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Governo firma convênio para construção de 1,4 mil casas em Sinop: “um dos investimentos mais importantes para o município”, afirma prefeito

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“Só tenho a agradecer ao Governo pelos investimentos feitos em Sinop nos últimos anos. Um dos mais importantes, que aconteceu, foi a assinatura do convênio para construção das casas populares. É muito importante para Sinop, pois vai diminuir muito o déficit de moradia que temos. Os municípios sozinhos não têm condições de fazer tudo e o governador tem essa vontade de trabalhar e fazer pelos municípios”.

A afirmação é do prefeito de Sinop, Roberto Dorner, durante assinatura de convênio, no valor de R$ 22 milhões, para a construção de 1.468 casas populares no município. O ato ocorreu durante a visita do governador Mauro Mendes a Sorriso (distante 394 km Cuiabá), nesta quinta-feira (30.06). Outros 14 municípios receberam investimentos por meio de convênios com o governo.

No total, a cidade recebeu investimentos no montante de R$ 96,1 milhões. Além das casas, o Governo de Mato Grosso irá investir em asfalto novo para o Distrito Industrial Norte e Avenida Ayrton Senna, além da manutenção de outras ruas, reforma do 3º Comando Regional e Força Tática e Coordenadoria Regional da Politec.

Durante o evento, o governador também autorizou a licitação que irá levar 36 km de asfalto novo para a MT-329, com investimento de R$ 39,6 milhões.

“Essas obras de infraestrutura melhoram muito a logística, a qualidade de vida e estão acontecendo nos 141 municípios. Estou feliz, porque isso é resultado de um trabalho do Estado. Eu não faço sozinho, só represento a maioria, cuido do dinheiro da maioria, ou seja, arrecadamos e aplicamos os recursos corretamente, com honestidade e em todas as regiões”, completou.

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No final de maio, o governador já havia autorizado mais de R$ 77 milhões para obras de asfalto novo em 8,1 km da agroestrada Ângela e em 8,5 km das agroestradas Adalgisa e Silvana, sendo R$ 6 milhões do Estado e R$ 6 milhões da Prefeitura; asfalto novo e ciclovia em 21 km da estrada Nanci, no valor de R$ 30 milhões do Estado (sendo R$ 12 milhões via indicação do senador Carlos Fávaro e dos deputados federais Juarez Costa e Neri Geller) e R$ 3,7 milhões da Prefeitura.

Confira os convênios firmados pelo Estado com o município nesta quinta (30):

– Autorização para licitar 36 km de asfalto novo na MT-329 – R$ 39.665.757,85

– Convênio para asfalto novo de ruas do Distrito Industrial Norte (parceria senador Wellington Fagundes) – R$ 854.547,84 (vai assinar)

– Convênio para asfalto novo e drenagem da Avenida Ayrton Senna (parceria com deputado federal Juarez Costa) – R$ 1.652.475,19

– Convênio para manutenção de asfalto em ruas – R$ 18.700.094,60

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– Convênio para construção de 1.468 casas populares – R$ 22.020.000,00

– Convênio para construção da Coordenadoria Regional da Politec – R$ 7.357.881,04

– Convênio para reforma e ampliação da sede do 3º Comando Regional e Força Tática – R$ 5.909.979,67

Mais investimentos – Em três anos, Sinop recebeu mais de R$ 240 milhões em investimentos. Entre os principais, se destaca o Centro de Atendimento Socioeducativo, que vai aumentar em três vezes a quantidade de vagas para internação de adolescentes em conflito com a lei, em relação à atual unidade. As obras estão avaliadas em R$ 13,6 milhões.

O Governo de Mato Grosso também investe na educação local, com a construção de duas novas escolas estaduais. Na área de infraestrutura, a Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra/MT) construiu uma ponte de 180 metros de extensão sobre o Rio Verde, na MT-222.

Já na área da saúde, o destaque d fica para o Hospital Regional de Sinop. A unidade de saúde recebeu mais de 1,3 mil equipamentos e mobiliários hospitalares, e passa por reparos e modernizações da nova Unidade de Terapia Intensiva (UTI), pediátrica, centro cirúrgico, além de outras adequações.

Fonte: GOV MT

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AGRO & NEGÓCIOS

Indígenas Parecis mostram que produzir também é preservar a dignidade

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Campo Novo do Parecis, em Mato Grosso, abriga uma experiência pioneira no Brasil: a produção agrícola conduzida por indígenas dentro de seu próprio território, de forma organizada, coletiva e com olhar voltado para o futuro.

