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Jogos Escolares Brasileiros serão abertos nesta quinta-feira

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A cerimônia oficial de abertura dos Jogos Escolares Brasileiros está programada para esta quinta-feira (03.11), às 19h, na cidade do Rio de Janeiro. A primeira fase da competição nacional segue até o dia 08 de novembro, com disputas de basquete, futsal, judô, karatê, taekwondo, tênis de mesa, vôlei de praia e xadrez. A delegação mato-grossense tem representantes em todas as modalidades.

Nesta primeira etapa, a delegação mato-grossense conta com mais de 100 estudantes, de escolas públicas e privadas, de todas as regiões de Mato Grosso. Diante da grandiosidade da competição nacional, o secretário de Cultura, Esporte e Lazer de Mato Grosso, Jefferson Neves, foi até à Cidade Maravilhosa para acompanhar de perto o desempenho dos jovens atletas.

“Esta ação é fruto de um trabalho realizado durante todo o ano, com seletivas municipais, regionais e estaduais. Fruto de todo um planejamento para destacar nossos melhores atletas, melhores escolas, melhores representantes. Uma ação que movimenta o esporte nos 141 municípios de Mato Grosso, de janeiro a dezembro. Os envolvidos estão focados no treinamento o ano todo. Para chegarmos até aqui, foi necessário um plano logístico bem traçado, para podermos encher os aeroportos com nossos futuros representantes do esporte, nossa esperança nas competições nacionais”, explica Jefferson Neves.

A participação mato-grossense é coordenada pela Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel-MT), em parceria com a Federação Mato-grossense de Desporto Escolar (FMDE). Os Jogos Escolares Brasileiros são organizados pela Confederação Brasileira de Desporto Escolar (CBDE), em parceria com a Secretaria Especial de Esporte, do Ministério da Cidadania. Os jovens atletas mato-grossenses desfrutarão de uma estrutura de alto nível, com hospedagem, transporte e alimentação garantidos pela organização do evento. 

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“Poder fazer parte deste momento, me enche de orgulho. Agradeço demais ao Governo de Mato Grosso por todo o apoio e por nos proporcionar este momento histórico. Agradeço também à Federação Mato-grossense de Desporto Escolar, nossa grande parceira e, claro, a todo o timaço da Secel-MT, que não mediu esforços para fazer com que essas crianças e adolescentes, muitas delas que nunca tiveram a oportunidade de viajar de avião, pudessem viver esta experiencia, que, muito provavelmente, vão levar para toda vida. É para isso que trabalhamos e nos dedicamos tanto”, destaca Jefferson.  

Além da agenda esportiva, os estudantes poderão participar de diversas atividades no centro de convivência, localizado no Parque Olímpico, e de uma rica programação de turismo cultural pela cidade. Somando as duas etapas dos Jogos Escolares Brasileiros, Mato Grosso contará com mais de 250 competidores.

“São 250 famílias impactadas. Oportunidade para estas crianças realizarem seus sonhos de um dia se tornarem grandes atletas, podendo, desde já, conhecer outras realidades, interagir com atletas de todos os 27 estados brasileiros. Estamos cada vez mais organizados. Temos uma filosofia de melhorar continuamente e de avançar cada vez mais. Hoje, todos os nossos jovens embarcam de avião, todos uniformizados, todo mundo bem treinado. Todo esse avanço faz com que tenhamos uma melhor representação na competição. Boa sorte a todos os nossos atletas”, conclui o secretário Jefferson Neves.  

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As 27 Unidades Federativas do Brasil estarão representadas no evento, que, muito além da competição, garante intercâmbio esportivo e cultural. Com participação de atletas de cada gênero, em todas as modalidades, a competição nacional será seletiva para o campeonato sul-americano, a ser realizado no fim de 2022, aqui no Brasil. 

A segunda parte da delegação, composta por cerca de 150 estudantes, embarca para o Rio de Janeiro na próxima terça-feira (08.11). De 09 a 14 de novembro, ocorrem as disputas de atletismo, atletismo adaptado, badminton, ciclismo, ginástica rítmica, handebol, natação, voleibol e wrestiling (luta livre).

Toda a programação pode ser acompanhada, por meio de transmissão ao vivo, pelo canal de YouTube JogosEscolaresBrasileirosJEBs.

Fonte: GOV MT

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AGRO & NEGÓCIOS

Indígenas Parecis mostram que produzir também é preservar a dignidade

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Campo Novo do Parecis, em Mato Grosso, abriga uma experiência pioneira no Brasil: a produção agrícola conduzida por indígenas dentro de seu próprio território, de forma organizada, coletiva e com olhar voltado para o futuro.

