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Livro de Nina Ricci chega à rede estadual em Cuiabá

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Casa Coração (Entrelinhas Editora), obra infanto-juvenil da autora cuiabana Nina Ricci, circulou por escolas da capital mato-grossense em setembro. A história chegou a cinco comunidades escolares. Foram 500 exemplares do livro e uma peça de contação da história, realizada pela própria escritora, que também é atriz.

O projeto “Casa Coração nas Escolas” é uma realização de Nina Ricci e Instituto Kurâdomôdo, em parceria com a Secretaria de Estado de Cultural, Esporte e Lazer (Secel-MT) e da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), com apoio cultural do Teatro Fúria, Spectrolab e Carlos Avallone.

Foram contempladas pela apresentação cerca de 400 crianças, que estudam na rede pública estadual, de turmas do 3º ao 6º ano. Um momento também de troca e diálogo entre autora e leitores; uma oportunidade (muitas vezes, única) de contato direto das crianças com uma artista de sua terra.

Na trama, ambientada na pandemia, os leitores são convidados a dar as mãos e seguir viagem com a protagonista Eli. Através de buracos de fechaduras, ela irá vivenciar realidades bem distantes da sua, em diferentes lares, na busca de sua “casa coração”.

Já os livros, deverão ficar nas bibliotecas das unidades para serem trabalhados por seus educadores. A sugestão é que parte deles também sejam entregues diretamente aos alunos.

“Eu não queria que o livro chegasse sozinho nas escolas. Afinal de contas, eu sou uma autora de Mato Grosso e, pra mim, é muito significativo que os alunos daqui tenham a possibilidade de uma vivência afetiva da história. Queria também que a obra tivesse corpo e que a criança pudesse associar o livro a uma experiência”, conta Nina Ricci.

Sobre essa experiência, ela relata sua perspectiva: “É muito impactante ver esse livro na mão das crianças. É só no ‘ao vivo’ que a gente tem um pouco da dimensão do que significa escrever um livro pra elas. E são poucas as oportunidades que temos de testemunhar isso. Esse é um dos motivos pelos quais eu criei esse projeto de contação da história nas escolas”.

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A obra passou pelas escolas estaduais Paciana Torres de Santana, Professora Maria Hermínia Alves, Dom José do Despraiado, Barão de Melgaço e Manoel Cavalcante Proença.

“Desde o lançamento de Casa Coração, temos feito o esforço de ampliar e democratizar o acesso das crianças ao livro. Primeiro, com uma campanha de venda solidária, que beneficiou crianças do projeto Flauta Mágica. Depois, por meio do Edital Movimentar Cultura, da Secel, conseguimos chegar a outras cinco escolas públicas, em projeto de menor formato. Agora, a circulação tem sido uma oportunidade incrível e uma experiencia que enriquece demais o meu trabalho como escritora e atriz”, reforça Nina.

Possibilidades de expansão da leitura

Para que a ação não terminasse ali, Nina também preparou um material complementar para professoras e professores, com sugestões de ações posteriores junto aos alunos. Uma forma de expandir e aprofundar a experiência e as possibilidades de leitura de Casa Coração nas escolas que visitou.

Trata-se de exercícios de criação, recriação da história, e observação do livro, que é ilustrado pela artista Dani Monteiro, também cuiabana. Além de ações que engajam também o corpo. “Como palavras, cores, ilustrações e outros símbolos que compõem a obra nos ajudam a contar essa história”, estimula Nina.

Tanto a peça quanto o material complementar fazem parte da visão de Nina como arte-educadora e suas experiências em sala de aula, com formação de espectadores. “Vem da compreensão de que uma obra não é lida por si só. Um livro, um quadro, uma peça de teatro… Quando a gente faz um trabalho mais profundo de relação com essa obra, se expandem diversas possibilidades de leitura das crianças”, destaca.

A obra

Em quarentena, uma criança está isolada em seu quarto por conta de uma estranha doença que circula lá fora. Num tropeço inexplicável, ela entra pelo buraco da fechadura dando início a uma incrível aventura pelas mais diferentes casas, com realidades que ela jamais poderia imaginar.

Este é o fio condutor que vai levar leitores pequenos e grandes a uma viagem inusitada pelas páginas do livro Casa Coração (Entrelinhas Editora), da escritora e atriz Nina Ricci. A obra foi lançada em dezembro de 2021 e está à venda no site: https://www.entrelinhaseditora.com.br.

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Com linguagem rica e poética, a cuiabana estimula reflexões àqueles que se permitirem ousar pelo mundo real da imaginação: “O que vale mais, a chave ou o chaveiro? Como pode existir uma casa sem fechaduras? Sem portas? Sem paredes? Afinal, o que leva a criança Eli de um canto a outro? Será possível voltar ao seu próprio lar? Será que existe um lugar que é perfeito para nós?”

“Eu digo que essa história tem vida própria, ela quis vir ao mundo. Acredito que ela quer encontrar pessoas pequenas ou grandes, que estejam em busca do seu próprio lar”, complementa a autora.

Com as ilustrações de Dani Monteiro, a obra materializa uma parceria, que surgiu da amizade de anos atrás. Aos 27 anos, a cuiabana Nina Ricci, formada em Artes Cênicas pela Universidade de São Paulo (USP), trabalha na área e mora em São Paulo. Bióloga por formação, casada e mãe de Clara, Davi e Elis, a artista Dani Monteiro também é cuiabana e tem 34 anos.

“Parceria de gente que gosta de passarinho, aquarela, crianças e histórias só pode ser das boas! E viver esse fluxo, junto a uma editora como a Entrelinhas, que abriu espaço para nos acolher, foi um presente”, conta a ilustradora.

