente da direção geral, o experiente Luiz Marchetti chama a atenção ao fato do curta despontar em meio a uma fase pujante do cinema mato-grossense e nacional, num cenário repleto de lançamentos. “O cinema vive! E encontra em Mato Grosso solo fértil em criatividade e inovação. Nós temos cinema popular, talentos e sensibilidade para produzir filmes que tocam o coração do público”, ressalta o diretor.
Acompanhe a programação e curiosidades sobre o filme por meio das redes sociais: https://www.instagram.com/nicoelau/
SERVIÇO: “Um rolacionamento quase perfeito” estreia em Cuiabá
2 de março, sábado
A partir das 19h
Cine Teatro Cuiabá (Avenida Getúlio Vargas, Centro)
Ingresso: 1 livro (por espectador) novo ou em bom estado de conservação
OBS: não serão aceitos livros didáticos
Informações: (65) 3627 1244 / (65) 99975 5513
www.nicoelau.com.br
Fotógrafo: Luiz henrique Menezes
Galeria
AGRO & NEGÓCIOS
Indígenas Parecis mostram que produzir também é preservar a dignidade
Published
2 dias atráson
11 de junho de 2026By
Da Redação
Campo Novo do Parecis, em Mato Grosso, abriga uma experiência pioneira no Brasil: a produção agrícola conduzida por indígenas dentro de seu próprio território, de forma organizada, coletiva e com olhar voltado para o futuro.

Durante reunião com lideranças indígenas da região, os pré-candidatos Dra. Paula Boaventura, à Câmara Federal, e Antônio Galvan, ao Senado, ouviram relatos fortes sobre a realidade dos Haliti-Pareci, povo que há anos enfrenta burocracias, embargos, preconceitos e visões ultrapassadas sobre o que é ser indígena no Brasil atual.

fAdilson Muziwane/Paula Boaventura
A principal mensagem deixada pelas lideranças foi clara: o indígena de hoje não pode ser condenado a viver como se o Brasil ainda estivesse em 1500. A cultura permanece, a tradição permanece, a família permanece. Mas o mundo mudou. A alimentação mudou. A saúde exige melhores condições. A educação exige investimento. E a dignidade exige trabalho.
“Somos seres humanos, somos brasileiros e temos o direito de viver bem dentro do nosso território, através do nosso próprio trabalho”, resumiu uma das lideranças.

Os Pareci defendem uma política pública que reconheça a diversidade dos povos indígenas. Só em Mato Grosso, são dezenas de etnias, cada uma com sua história, seu tempo de contato, sua cultura e sua realidade. Por isso, segundo eles, não é possível que uma única visão ideológica, muitas vezes construída longe das aldeias, determine o futuro de todos.

A experiência agrícola dos Pareci mostra que é possível produzir, gerar renda, manter a cultura e melhorar a qualidade de vida. Arnaldo Zuni Zakaê relata que, antes da agricultura, muitas famílias dependiam quase exclusivamente de aposentadorias, cargos na saúde ou na educação. Hoje, a produção abriu novas oportunidades: trabalho nas lavouras, cooperativas, associações, operação de máquinas, gestão, pesquisa, tecnologia e distribuição de renda.
O resultado, segundo os relatos, aparece na vida real. A população aumentou, a alimentação melhorou, a mortalidade caiu e os jovens passaram a enxergar futuro dentro do próprio território. “Saúde não se faz só com remédio. Saúde se faz com alimentação”, afirmou Arnaldo.

Também chamou atenção a participação das mulheres indígenas. Sônia Aparecida Zoazo Kamaero, agricultora, formada em Direito e especialista na área ambiental, explicou que a produção não rompeu com a cultura familiar, mas se adequou a ela. Segundo ela, na tradição Pareci, a mulher sempre teve papel fundamental na colheita, na formação da família e na transmissão de valores. Hoje, além disso, participa das decisões técnicas e econômicas.

“O homem é o guarda-chuva, a mulher é o pilar. Um não anda sem o outro”, afirmou Sônia.
O que os Pareci pedem não é privilégio. É segurança jurídica. É o direito de planejar a longo prazo. É poder acessar crédito, licenciamento, tecnologia e comercialização sem viver sob ameaça permanente de que uma mudança política ou uma interpretação burocrática paralise tudo.

Antônio Galvan, ex-presidente da Aprosoja MT e da Aprosoja Brasil, defendeu que os indígenas tenham direito real ao uso produtivo de parte de seus territórios, sempre com responsabilidade. Para ele, a experiência Pareci prova que o trabalho melhora a vida nas aldeias e pode servir de exemplo para outras etnias que desejam produzir.

Dra. Paula Boaventura também reforçou compromisso com a regulamentação, com a segurança jurídica e com políticas públicas que respeitem a autonomia indígena. De origem Bororo, ela destacou a importância da família, da tradição e do desenvolvimento como caminhos que podem andar juntos.
A reflexão que fica é simples: não se combate pobreza mantendo povos inteiros dependentes de assistencialismo. Também não se preserva cultura impedindo que indígenas estudem, produzam, empreendam e decidam seu próprio futuro.
O povo Pareci mostra que tradição e modernidade não são inimigas. O indígena pode preservar sua língua, seus rituais, seus pajés, sua família, suas mulheres, seus jovens e, ao mesmo tempo, plantar, colher, comercializar, estudar, usar tecnologia e melhorar de vida.
O Brasil precisa abandonar a visão romântica e atrasada de que o indígena só é indígena se estiver isolado da modernidade. Ser indígena é pertencer a um povo, a uma história e a uma cultura. Mas também é ser cidadão brasileiro, com direito à dignidade, ao trabalho, à renda e à liberdade de escolher o próprio caminho.
Campo Novo do Parecis talvez esteja mostrando ao país uma das discussões mais importantes do nosso tempo: o futuro indígena não deve ser imposto por gabinetes, ONGs ou ideologias. Deve ser construído ouvindo quem vive na aldeia, quem planta, quem colhe, quem cria os filhos e quem sabe, na prática, o que significa lutar por dignidade dentro do próprio território.
Os Pareci foram pioneiros. Agora, o desafio político é transformar essa experiência em política pública séria, segura e respeitosa, para que outras etnias que desejem seguir esse caminho também possam ter oportunidade de produzir, prosperar e viver melhor.
por Luiz Henrique Menezes
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