MATO GROSSO
Governo de MT leva desenvolvimento para Sorriso com mais de R$ 270 milhões em investimentos
Publicado em
30 de junho de 2022por
Da RedaçãoO Governo de Mato Grosso tem levado cada vez mais desenvolvimento ao município de Sorriso (distante 394 km de Cuiabá), com mais de R$ 270 milhões em investimentos. Somente para infraestrutura são mais de R$ 172 milhões, destacando R$ 19,9 milhões para as obras de 34,4 km de asfalto novo na MT-485, na divisa entre Sorriso e Santa Rita Trivelato.

Também se destacam duas pontes sobre os Rio Verde, já entregue, e sobre o Rio Teles Pires na MT-490, em construção. As duas pontes somam R$ 15,7 milhões.
Outras quatro obras já tiveram seus recursos repassados para a Prefeitura Municipal, que fica responsável pela execução. São obras, com investimentos de R$ 18,3 milhões, para a adequação, ampliação e modernização do aeroporto de Sorriso, asfalto novo e iluminação do Residencial Mário Raiter e asfalto novo para alguns bairros.
O Governo de Mato Grosso também investe em mais de 117 km de asfalto novo nas MT-560/010, 490/242 e 485, entre as fazendas Ingaí e Bedin, além da manutenção da MT-443. Estas obras ainda não foram iniciadas e somam mais de R$ 112 milhões.
O município ainda irá receber R$ 31,5 milhões em investimentos para asfalto novo, por meio de convênios a serem assinados pelo governador Mauro Mendes nesta quinta-feira (30). Deste montante, R$ 19,7 milhões são para a Estrada Linha Norte, R$ 10,2 milhões para a estrada travessa da comunidade Morocó e R$ 1,6 milhão para a Avenida Jaime Barrichello.
Máquinas e equipamentos
A Sinfra e a Secretaria de Estado de Agricultura Familiar (Seaf) entregaram R$ 2,8 milhões em equipamentos. Foram entregues duas motoniveladoras, dois rolos compactadores, uma escavadeira, duas pickups, dois tanques resfriadores, 3 mil mudas de bananas, 650 toneladas de calcário, um trator, uma carreta, uma grade aradora e dois resfriadores de leite.
Saúde
A Secretaria de Estado de Saúde investiu R$ 21,2 milhões em ações e obras referentes ao Hospital Regional de Sorriso. Houve reformas, implantação de novos leitos, compra de equipamentos e móveis, além da entrega de ambulâncias. A unidade de saúde ainda passa por algumas reformas, como na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) neonatal, adulto e enfermaria de clínica cirúrgica.

Educação
O setor de educação também recebeu atenção do Governo de Mato Grosso nos últimos três anos, com R$ 21,3 milhões em investimentos. A Secretaria de Estado de Educação (Seduc) investe R$ 9,2 milhões na reforma das escolas estaduais 13 de Maio, Arlete Maria Capellari, José Domingos Fraga e Mário Spinelli.
Outras duas escolas estão sendo construídas – nos residenciais Mário Raiter e Portal Kaiabi – com 16 salas de aula cada e obras de responsabilidade da Prefeitura Municipal. As unidades somam R$ 10,6 milhões.
O Governo de Mato Grosso também investiu R$ 1,4 milhão na compra de notebooks, pagamento de internet para professores e entrega de móveis e equipamentos. Outros R$ 124,9 mil foram para manutenção nas escolas estaduais 13 de Maio, Cabo Antônio Dilceu da Silva Amaral e Ignácio Schevinski Filho.
Social
Na área social, a Secretaria de Estado de Assistência Social e Cidadania (Setasc) destinou R$ 1 milhão para Sorriso. O valor foi revertido em transferência de renda para 421 famílias e entrega de 2,6 mil cestas básicas, 1,9 mil cobertores e 72 filtros de barro para a população em estado de vulnerabilidade social.
Mais investimentos
Entre outros investimentos feitos pelo Governo de Mato Grosso, estão R$ 735,9 mil para cultura e esporte, R$ 638,9 mil para a compra de uma viatura auto tanque para o Corpo de Bombeiros, R$ 518 mil em empréstimos para o comércio e duas pickups para fiscalização do Instituto de Defesa Agropecuária do Estado de Mato Grosso (Indea/MT).
Fonte: GOV MT
AGRO & NEGÓCIOS
Indígenas Parecis mostram que produzir também é preservar a dignidade
Published
1 dia atráson
11 de junho de 2026By
Da Redação
Campo Novo do Parecis, em Mato Grosso, abriga uma experiência pioneira no Brasil: a produção agrícola conduzida por indígenas dentro de seu próprio território, de forma organizada, coletiva e com olhar voltado para o futuro.

