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Governo de MT leva desenvolvimento para Sorriso com mais de R$ 270 milhões em investimentos

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O Governo de Mato Grosso tem levado cada vez mais desenvolvimento ao município de Sorriso (distante 394 km de Cuiabá), com mais de R$ 270 milhões em investimentos. Somente para infraestrutura são mais de R$ 172 milhões, destacando R$ 19,9 milhões para as obras de 34,4 km de asfalto novo na MT-485, na divisa entre Sorriso e Santa Rita Trivelato.

Também se destacam duas pontes sobre os Rio Verde, já entregue, e sobre o Rio Teles Pires na MT-490, em construção. As duas pontes somam R$ 15,7 milhões.

Outras quatro obras já tiveram seus recursos repassados para a Prefeitura Municipal, que fica responsável pela execução. São obras, com investimentos de R$ 18,3 milhões, para a adequação, ampliação e modernização do aeroporto de Sorriso, asfalto novo e iluminação do Residencial Mário Raiter e asfalto novo para alguns bairros.

O Governo de Mato Grosso também investe em mais de 117 km de asfalto novo nas MT-560/010, 490/242 e 485, entre as fazendas Ingaí e Bedin, além da manutenção da MT-443. Estas obras ainda não foram iniciadas e somam mais de R$ 112 milhões.

O município ainda irá receber R$ 31,5 milhões em investimentos para asfalto novo, por meio de convênios a serem assinados pelo governador Mauro Mendes nesta quinta-feira (30). Deste montante, R$ 19,7 milhões são para a Estrada Linha Norte, R$ 10,2 milhões para a estrada travessa da comunidade Morocó e R$ 1,6 milhão para a Avenida Jaime Barrichello.

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Máquinas e equipamentos

A Sinfra e a Secretaria de Estado de Agricultura Familiar (Seaf) entregaram R$ 2,8 milhões em equipamentos. Foram entregues duas motoniveladoras, dois rolos compactadores, uma escavadeira, duas pickups, dois tanques resfriadores, 3 mil mudas de bananas, 650 toneladas de calcário, um trator, uma carreta, uma grade aradora e dois resfriadores de leite.

Saúde

A Secretaria de Estado de Saúde investiu R$ 21,2 milhões em ações e obras referentes ao Hospital Regional de Sorriso. Houve reformas, implantação de novos leitos, compra de equipamentos e móveis, além da entrega de ambulâncias. A unidade de saúde ainda passa por algumas reformas, como na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) neonatal, adulto e enfermaria de clínica cirúrgica.

Educação

O setor de educação também recebeu atenção do Governo de Mato Grosso nos últimos três anos, com R$ 21,3 milhões em investimentos. A Secretaria de Estado de Educação (Seduc) investe R$ 9,2 milhões na reforma das escolas estaduais 13 de Maio, Arlete Maria Capellari, José Domingos Fraga e Mário Spinelli.

Outras duas escolas estão sendo construídas – nos residenciais Mário Raiter e Portal Kaiabi – com 16 salas de aula cada e obras de responsabilidade da Prefeitura Municipal. As unidades somam R$ 10,6 milhões.

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O Governo de Mato Grosso também investiu R$ 1,4 milhão na compra de notebooks, pagamento de internet para professores e entrega de móveis e equipamentos. Outros R$ 124,9 mil foram para manutenção nas escolas estaduais 13 de Maio, Cabo Antônio Dilceu da Silva Amaral e Ignácio Schevinski Filho.

Social

Na área social, a Secretaria de Estado de Assistência Social e Cidadania (Setasc) destinou R$ 1 milhão para Sorriso. O valor foi revertido em transferência de renda para 421 famílias e entrega de 2,6 mil cestas básicas, 1,9 mil cobertores e 72 filtros de barro para a população em estado de vulnerabilidade social.

Mais investimentos

Entre outros investimentos feitos pelo Governo de Mato Grosso, estão R$ 735,9 mil para cultura e esporte, R$ 638,9 mil para a compra de uma viatura auto tanque para o Corpo de Bombeiros, R$ 518 mil em empréstimos para o comércio e duas pickups para fiscalização do Instituto de Defesa Agropecuária do Estado de Mato Grosso (Indea/MT).

Fonte: GOV MT

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AGRO & NEGÓCIOS

Indígenas Parecis mostram que produzir também é preservar a dignidade

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Campo Novo do Parecis, em Mato Grosso, abriga uma experiência pioneira no Brasil: a produção agrícola conduzida por indígenas dentro de seu próprio território, de forma organizada, coletiva e com olhar voltado para o futuro.

