ONG
Projeto IntegrAção, da ONG Visão Mundial, oferece cursos de português, empreendedorismo e atendimento ao cliente para participantes em Lucas do Rio Verde
Publicado em
24 de janeiro de 2024por
Da Redação
Há cerca de 1,5 milhão de migrantes no Brasil, sendo que cerca de 650 mil são refugiados ou solicitantes de refúgio, entretanto, ações de inclusão são realizadas diariamente, um exemplo disso é o Projeto IntegrAção, que visa promover a integração social e a autonomia de migrantes e refugiados por meio de cursos de português e profissionalizantes. Dessa vez a iniciativa está sendo realizada em Lucas do Rio Verde (MT), com objetivo de formar cinco turmas de português e sete de cursos profissionalizantes, totalizando mais de 200 beneficiários. No ano passado, mais de 30 pessoas foram impactadas, entre formados e participantes de oficinas informativas
O Projeto IntegrAção é realizado pela Visão Mundial, organização humanitária que atua no Brasil há mais de 40 anos, em parceria com o Instituto BRF, financiador da iniciativa. Além disso, conta com a colaboração das redes de assistência social da cidade e de instituições de ensino, como a Escola Militar Tiradentes e a Escola Cecília Meireles, que cedem o espaço para a realização dos cursos.
“Muitos migrantes chegam ao Brasil sem conhecimento do idioma, da legislação nacional sobre direitos, acesso a serviços e documentação. Por isso, o Projeto IntegrAção busca proporcionar, além de cursos de português, capacitações profissionalizantes e espaços de orientação profissional sobre revalidação de diplomas e palestras sobre direitos e deveres no país”, explica Amanda Cegatti, coordenadora de Projetos da Visão Mundial.
Em novembro do ano passado, a iniciativa formou sua primeira turma de português, com 21 concluintes. Agora, mais cinco turmas foram iniciadas, sendo três de português, uma de empreendedorismo e uma de atendimento ao cliente. Com essas turmas, estima-se atender mais de 100 beneficiários. As aulas de português tiveram início no dia 20 de janeiro, sábado, às 13h30, na Escola Militar Tiradentes. Já o curso de empreendedorismo no dia 22 de janeiro, às 18h30, na Escola Cecília Meireles, e o curso de atendimento ao cliente, 23 de janeiro, às 18h30, também na Escola Tiradentes.
Além das atividades educacionais, o Projeto IntegrAção planeja realizar ações informativas sobre a temática migratória, tanto para servidores públicos das redes de assistência social, quanto para os próprios migrantes, buscando fornecer informações importantes sobre direitos e deveres no Brasil. No dia 23 de janeiro, à tarde, será realizado um treinamento sobre documentação e regularização migratória para os servidores do Centro de Assistência Social (CRAS) da cidade, no espaço do próprio Centro.
“Ter um projeto tão importante como a IntegrAção em Lucas do Rio Verde é motivo de muito orgulho. Acreditamos que a educação é uma ferramenta poderosa para a transformação social. Estamos comprometidos em apoiar iniciativas que promovam a igualdade de oportunidades e a valorização da diversidade”, conclui Cegatti.
As inscrições para as próximas turmas abrem no início de fevereiro e podem ser feitas entrando em contato pelo número (65) 9971-1493.
Sobre a Visão Mundial
A Visão Mundial é uma organização humanitária que atua no Brasil há mais de 40 anos. Presente em mais de 90 países, a organização trabalha para promover o desenvolvimento sustentável das comunidades, com foco na proteção e garantia dos direitos das crianças e adolescentes. A Visão Mundial atua em parceria com famílias, comunidades, governos e outras organizações para criar um ambiente seguro e saudável para que as crianças possam crescer, aprender e se desenvolver. Saiba mais em www.visaomundial.org.br.
AGRO & NEGÓCIOS
Indígenas Parecis mostram que produzir também é preservar a dignidade
Published
1 dia atráson
11 de junho de 2026By
Da Redação
Campo Novo do Parecis, em Mato Grosso, abriga uma experiência pioneira no Brasil: a produção agrícola conduzida por indígenas dentro de seu próprio território, de forma organizada, coletiva e com olhar voltado para o futuro.

