Eleições 2022
Botelho e Emanuelzinho são os mais lembrados para ALMT e Câmara Federal
Publicado em
5 de setembro de 2022por
Da RedaçãoA corrida eleitoral para alcançar uma das 24 cadeiras do Poder Legislativo de Mato Grosso em Várzea Grande tem 3 políticos com base eleitoral na cidade.
O atual presidente do Legislativo estadual, Eduardo Botelho (União) é o mais lembrado por 11,94% dos entrevistados pelo Gazeta Dados entre os dias 26 a 28 de agosto no município.
Em 2º Lugar aparece o atual presidente da Câmara Municipal da cidade, Fabio Tardin (PSB) com 7,09%.
Já quem aparece em terceiro lugar é o ex-governador Júlio Campos (União) que foi lembrado por 3,73%.
A disputa entre os 3 pelos votos dos várzea-grandenses tem tensionado a relação entre eles. Fábio Tardin, por exemplo, deixou o União Brasil para se lançar à disputa e evitar que fosse preterido para apoiar Júlio Campos.
Júlio e Botelho também se estranharam no início da campanha e foram pivô de discussões entre lideranças no município.
O deputado estadual Faissal Calil (Cidadania) aparece com 1,87%.
O presidente Câmara Municipal de Cuiabá, Juca do Guaraná Filho (MDB) e o deputado estadual Lúdio Cabral (PT) foram lembrados por 1,49% dos entrevistados.
Já a vereadora de Cuiabá, Edna Sampaio (PT), a deputada Janaina Riva (MDB) e o deputado Max Russi (PSB) alcançaram 1,12%.
Os deputados Paulo Araújo (PP) e Wilson Santos (PSD) foram citados por 0,75% , o mesmo número de Rafael Yonekubo (PTB). Alex Sandro do Republicanos tem 0,38%.
A lista se encerra com o ex-secretário de Cultura e Esporte, Beto dois a um (PSB), Cida (DC), Edcley Coelho
(PSB), Eder Moraes (PV), Jamil Abreu (DC), Laura Leventi (PSB), Marcão do Alho (PODE) e Professor Eurico (PP), que foram citados por 0,37% dos entrevistados.
Já 63,43% dos entrevistados não souberam ou não quiseram responder.
Câmara Federal
Na disputa para as 8 vagas de deputado federal, Emanuelzinho (MDB) é o mais lembrado com 6,34%. Ele, que tenta a reeleição, chegou a disputar a prefeitura de Várzea Grande em 2020.
A liderança pode ser o reflexo do último pleito.
Já o deputado estadual Allan Kardec (PSB) aparece em 2º lugar com 5,60%. Drª Mara (Podemos) aparece na lista com 4,85% e o suplente de deputado federal Valtenir Pereira (MDB) com 1,87%.
O ex-comandante da Polícia Militar, coronel Assis (União), o suplente de senador Fábio Garcia (União) e Rogerinho Dakar (PSDB), foram citados por 1,49%.
Gisela Simona (União), Nicinha (Republicanos) e o vereador de Cuiabá, Sargento Vidal (MDB) alcançaram 1,12%.
Os deputados federais Carlos Bezerra (MDB) e Nelson Barbudo (PL) e Rosa Neide (PT), procurador Mauro (PSOL) e Bruno Campos (REDE), tem 0,75% cada um.
A lista dos mais lembrados se encerra com Analady (PTB), Eduardo Magalhães (Republicanos), o deputado federal Juarez Costa (MDB), o ex-juiz federal Julier (PT) e Simone (DC), tiveram 0,37%.
Já 67,16% dos entrevistados não quiseram ou não souberam responder.
Vale lembrar que a pesquisa para deputado estadual e federal não tem cunho científico e foi realizada de maneira espontânea.
Ou seja, quando o consultado é questionado para qual candidato ele vai votar.
A pesquisa foi realizada entre 26 a 28 de agosto e ouviu 325 pessoas de forma presencial.
A metodologia de pesquisa é Survey, com realização de entrevistas utilizando questionário estruturado junto a uma amostra representativa populacional do Estado de Mato Grosso.
Foram feitos questionários em 89 bairros do município.
Fonte: Eleições 2022
AGRO & NEGÓCIOS
Indígenas Parecis mostram que produzir também é preservar a dignidade
Published
3 dias atráson
11 de junho de 2026By
Da Redação
Campo Novo do Parecis, em Mato Grosso, abriga uma experiência pioneira no Brasil: a produção agrícola conduzida por indígenas dentro de seu próprio território, de forma organizada, coletiva e com olhar voltado para o futuro.

