CUIABÁ

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Com uma população de cerca de 3.000 habitantes, o distrito está localizado a apenas 2 km do Rio Guariba.

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O Distrito de Guariba, localizado no extremo noroeste de Mato Grosso, enfrenta sérios problemas de infraestrutura, agravados pela falta de licenciamento mineral e ambiental para os materiais empregados diretamente na construção civil. A situação é reflexo do crescimento desordenado da região e da negligência das autoridades governamentais, que têm ignorado as necessidades da população local.

O Distrito de Guariba pertence ao município de Colniza e está situado a 1.100 km de Cuiabá, a 213 km da cidade de Colniza, a 98 km de Machadinho do Oeste (em Rondônia) e a 260 km de Apuí (no Amazonas). Com uma população de cerca de 3.000 habitantes, o distrito está localizado a apenas 2 km do Rio Guariba. O Distrito está margeado pela Reserva Extrativista Guariba-Roosevelt, criada em 1996 com o objetivo de garantir a conservação dos recursos naturais e promover a exploração sustentável realizada pela população extrativista.
Para o geólogo Sinvaldo Gomes de Moraes, presidente do Sindicato dos Geólogos de Mato Grosso – SINGEMAT, apesar de seu potencial e importância ecológica, o Distrito de Guariba sofre com a falta de infraestrutura, gerada pela ausência de licenciamento ambiental e mineral, o que tem impactado o crescimento da região. Atualmente, o distrito enfrenta um grande problema devido à escassez de materiais de construção de uso imediato na construção civil, como areia e cascalho.
“Devido à rigidez locacional de ocorrência desses minerais (areia e cascalho), que são encontrados somente no leito do Rio Guariba, sendo este inserido na Reserva Extrativista Guariba-Roosevelt, onde, infelizmente, qualquer tipo de atividade de mineração é proibida. Isso tem gerado um bloqueio significativo no desenvolvimento do distrito. Por isso, precisamos encontrar uma solução para garantir que a região consiga se expandir e se desenvolver como merece”, destacou o geólogo Sinvaldo Gomes de Moraes.
Ainda segundo o geólogo, neste cenário, é urgente que os órgãos competentes adotem medidas para regularizar a extração desses minerais, a fim de garantir o desenvolvimento sustentável e melhorar as condições de vida da população local. Além disso, é fundamental que os governos federal, estadual e municipal se comprometam com políticas públicas que visem à melhoria da infraestrutura da região, como o asfaltamento das vias e a implementação de sistemas de saneamento básico, que hoje são inexistentes. “A falta de ação das autoridades tem deixado a população do Distrito de Guariba e de toda a região ao seu redor à mercê de um futuro incerto, sem garantias de acesso a condições dignas de vida e desenvolvimento”, disse ele.

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AGRO & NEGÓCIOS

Indígenas Parecis mostram que produzir também é preservar a dignidade

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Campo Novo do Parecis, em Mato Grosso, abriga uma experiência pioneira no Brasil: a produção agrícola conduzida por indígenas dentro de seu próprio território, de forma organizada, coletiva e com olhar voltado para o futuro.

Durante reunião com lideranças indígenas da região, os pré-candidatos Dra. Paula Boaventura, à Câmara Federal, e Antônio Galvan, ao Senado, ouviram relatos fortes sobre a realidade dos Haliti-Pareci, povo que há anos enfrenta burocracias, embargos, preconceitos e visões ultrapassadas sobre o que é ser indígena no Brasil atual.


fAdilson Muziwane/Paula Boaventura

A principal mensagem deixada pelas lideranças foi clara: o indígena de hoje não pode ser condenado a viver como se o Brasil ainda estivesse em 1500. A cultura permanece, a tradição permanece, a família permanece. Mas o mundo mudou. A alimentação mudou. A saúde exige melhores condições. A educação exige investimento. E a dignidade exige trabalho.
“Somos seres humanos, somos brasileiros e temos o direito de viver bem dentro do nosso território, através do nosso próprio trabalho”, resumiu uma das lideranças.