Durante reunião com lideranças indígenas da região, os pré-candidatos Dra. Paula Boaventura, à Câmara Federal, e Antônio Galvan, ao Senado, ouviram relatos fortes sobre a realidade dos Haliti-Pareci, povo que há anos enfrenta burocracias, embargos, preconceitos e visões ultrapassadas sobre o que é ser indígena no Brasil atual.


fAdilson Muziwane/Paula Boaventura

A principal mensagem deixada pelas lideranças foi clara: o indígena de hoje não pode ser condenado a viver como se o Brasil ainda estivesse em 1500. A cultura permanece, a tradição permanece, a família permanece. Mas o mundo mudou. A alimentação mudou. A saúde exige melhores condições. A educação exige investimento. E a dignidade exige trabalho.
“Somos seres humanos, somos brasileiros e temos o direito de viver bem dentro do nosso território, através do nosso próprio trabalho”, resumiu uma das lideranças.

Os Pareci defendem uma política pública que reconheça a diversidade dos povos indígenas. Só em Mato Grosso, são dezenas de etnias, cada uma com sua história, seu tempo de contato, sua cultura e sua realidade. Por isso, segundo eles, não é possível que uma única visão ideológica, muitas vezes construída longe das aldeias, determine o futuro de todos.

A experiência agrícola dos Pareci mostra que é possível produzir, gerar renda, manter a cultura e melhorar a qualidade de vida. Arnaldo Zuni Zakaê relata que, antes da agricultura, muitas famílias dependiam quase exclusivamente de aposentadorias, cargos na saúde ou na educação. Hoje, a produção abriu novas oportunidades: trabalho nas lavouras, cooperativas, associações, operação de máquinas, gestão, pesquisa, tecnologia e distribuição de renda.

O resultado, segundo os relatos, aparece na vida real. A população aumentou, a alimentação melhorou, a mortalidade caiu e os jovens passaram a enxergar futuro dentro do próprio território. “Saúde não se faz só com remédio. Saúde se faz com alimentação”, afirmou Arnaldo.

Também chamou atenção a participação das mulheres indígenas. Sônia Aparecida Zoazo Kamaero, agricultora, formada em Direito e especialista na área ambiental, explicou que a produção não rompeu com a cultura familiar, mas se adequou a ela. Segundo ela, na tradição Pareci, a mulher sempre teve papel fundamental na colheita, na formação da família e na transmissão de valores. Hoje, além disso, participa das decisões técnicas e econômicas.


“O homem é o guarda-chuva, a mulher é o pilar. Um não anda sem o outro”, afirmou Sônia.
O que os Pareci pedem não é privilégio. É segurança jurídica. É o direito de planejar a longo prazo. É poder acessar crédito, licenciamento, tecnologia e comercialização sem viver sob ameaça permanente de que uma mudança política ou uma interpretação burocrática paralise tudo.

Antônio Galvan, ex-presidente da Aprosoja MT e da Aprosoja Brasil, defendeu que os indígenas tenham direito real ao uso produtivo de parte de seus territórios, sempre com responsabilidade. Para ele, a experiência Pareci prova que o trabalho melhora a vida nas aldeias e pode servir de exemplo para outras etnias que desejam produzir.

Dra. Paula Boaventura também reforçou compromisso com a regulamentação, com a segurança jurídica e com políticas públicas que respeitem a autonomia indígena. De origem Bororo, ela destacou a importância da família, da tradição e do desenvolvimento como caminhos que podem andar juntos.

A reflexão que fica é simples: não se combate pobreza mantendo povos inteiros dependentes de assistencialismo. Também não se preserva cultura impedindo que indígenas estudem, produzam, empreendam e decidam seu próprio futuro.
O povo Pareci mostra que tradição e modernidade não são inimigas. O indígena pode preservar sua língua, seus rituais, seus pajés, sua família, suas mulheres, seus jovens e, ao mesmo tempo, plantar, colher, comercializar, estudar, usar tecnologia e melhorar de vida.
O Brasil precisa abandonar a visão romântica e atrasada de que o indígena só é indígena se estiver isolado da modernidade. Ser indígena é pertencer a um povo, a uma história e a uma cultura. Mas também é ser cidadão brasileiro, com direito à dignidade, ao trabalho, à renda e à liberdade de escolher o próprio caminho.
Campo Novo do Parecis talvez esteja mostrando ao país uma das discussões mais importantes do nosso tempo: o futuro indígena não deve ser imposto por gabinetes, ONGs ou ideologias. Deve ser construído ouvindo quem vive na aldeia, quem planta, quem colhe, quem cria os filhos e quem sabe, na prática, o que significa lutar por dignidade dentro do próprio território.
Os Pareci foram pioneiros. Agora, o desafio político é transformar essa experiência em política pública séria, segura e respeitosa, para que outras etnias que desejem seguir esse caminho também possam ter oportunidade de produzir, prosperar e viver melhor.

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por Luiz Henrique Menezes

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