Durante reunião com lideranças indígenas da região, os pré-candidatos Dra. Paula Boaventura, à Câmara Federal, e Antônio Galvan, ao Senado, ouviram relatos fortes sobre a realidade dos Haliti-Pareci, povo que há anos enfrenta burocracias, embargos, preconceitos e visões ultrapassadas sobre o que é ser indígena no Brasil atual.

fAdilson Muziwane/Paula Boaventura
A principal mensagem deixada pelas lideranças foi clara: o indígena de hoje não pode ser condenado a viver como se o Brasil ainda estivesse em 1500. A cultura permanece, a tradição permanece, a família permanece. Mas o mundo mudou. A alimentação mudou. A saúde exige melhores condições. A educação exige investimento. E a dignidade exige trabalho.
“Somos seres humanos, somos brasileiros e temos o direito de viver bem dentro do nosso território, através do nosso próprio trabalho”, resumiu uma das lideranças.

Os Pareci defendem uma política pública que reconheça a diversidade dos povos indígenas. Só em Mato Grosso, são dezenas de etnias, cada uma com sua história, seu tempo de contato, sua cultura e sua realidade. Por isso, segundo eles, não é possível que uma única visão ideológica, muitas vezes construída longe das aldeias, determine o futuro de todos.

A experiência agrícola dos Pareci mostra que é possível produzir, gerar renda, manter a cultura e melhorar a qualidade de vida. Arnaldo Zuni Zakaê relata que, antes da agricultura, muitas famílias dependiam quase exclusivamente de aposentadorias, cargos na saúde ou na educação. Hoje, a produção abriu novas oportunidades: trabalho nas lavouras, cooperativas, associações, operação de máquinas, gestão, pesquisa, tecnologia e distribuição de renda.
O resultado, segundo os relatos, aparece na vida real. A população aumentou, a alimentação melhorou, a mortalidade caiu e os jovens passaram a enxergar futuro dentro do próprio território. “Saúde não se faz só com remédio. Saúde se faz com alimentação”, afirmou Arnaldo.

Também chamou atenção a participação das mulheres indígenas. Sônia Aparecida Zoazo Kamaero, agricultora, formada em Direito e especialista na área ambiental, explicou que a produção não rompeu com a cultura familiar, mas se adequou a ela. Segundo ela, na tradição Pareci, a mulher sempre teve papel fundamental na colheita, na formação da família e na transmissão de valores. Hoje, além disso, participa das decisões técnicas e econômicas.

“O homem é o guarda-chuva, a mulher é o pilar. Um não anda sem o outro”, afirmou Sônia.
O que os Pareci pedem não é privilégio. É segurança jurídica. É o direito de planejar a longo prazo. É poder acessar crédito, licenciamento, tecnologia e comercialização sem viver sob ameaça permanente de que uma mudança política ou uma interpretação burocrática paralise tudo.

Antônio Galvan, ex-presidente da Aprosoja MT e da Aprosoja Brasil, defendeu que os indígenas tenham direito real ao uso produtivo de parte de seus territórios, sempre com responsabilidade. Para ele, a experiência Pareci prova que o trabalho melhora a vida nas aldeias e pode servir de exemplo para outras etnias que desejam produzir.

Dra. Paula Boaventura também reforçou compromisso com a regulamentação, com a segurança jurídica e com políticas públicas que respeitem a autonomia indígena. De origem Bororo, ela destacou a importância da família, da tradição e do desenvolvimento como caminhos que podem andar juntos.
A reflexão que fica é simples: não se combate pobreza mantendo povos inteiros dependentes de assistencialismo. Também não se preserva cultura impedindo que indígenas estudem, produzam, empreendam e decidam seu próprio futuro.
O povo Pareci mostra que tradição e modernidade não são inimigas. O indígena pode preservar sua língua, seus rituais, seus pajés, sua família, suas mulheres, seus jovens e, ao mesmo tempo, plantar, colher, comercializar, estudar, usar tecnologia e melhorar de vida.
O Brasil precisa abandonar a visão romântica e atrasada de que o indígena só é indígena se estiver isolado da modernidade. Ser indígena é pertencer a um povo, a uma história e a uma cultura. Mas também é ser cidadão brasileiro, com direito à dignidade, ao trabalho, à renda e à liberdade de escolher o próprio caminho.
Campo Novo do Parecis talvez esteja mostrando ao país uma das discussões mais importantes do nosso tempo: o futuro indígena não deve ser imposto por gabinetes, ONGs ou ideologias. Deve ser construído ouvindo quem vive na aldeia, quem planta, quem colhe, quem cria os filhos e quem sabe, na prática, o que significa lutar por dignidade dentro do próprio território.
Os Pareci foram pioneiros. Agora, o desafio político é transformar essa experiência em política pública séria, segura e respeitosa, para que outras etnias que desejem seguir esse caminho também possam ter oportunidade de produzir, prosperar e viver melhor.
por Luiz Henrique Menezes
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