Nina reforça a importância dos apoios ao longo da jornada de construção de Casa Coração, que tornaram possíveis a publicação e os projetos posteriores: “Recebi muito apoio desde cedo para escrever e criar arte. São incontáveis pessoas que me deram suporte e continuam contribuindo. Poder dar corpo a essa história através da publicação e circulação de um livro, na minha idade e no Brasil hoje, é algo precioso. Quero que muitas crianças, adolescentes, jovens e adultos possam ter acesso ao livro e sentir este carinho quando forem ler”.

Com assessoria 

Fonte: GOV MT

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AGRO & NEGÓCIOS

Indígenas Parecis mostram que produzir também é preservar a dignidade

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Campo Novo do Parecis, em Mato Grosso, abriga uma experiência pioneira no Brasil: a produção agrícola conduzida por indígenas dentro de seu próprio território, de forma organizada, coletiva e com olhar voltado para o futuro.

Durante reunião com lideranças indígenas da região, os pré-candidatos Dra. Paula Boaventura, à Câmara Federal, e Antônio Galvan, ao Senado, ouviram relatos fortes sobre a realidade dos Haliti-Pareci, povo que há anos enfrenta burocracias, embargos, preconceitos e visões ultrapassadas sobre o que é ser indígena no Brasil atual.


fAdilson Muziwane/Paula Boaventura

A principal mensagem deixada pelas lideranças foi clara: o indígena de hoje não pode ser condenado a viver como se o Brasil ainda estivesse em 1500. A cultura permanece, a tradição permanece, a família permanece. Mas o mundo mudou. A alimentação mudou. A saúde exige melhores condições. A educação exige investimento. E a dignidade exige trabalho.
“Somos seres humanos, somos brasileiros e temos o direito de viver bem dentro do nosso território, através do nosso próprio trabalho”, resumiu uma das lideranças.

Os Pareci defendem uma política pública que reconheça a diversidade dos povos indígenas. Só em Mato Grosso, são dezenas de etnias, cada uma com sua história, seu tempo de contato, sua cultura e sua realidade. Por isso, segundo eles, não é possível que uma única visão ideológica, muitas vezes construída longe das aldeias, determine o futuro de todos.

A experiência agrícola dos Pareci mostra que é possível produzir, gerar renda, manter a cultura e melhorar a qualidade de vida. Arnaldo Zuni Zakaê relata que, antes da agricultura, muitas famílias dependiam quase exclusivamente de aposentadorias, cargos na saúde ou na educação. Hoje, a produção abriu novas oportunidades: trabalho nas lavouras, cooperativas, associações, operação de máquinas, gestão, pesquisa, tecnologia e distribuição de renda.

O resultado, segundo os relatos, aparece na vida real. A população aumentou, a alimentação melhorou, a mortalidade caiu e os jovens passaram a enxergar futuro dentro do próprio território. “Saúde não se faz só com remédio. Saúde se faz com alimentação”, afirmou Arnaldo.

Também chamou atenção a participação das mulheres indígenas. Sônia Aparecida Zoazo Kamaero, agricultora, formada em Direito e especialista na área ambiental, explicou que a produção não rompeu com a cultura familiar, mas se adequou a ela. Segundo ela, na tradição Pareci, a mulher sempre teve papel fundamental na colheita, na formação da família e na transmissão de valores. Hoje, além disso, participa das decisões técnicas e econômicas.


“O homem é o guarda-chuva, a mulher é o pilar. Um não anda sem o outro”, afirmou Sônia.
O que os Pareci pedem não é privilégio. É segurança jurídica. É o direito de planejar a longo prazo. É poder acessar crédito, licenciamento, tecnologia e comercialização sem viver sob ameaça permanente de que uma mudança política ou uma interpretação burocrática paralise tudo.

Antônio Galvan, ex-presidente da Aprosoja MT e da Aprosoja Brasil, defendeu que os indígenas tenham direito real ao uso produtivo de parte de seus territórios, sempre com responsabilidade. Para ele, a experiência Pareci prova que o trabalho melhora a vida nas aldeias e pode servir de exemplo para outras etnias que desejam produzir.

Dra. Paula Boaventura também reforçou compromisso com a regulamentação, com a segurança jurídica e com políticas públicas que respeitem a autonomia indígena. De origem Bororo, ela destacou a importância da família, da tradição e do desenvolvimento como caminhos que podem andar juntos.

A reflexão que fica é simples: não se combate pobreza mantendo povos inteiros dependentes de assistencialismo. Também não se preserva cultura impedindo que indígenas estudem, produzam, empreendam e decidam seu próprio futuro.
O povo Pareci mostra que tradição e modernidade não são inimigas. O indígena pode preservar sua língua, seus rituais, seus pajés, sua família, suas mulheres, seus jovens e, ao mesmo tempo, plantar, colher, comercializar, estudar, usar tecnologia e melhorar de vida.
O Brasil precisa abandonar a visão romântica e atrasada de que o indígena só é indígena se estiver isolado da modernidade. Ser indígena é pertencer a um povo, a uma história e a uma cultura. Mas também é ser cidadão brasileiro, com direito à dignidade, ao trabalho, à renda e à liberdade de escolher o próprio caminho.
Campo Novo do Parecis talvez esteja mostrando ao país uma das discussões mais importantes do nosso tempo: o futuro indígena não deve ser imposto por gabinetes, ONGs ou ideologias. Deve ser construído ouvindo quem vive na aldeia, quem planta, quem colhe, quem cria os filhos e quem sabe, na prática, o que significa lutar por dignidade dentro do próprio território.
Os Pareci foram pioneiros. Agora, o desafio político é transformar essa experiência em política pública séria, segura e respeitosa, para que outras etnias que desejem seguir esse caminho também possam ter oportunidade de produzir, prosperar e viver melhor.

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por Luiz Henrique Menezes

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