Durante reunião com lideranças indígenas da região, os pré-candidatos Dra. Paula Boaventura, à Câmara Federal, e Antônio Galvan, ao Senado, ouviram relatos fortes sobre a realidade dos Haliti-Pareci, povo que há anos enfrenta burocracias, embargos, preconceitos e visões ultrapassadas sobre o que é ser indígena no Brasil atual.

fAdilson Muziwane/Paula Boaventura
A principal mensagem deixada pelas lideranças foi clara: o indígena de hoje não pode ser condenado a viver como se o Brasil ainda estivesse em 1500. A cultura permanece, a tradição permanece, a família permanece. Mas o mundo mudou. A alimentação mudou. A saúde exige melhores condições. A educação exige investimento. E a dignidade exige trabalho.
“Somos seres humanos, somos brasileiros e temos o direito de viver bem dentro do nosso território, através do nosso próprio trabalho”, resumiu uma das lideranças.

Os Pareci defendem uma política pública que reconheça a diversidade dos povos indígenas. Só em Mato Grosso, são dezenas de etnias, cada uma com sua história, seu tempo de contato, sua cultura e sua realidade. Por isso, segundo eles, não é possível que uma única visão ideológica, muitas vezes construída longe das aldeias, determine o futuro de todos.

A experiência agrícola dos Pareci mostra que é possível produzir, gerar renda, manter a cultura e melhorar a qualidade de vida. Arnaldo Zuni Zakaê relata que, antes da agricultura, muitas famílias dependiam quase exclusivamente de aposentadorias, cargos na saúde ou na educação. Hoje, a produção abriu novas oportunidades: trabalho nas lavouras, cooperativas, associações, operação de máquinas, gestão, pesquisa, tecnologia e distribuição de renda.
O resultado, segundo os relatos, aparece na vida real. A população aumentou, a alimentação melhorou, a mortalidade caiu e os jovens passaram a enxergar futuro dentro do próprio território. “Saúde não se faz só com remédio. Saúde se faz com alimentação”, afirmou Arnaldo.

Também chamou atenção a participação das mulheres indígenas. Sônia Aparecida Zoazo Kamaero, agricultora, formada em Direito e especialista na área ambiental, explicou que a produção não rompeu com a cultura familiar, mas se adequou a ela. Segundo ela, na tradição Pareci, a mulher sempre teve papel fundamental na colheita, na formação da família e na transmissão de valores. Hoje, além disso, participa das decisões técnicas e econômicas.

“O homem é o guarda-chuva, a mulher é o pilar. Um não anda sem o outro”, afirmou Sônia.
O que os Pareci pedem não é privilégio. É segurança jurídica. É o direito de planejar a longo prazo. É poder acessar crédito, licenciamento, tecnologia e comercialização sem viver sob ameaça permanente de que uma mudança política ou uma interpretação burocrática paralise tudo.

Antônio Galvan, ex-presidente da Aprosoja MT e da Aprosoja Brasil, defendeu que os indígenas tenham direito real ao uso produtivo de parte de seus territórios, sempre com responsabilidade. Para ele, a experiência Pareci prova que o trabalho melhora a vida nas aldeias e pode servir de exemplo para outras etnias que desejam produzir.

Dra. Paula Boaventura também reforçou compromisso com a regulamentação, com a segurança jurídica e com políticas públicas que respeitem a autonomia indígena. De origem Bororo, ela destacou a importância da família, da tradição e do desenvolvimento como caminhos que podem andar juntos.
A reflexão que fica é simples: não se combate pobreza mantendo povos inteiros dependentes de assistencialismo. Também não se preserva cultura impedindo que indígenas estudem, produzam, empreendam e decidam seu próprio futuro.
O povo Pareci mostra que tradição e modernidade não são inimigas. O indígena pode preservar sua língua, seus rituais, seus pajés, sua família, suas mulheres, seus jovens e, ao mesmo tempo, plantar, colher, comercializar, estudar, usar tecnologia e melhorar de vida.
O Brasil precisa abandonar a visão romântica e atrasada de que o indígena só é indígena se estiver isolado da modernidade. Ser indígena é pertencer a um povo, a uma história e a uma cultura. Mas também é ser cidadão brasileiro, com direito à dignidade, ao trabalho, à renda e à liberdade de escolher o próprio caminho.
Campo Novo do Parecis talvez esteja mostrando ao país uma das discussões mais importantes do nosso tempo: o futuro indígena não deve ser imposto por gabinetes, ONGs ou ideologias. Deve ser construído ouvindo quem vive na aldeia, quem planta, quem colhe, quem cria os filhos e quem sabe, na prática, o que significa lutar por dignidade dentro do próprio território.
Os Pareci foram pioneiros. Agora, o desafio político é transformar essa experiência em política pública séria, segura e respeitosa, para que outras etnias que desejem seguir esse caminho também possam ter oportunidade de produzir, prosperar e viver melhor.
por Luiz Henrique Menezes
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