Os Pareci defendem uma política pública que reconheça a diversidade dos povos indígenas. Só em Mato Grosso, são dezenas de etnias, cada uma com sua história, seu tempo de contato, sua cultura e sua realidade. Por isso, segundo eles, não é possível que uma única visão ideológica, muitas vezes construída longe das aldeias, determine o futuro de todos.

A experiência agrícola dos Pareci mostra que é possível produzir, gerar renda, manter a cultura e melhorar a qualidade de vida. Arnaldo Zuni Zakaê relata que, antes da agricultura, muitas famílias dependiam quase exclusivamente de aposentadorias, cargos na saúde ou na educação. Hoje, a produção abriu novas oportunidades: trabalho nas lavouras, cooperativas, associações, operação de máquinas, gestão, pesquisa, tecnologia e distribuição de renda.

O resultado, segundo os relatos, aparece na vida real. A população aumentou, a alimentação melhorou, a mortalidade caiu e os jovens passaram a enxergar futuro dentro do próprio território. “Saúde não se faz só com remédio. Saúde se faz com alimentação”, afirmou Arnaldo.

Também chamou atenção a participação das mulheres indígenas. Sônia Aparecida Zoazo Kamaero, agricultora, formada em Direito e especialista na área ambiental, explicou que a produção não rompeu com a cultura familiar, mas se adequou a ela. Segundo ela, na tradição Pareci, a mulher sempre teve papel fundamental na colheita, na formação da família e na transmissão de valores. Hoje, além disso, participa das decisões técnicas e econômicas.


“O homem é o guarda-chuva, a mulher é o pilar. Um não anda sem o outro”, afirmou Sônia.
O que os Pareci pedem não é privilégio. É segurança jurídica. É o direito de planejar a longo prazo. É poder acessar crédito, licenciamento, tecnologia e comercialização sem viver sob ameaça permanente de que uma mudança política ou uma interpretação burocrática paralise tudo.

Antônio Galvan, ex-presidente da Aprosoja MT e da Aprosoja Brasil, defendeu que os indígenas tenham direito real ao uso produtivo de parte de seus territórios, sempre com responsabilidade. Para ele, a experiência Pareci prova que o trabalho melhora a vida nas aldeias e pode servir de exemplo para outras etnias que desejam produzir.

Dra. Paula Boaventura também reforçou compromisso com a regulamentação, com a segurança jurídica e com políticas públicas que respeitem a autonomia indígena. De origem Bororo, ela destacou a importância da família, da tradição e do desenvolvimento como caminhos que podem andar juntos.

A reflexão que fica é simples: não se combate pobreza mantendo povos inteiros dependentes de assistencialismo. Também não se preserva cultura impedindo que indígenas estudem, produzam, empreendam e decidam seu próprio futuro.
O povo Pareci mostra que tradição e modernidade não são inimigas. O indígena pode preservar sua língua, seus rituais, seus pajés, sua família, suas mulheres, seus jovens e, ao mesmo tempo, plantar, colher, comercializar, estudar, usar tecnologia e melhorar de vida.
O Brasil precisa abandonar a visão romântica e atrasada de que o indígena só é indígena se estiver isolado da modernidade. Ser indígena é pertencer a um povo, a uma história e a uma cultura. Mas também é ser cidadão brasileiro, com direito à dignidade, ao trabalho, à renda e à liberdade de escolher o próprio caminho.
Campo Novo do Parecis talvez esteja mostrando ao país uma das discussões mais importantes do nosso tempo: o futuro indígena não deve ser imposto por gabinetes, ONGs ou ideologias. Deve ser construído ouvindo quem vive na aldeia, quem planta, quem colhe, quem cria os filhos e quem sabe, na prática, o que significa lutar por dignidade dentro do próprio território.
Os Pareci foram pioneiros. Agora, o desafio político é transformar essa experiência em política pública séria, segura e respeitosa, para que outras etnias que desejem seguir esse caminho também possam ter oportunidade de produzir, prosperar e viver melhor.

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