Durante reunião com lideranças indígenas da região, os pré-candidatos Dra. Paula Boaventura, à Câmara Federal, e Antônio Galvan, ao Senado, ouviram relatos fortes sobre a realidade dos Haliti-Pareci, povo que há anos enfrenta burocracias, embargos, preconceitos e visões ultrapassadas sobre o que é ser indígena no Brasil atual.


fAdilson Muziwane/Paula Boaventura

A principal mensagem deixada pelas lideranças foi clara: o indígena de hoje não pode ser condenado a viver como se o Brasil ainda estivesse em 1500. A cultura permanece, a tradição permanece, a família permanece. Mas o mundo mudou. A alimentação mudou. A saúde exige melhores condições. A educação exige investimento. E a dignidade exige trabalho.
“Somos seres humanos, somos brasileiros e temos o direito de viver bem dentro do nosso território, através do nosso próprio trabalho”, resumiu uma das lideranças.

Os Pareci defendem uma política pública que reconheça a diversidade dos povos indígenas. Só em Mato Grosso, são dezenas de etnias, cada uma com sua história, seu tempo de contato, sua cultura e sua realidade. Por isso, segundo eles, não é possível que uma única visão ideológica, muitas vezes construída longe das aldeias, determine o futuro de todos.

A experiência agrícola dos Pareci mostra que é possível produzir, gerar renda, manter a cultura e melhorar a qualidade de vida. Arnaldo Zuni Zakaê relata que, antes da agricultura, muitas famílias dependiam quase exclusivamente de aposentadorias, cargos na saúde ou na educação. Hoje, a produção abriu novas oportunidades: trabalho nas lavouras, cooperativas, associações, operação de máquinas, gestão, pesquisa, tecnologia e distribuição de renda.

O resultado, segundo os relatos, aparece na vida real. A população aumentou, a alimentação melhorou, a mortalidade caiu e os jovens passaram a enxergar futuro dentro do próprio território. “Saúde não se faz só com remédio. Saúde se faz com alimentação”, afirmou Arnaldo.

Também chamou atenção a participação das mulheres indígenas. Sônia Aparecida Zoazo Kamaero, agricultora, formada em Direito e especialista na área ambiental, explicou que a produção não rompeu com a cultura familiar, mas se adequou a ela. Segundo ela, na tradição Pareci, a mulher sempre teve papel fundamental na colheita, na formação da família e na transmissão de valores. Hoje, além disso, participa das decisões técnicas e econômicas.


“O homem é o guarda-chuva, a mulher é o pilar. Um não anda sem o outro”, afirmou Sônia.
O que os Pareci pedem não é privilégio. É segurança jurídica. É o direito de planejar a longo prazo. É poder acessar crédito, licenciamento, tecnologia e comercialização sem viver sob ameaça permanente de que uma mudança política ou uma interpretação burocrática paralise tudo.

Antônio Galvan, ex-presidente da Aprosoja MT e da Aprosoja Brasil, defendeu que os indígenas tenham direito real ao uso produtivo de parte de seus territórios, sempre com responsabilidade. Para ele, a experiência Pareci prova que o trabalho melhora a vida nas aldeias e pode servir de exemplo para outras etnias que desejam produzir.

Dra. Paula Boaventura também reforçou compromisso com a regulamentação, com a segurança jurídica e com políticas públicas que respeitem a autonomia indígena. De origem Bororo, ela destacou a importância da família, da tradição e do desenvolvimento como caminhos que podem andar juntos.

A reflexão que fica é simples: não se combate pobreza mantendo povos inteiros dependentes de assistencialismo. Também não se preserva cultura impedindo que indígenas estudem, produzam, empreendam e decidam seu próprio futuro.
O povo Pareci mostra que tradição e modernidade não são inimigas. O indígena pode preservar sua língua, seus rituais, seus pajés, sua família, suas mulheres, seus jovens e, ao mesmo tempo, plantar, colher, comercializar, estudar, usar tecnologia e melhorar de vida.
O Brasil precisa abandonar a visão romântica e atrasada de que o indígena só é indígena se estiver isolado da modernidade. Ser indígena é pertencer a um povo, a uma história e a uma cultura. Mas também é ser cidadão brasileiro, com direito à dignidade, ao trabalho, à renda e à liberdade de escolher o próprio caminho.
Campo Novo do Parecis talvez esteja mostrando ao país uma das discussões mais importantes do nosso tempo: o futuro indígena não deve ser imposto por gabinetes, ONGs ou ideologias. Deve ser construído ouvindo quem vive na aldeia, quem planta, quem colhe, quem cria os filhos e quem sabe, na prática, o que significa lutar por dignidade dentro do próprio território.
Os Pareci foram pioneiros. Agora, o desafio político é transformar essa experiência em política pública séria, segura e respeitosa, para que outras etnias que desejem seguir esse caminho também possam ter oportunidade de produzir, prosperar e viver melhor.

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por Luiz Henrique Menezes

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