CUIABÁ

RIOS DE MATO GROSSO

CELEBRANDO O DIA MUNDIAL DO TURISMO: EXPLORANDO O TESOURO ECOLÓGICO DO MATO GROSSO

Publicado em

Por Renan Dantas

Há mais de três décadas, o mundo se une anualmente em 27 de setembro para celebrar o Dia Mundial do Turismo, uma data estabelecida pela Organização Mundial do Turismo (OMT) para ressaltar a importância econômica, social e cultural dessa atividade global. Hoje, mergulhamos no coração do Brasil, no estado do Mato Grosso, para explorar como o turismo ecológico transforma essa terra, destacando o tesouro natural do Pantanal e seus rios que cortam essa região.
A HISTÓRIA DO DIA MUNDIAL DO TURISMO
O Dia Mundial do Turismo foi concebido em 1980, marcando o aniversário de uma década da adoção do Estatuto da OMT, a agência especializada das Nações Unidas dedicada ao turismo. Esta data não é apenas uma comemoração, mas também uma oportunidade para refletir sobre como o turismo molda nosso mundo de maneiras diversas.
O PANTANAL: UM ECOSSISTEMA INCOMPARÁVEL
O Pantanal é uma das maiores planícies alagadas do mundo, situada principalmente no Mato Grosso, embora também se estenda para Mato Grosso do Sul e outros países da América do Sul. É uma verdadeira maravilha natural, repleta de biodiversidade e paisagens deslumbrantes.
O turismo ecológico no Pantanal oferece aos visitantes a oportunidade de explorar esse ecossistema único, lar de inúmeras espécies de aves, mamíferos e répteis. Os safáris fotográficos e passeios de barco pelos canais inundados são experiências que deixam uma impressão duradoura, destacando a importância da conservação desse tesouro natural.

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Além do Pantanal, os rios que cortam o Mato Grosso desempenham um papel fundamental no turismo ecológico da região. Rios como o Paraguai, Cuiabá e São Lourenço servem como vias de acesso a paisagens deslumbrantes e oportunidades únicas de observação da vida selvagem.
Passeios de barco ao longo desses rios permitem que os visitantes apreciem a diversidade da fauna e flora do Mato Grosso. Crocodilos, aves exóticas e até mesmo a icônica onça-pintada podem ser avistados durante essas aventuras aquáticas.
TURISMO ECOLÓGICO PANTANEIRO: PROMOVENDO A CONSERVAÇÃO
Além de proporcionar experiências memoráveis aos turistas, o turismo ecológico pantaneiro desempenha um papel crucial na conservação desse ecossistema único. Os operadores turísticos e as comunidades locais têm um interesse direto em proteger o meio ambiente, garantindo que as futuras gerações também possam apreciar a riqueza natural do Pantanal.
A IMPORTÂNCIA DE CELEBRAR E PRESERVAR
Enquanto celebramos o Dia Mundial do Turismo e exploramos o turismo ecológico no Mato Grosso, é importante lembrar que essa celebração não é apenas sobre destinos de viagem. É um lembrete da responsabilidade compartilhada de proteger essas paisagens naturais preciosas. O turismo ecológico não é apenas uma experiência incrível para os viajantes; é uma força para o bem que impulsiona a conservação e o desenvolvimento sustentável dessa região extraordinária.

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Hoje, ao celebrarmos o Dia Mundial do Turismo, lembramos que o turismo não é apenas sobre o que podemos ver e experimentar, mas também sobre o que podemos preservar para as gerações futuras. Vamos continuar a explorar e apreciar as maravilhas naturais do Mato Grosso, lembrando-nos sempre de nosso compromisso com a conservação e a sustentabilidade.
Fonte:
Organização Mundial do Turismo (OMT)

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AGRO & NEGÓCIOS

Indígenas Parecis mostram que produzir também é preservar a dignidade

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Campo Novo do Parecis, em Mato Grosso, abriga uma experiência pioneira no Brasil: a produção agrícola conduzida por indígenas dentro de seu próprio território, de forma organizada, coletiva e com olhar voltado para o futuro.