Durante reunião com lideranças indígenas da região, os pré-candidatos Dra. Paula Boaventura, à Câmara Federal, e Antônio Galvan, ao Senado, ouviram relatos fortes sobre a realidade dos Haliti-Pareci, povo que há anos enfrenta burocracias, embargos, preconceitos e visões ultrapassadas sobre o que é ser indígena no Brasil atual.

fAdilson Muziwane/Paula Boaventura
A principal mensagem deixada pelas lideranças foi clara: o indígena de hoje não pode ser condenado a viver como se o Brasil ainda estivesse em 1500. A cultura permanece, a tradição permanece, a família permanece. Mas o mundo mudou. A alimentação mudou. A saúde exige melhores condições. A educação exige investimento. E a dignidade exige trabalho.
“Somos seres humanos, somos brasileiros e temos o direito de viver bem dentro do nosso território, através do nosso próprio trabalho”, resumiu uma das lideranças.

Os Pareci defendem uma política pública que reconheça a diversidade dos povos indígenas. Só em Mato Grosso, são dezenas de etnias, cada uma com sua história, seu tempo de contato, sua cultura e sua realidade. Por isso, segundo eles, não é possível que uma única visão ideológica, muitas vezes construída longe das aldeias, determine o futuro de todos.

A experiência agrícola dos Pareci mostra que é possível produzir, gerar renda, manter a cultura e melhorar a qualidade de vida. Arnaldo Zuni Zakaê relata que, antes da agricultura, muitas famílias dependiam quase exclusivamente de aposentadorias, cargos na saúde ou na educação. Hoje, a produção abriu novas oportunidades: trabalho nas lavouras, cooperativas, associações, operação de máquinas, gestão, pesquisa, tecnologia e distribuição de renda.
O resultado, segundo os relatos, aparece na vida real. A população aumentou, a alimentação melhorou, a mortalidade caiu e os jovens passaram a enxergar futuro dentro do próprio território. “Saúde não se faz só com remédio. Saúde se faz com alimentação”, afirmou Arnaldo.

Também chamou atenção a participação das mulheres indígenas. Sônia Aparecida Zoazo Kamaero, agricultora, formada em Direito e especialista na área ambiental, explicou que a produção não rompeu com a cultura familiar, mas se adequou a ela. Segundo ela, na tradição Pareci, a mulher sempre teve papel fundamental na colheita, na formação da família e na transmissão de valores. Hoje, além disso, participa das decisões técnicas e econômicas.

“O homem é o guarda-chuva, a mulher é o pilar. Um não anda sem o outro”, afirmou Sônia.
O que os Pareci pedem não é privilégio. É segurança jurídica. É o direito de planejar a longo prazo. É poder acessar crédito, licenciamento, tecnologia e comercialização sem viver sob ameaça permanente de que uma mudança política ou uma interpretação burocrática paralise tudo.

Antônio Galvan, ex-presidente da Aprosoja MT e da Aprosoja Brasil, defendeu que os indígenas tenham direito real ao uso produtivo de parte de seus territórios, sempre com responsabilidade. Para ele, a experiência Pareci prova que o trabalho melhora a vida nas aldeias e pode servir de exemplo para outras etnias que desejam produzir.

Dra. Paula Boaventura também reforçou compromisso com a regulamentação, com a segurança jurídica e com políticas públicas que respeitem a autonomia indígena. De origem Bororo, ela destacou a importância da família, da tradição e do desenvolvimento como caminhos que podem andar juntos.
A reflexão que fica é simples: não se combate pobreza mantendo povos inteiros dependentes de assistencialismo. Também não se preserva cultura impedindo que indígenas estudem, produzam, empreendam e decidam seu próprio futuro.
O povo Pareci mostra que tradição e modernidade não são inimigas. O indígena pode preservar sua língua, seus rituais, seus pajés, sua família, suas mulheres, seus jovens e, ao mesmo tempo, plantar, colher, comercializar, estudar, usar tecnologia e melhorar de vida.
O Brasil precisa abandonar a visão romântica e atrasada de que o indígena só é indígena se estiver isolado da modernidade. Ser indígena é pertencer a um povo, a uma história e a uma cultura. Mas também é ser cidadão brasileiro, com direito à dignidade, ao trabalho, à renda e à liberdade de escolher o próprio caminho.
Campo Novo do Parecis talvez esteja mostrando ao país uma das discussões mais importantes do nosso tempo: o futuro indígena não deve ser imposto por gabinetes, ONGs ou ideologias. Deve ser construído ouvindo quem vive na aldeia, quem planta, quem colhe, quem cria os filhos e quem sabe, na prática, o que significa lutar por dignidade dentro do próprio território.
Os Pareci foram pioneiros. Agora, o desafio político é transformar essa experiência em política pública séria, segura e respeitosa, para que outras etnias que desejem seguir esse caminho também possam ter oportunidade de produzir, prosperar e viver melhor.
por Luiz Henrique Menezes
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