Durante reunião com lideranças indígenas da região, os pré-candidatos Dra. Paula Boaventura, à Câmara Federal, e Antônio Galvan, ao Senado, ouviram relatos fortes sobre a realidade dos Haliti-Pareci, povo que há anos enfrenta burocracias, embargos, preconceitos e visões ultrapassadas sobre o que é ser indígena no Brasil atual.


fAdilson Muziwane/Paula Boaventura

A principal mensagem deixada pelas lideranças foi clara: o indígena de hoje não pode ser condenado a viver como se o Brasil ainda estivesse em 1500. A cultura permanece, a tradição permanece, a família permanece. Mas o mundo mudou. A alimentação mudou. A saúde exige melhores condições. A educação exige investimento. E a dignidade exige trabalho.
“Somos seres humanos, somos brasileiros e temos o direito de viver bem dentro do nosso território, através do nosso próprio trabalho”, resumiu uma das lideranças.

Os Pareci defendem uma política pública que reconheça a diversidade dos povos indígenas. Só em Mato Grosso, são dezenas de etnias, cada uma com sua história, seu tempo de contato, sua cultura e sua realidade. Por isso, segundo eles, não é possível que uma única visão ideológica, muitas vezes construída longe das aldeias, determine o futuro de todos.

A experiência agrícola dos Pareci mostra que é possível produzir, gerar renda, manter a cultura e melhorar a qualidade de vida. Arnaldo Zuni Zakaê relata que, antes da agricultura, muitas famílias dependiam quase exclusivamente de aposentadorias, cargos na saúde ou na educação. Hoje, a produção abriu novas oportunidades: trabalho nas lavouras, cooperativas, associações, operação de máquinas, gestão, pesquisa, tecnologia e distribuição de renda.

O resultado, segundo os relatos, aparece na vida real. A população aumentou, a alimentação melhorou, a mortalidade caiu e os jovens passaram a enxergar futuro dentro do próprio território. “Saúde não se faz só com remédio. Saúde se faz com alimentação”, afirmou Arnaldo.

Também chamou atenção a participação das mulheres indígenas. Sônia Aparecida Zoazo Kamaero, agricultora, formada em Direito e especialista na área ambiental, explicou que a produção não rompeu com a cultura familiar, mas se adequou a ela. Segundo ela, na tradição Pareci, a mulher sempre teve papel fundamental na colheita, na formação da família e na transmissão de valores. Hoje, além disso, participa das decisões técnicas e econômicas.


“O homem é o guarda-chuva, a mulher é o pilar. Um não anda sem o outro”, afirmou Sônia.
O que os Pareci pedem não é privilégio. É segurança jurídica. É o direito de planejar a longo prazo. É poder acessar crédito, licenciamento, tecnologia e comercialização sem viver sob ameaça permanente de que uma mudança política ou uma interpretação burocrática paralise tudo.

Antônio Galvan, ex-presidente da Aprosoja MT e da Aprosoja Brasil, defendeu que os indígenas tenham direito real ao uso produtivo de parte de seus territórios, sempre com responsabilidade. Para ele, a experiência Pareci prova que o trabalho melhora a vida nas aldeias e pode servir de exemplo para outras etnias que desejam produzir.

Dra. Paula Boaventura também reforçou compromisso com a regulamentação, com a segurança jurídica e com políticas públicas que respeitem a autonomia indígena. De origem Bororo, ela destacou a importância da família, da tradição e do desenvolvimento como caminhos que podem andar juntos.

A reflexão que fica é simples: não se combate pobreza mantendo povos inteiros dependentes de assistencialismo. Também não se preserva cultura impedindo que indígenas estudem, produzam, empreendam e decidam seu próprio futuro.
O povo Pareci mostra que tradição e modernidade não são inimigas. O indígena pode preservar sua língua, seus rituais, seus pajés, sua família, suas mulheres, seus jovens e, ao mesmo tempo, plantar, colher, comercializar, estudar, usar tecnologia e melhorar de vida.
O Brasil precisa abandonar a visão romântica e atrasada de que o indígena só é indígena se estiver isolado da modernidade. Ser indígena é pertencer a um povo, a uma história e a uma cultura. Mas também é ser cidadão brasileiro, com direito à dignidade, ao trabalho, à renda e à liberdade de escolher o próprio caminho.
Campo Novo do Parecis talvez esteja mostrando ao país uma das discussões mais importantes do nosso tempo: o futuro indígena não deve ser imposto por gabinetes, ONGs ou ideologias. Deve ser construído ouvindo quem vive na aldeia, quem planta, quem colhe, quem cria os filhos e quem sabe, na prática, o que significa lutar por dignidade dentro do próprio território.
Os Pareci foram pioneiros. Agora, o desafio político é transformar essa experiência em política pública séria, segura e respeitosa, para que outras etnias que desejem seguir esse caminho também possam ter oportunidade de produzir, prosperar e viver melhor.

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por Luiz Henrique Menezes

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