Durante reunião com lideranças indígenas da região, os pré-candidatos Dra. Paula Boaventura, à Câmara Federal, e Antônio Galvan, ao Senado, ouviram relatos fortes sobre a realidade dos Haliti-Pareci, povo que há anos enfrenta burocracias, embargos, preconceitos e visões ultrapassadas sobre o que é ser indígena no Brasil atual.


fAdilson Muziwane/Paula Boaventura

A principal mensagem deixada pelas lideranças foi clara: o indígena de hoje não pode ser condenado a viver como se o Brasil ainda estivesse em 1500. A cultura permanece, a tradição permanece, a família permanece. Mas o mundo mudou. A alimentação mudou. A saúde exige melhores condições. A educação exige investimento. E a dignidade exige trabalho.
“Somos seres humanos, somos brasileiros e temos o direito de viver bem dentro do nosso território, através do nosso próprio trabalho”, resumiu uma das lideranças.

Os Pareci defendem uma política pública que reconheça a diversidade dos povos indígenas. Só em Mato Grosso, são dezenas de etnias, cada uma com sua história, seu tempo de contato, sua cultura e sua realidade. Por isso, segundo eles, não é possível que uma única visão ideológica, muitas vezes construída longe das aldeias, determine o futuro de todos.

A experiência agrícola dos Pareci mostra que é possível produzir, gerar renda, manter a cultura e melhorar a qualidade de vida. Arnaldo Zuni Zakaê relata que, antes da agricultura, muitas famílias dependiam quase exclusivamente de aposentadorias, cargos na saúde ou na educação. Hoje, a produção abriu novas oportunidades: trabalho nas lavouras, cooperativas, associações, operação de máquinas, gestão, pesquisa, tecnologia e distribuição de renda.

O resultado, segundo os relatos, aparece na vida real. A população aumentou, a alimentação melhorou, a mortalidade caiu e os jovens passaram a enxergar futuro dentro do próprio território. “Saúde não se faz só com remédio. Saúde se faz com alimentação”, afirmou Arnaldo.

Também chamou atenção a participação das mulheres indígenas. Sônia Aparecida Zoazo Kamaero, agricultora, formada em Direito e especialista na área ambiental, explicou que a produção não rompeu com a cultura familiar, mas se adequou a ela. Segundo ela, na tradição Pareci, a mulher sempre teve papel fundamental na colheita, na formação da família e na transmissão de valores. Hoje, além disso, participa das decisões técnicas e econômicas.


“O homem é o guarda-chuva, a mulher é o pilar. Um não anda sem o outro”, afirmou Sônia.
O que os Pareci pedem não é privilégio. É segurança jurídica. É o direito de planejar a longo prazo. É poder acessar crédito, licenciamento, tecnologia e comercialização sem viver sob ameaça permanente de que uma mudança política ou uma interpretação burocrática paralise tudo.

Antônio Galvan, ex-presidente da Aprosoja MT e da Aprosoja Brasil, defendeu que os indígenas tenham direito real ao uso produtivo de parte de seus territórios, sempre com responsabilidade. Para ele, a experiência Pareci prova que o trabalho melhora a vida nas aldeias e pode servir de exemplo para outras etnias que desejam produzir.

Dra. Paula Boaventura também reforçou compromisso com a regulamentação, com a segurança jurídica e com políticas públicas que respeitem a autonomia indígena. De origem Bororo, ela destacou a importância da família, da tradição e do desenvolvimento como caminhos que podem andar juntos.

A reflexão que fica é simples: não se combate pobreza mantendo povos inteiros dependentes de assistencialismo. Também não se preserva cultura impedindo que indígenas estudem, produzam, empreendam e decidam seu próprio futuro.
O povo Pareci mostra que tradição e modernidade não são inimigas. O indígena pode preservar sua língua, seus rituais, seus pajés, sua família, suas mulheres, seus jovens e, ao mesmo tempo, plantar, colher, comercializar, estudar, usar tecnologia e melhorar de vida.
O Brasil precisa abandonar a visão romântica e atrasada de que o indígena só é indígena se estiver isolado da modernidade. Ser indígena é pertencer a um povo, a uma história e a uma cultura. Mas também é ser cidadão brasileiro, com direito à dignidade, ao trabalho, à renda e à liberdade de escolher o próprio caminho.
Campo Novo do Parecis talvez esteja mostrando ao país uma das discussões mais importantes do nosso tempo: o futuro indígena não deve ser imposto por gabinetes, ONGs ou ideologias. Deve ser construído ouvindo quem vive na aldeia, quem planta, quem colhe, quem cria os filhos e quem sabe, na prática, o que significa lutar por dignidade dentro do próprio território.
Os Pareci foram pioneiros. Agora, o desafio político é transformar essa experiência em política pública séria, segura e respeitosa, para que outras etnias que desejem seguir esse caminho também possam ter oportunidade de produzir, prosperar e viver melhor.

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por Luiz Henrique Menezes

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