ALEGRIA NO CAMPO
Valorização feminina marca Encontro da Mulher Rural de Castanheira com atração cultural de Nico & Lau
O município de Castanheira, a 788 km de Cuiabá, realizou neste domingo (28) o 6º Encontro da Mulher Rural, reunindo mais de 400 mulheres no salão paroquial. O evento se consolidou como um dos principais momentos de valorização da mulher do campo, oferecendo lazer, cultura, capacitação e reconhecimento ao trabalho feminino na agricultura familiar.
Um sonho que virou tradição

A assistente social Joana Selma de Jesus, idealizadora do encontro, lembrou que a inspiração surgiu ainda na infância, quando participava de eventos semelhantes em Araputanga. “A mulher rural muitas vezes não tem oportunidade de participar de momentos só para ela. Esse encontro nasceu do sonho de trazer valorização e reconhecimento para elas aqui em Castanheira, e hoje é uma realidade que já dura seis anos”, destacou.
Programação diversa

A secretária de Administração e Finanças, Sônia Aparecida Pereira, ressaltou que o evento foi construído a muitas mãos, com mais de 90 dias de preparação. A programação contou com palestras motivacionais, apresentações culturais, oficinas de beleza, música ao vivo, café da manhã, feijoada, churrasco, café da tarde e sorteios de brindes. “Queremos oferecer um dia de alegria e autocuidado, exclusivo para as mulheres rurais. É um momento de fortalecimento e felicidade”, afirmou.
Alegria e conscientização com Nico & Lau

O ponto alto foi a apresentação da dupla humorística Nico & Lau, que volta na cidade após 20 anos, quando fizeram o primeiro show. Com muito humor e interação, arrancaram gargalhadas e encantaram o público.
O ator Lioniê Vitorio (Nico) destacou a energia do evento:
“É muito bom encontrar essas mulheres que lidam no dia a dia com o trabalho árduo no campo e proporcionar um momento especial para elas. Saímos daqui contagiados pela alegria e receptividade.”

Já J. Astrevo (Lau) reforçou a mensagem social inserida no espetáculo:
“Mato Grosso ainda lidera casos de violência contra a mulher. Por isso, além da diversão, trouxemos a reflexão sobre o combate ao feminicídio e a valorização do papel feminino no desenvolvimento do Estado.”
Depoimentos emocionados

Participantes também relataram a importância do encontro.
• Tânia Vanuza Terra Negrão, coroada como “Rainha da Roça Rural”, disse viver cada edição com expectativa: “É maravilhoso! Já espero pelo próximo ano, porque esse momento é só nosso.”
• Isabel Eliziário Machado, professora do assentamento Vale do Seringal, afirmou que o dia representa valorização: “Na área rural, a mulher trabalha muito e raramente tem tempo para si. Aqui, a gente tem essa oportunidade única.”
• Noemi Batista, que assistiu Nico & Lau pela primeira vez, não conteve o riso: “Estou até com dor na barriga de tanto rir. Foi fenomenal!”

• Orvânia Castro da Cunha, feirante, emocionou-se ao receber o título de princesa do evento: “Foi a primeira vez que desfilei, estou muito feliz e quero que esse encontro continue crescendo.”

O padre Jânio também elogiou a iniciativa: “É um momento de descanso e fortalecimento para as mulheres, que já se tornou tradição em Castanheira.”
Reconhecimento coletivo

A secretária de Assistência Social, Amazilis (Tuíta), destacou que a parceria com entidades locais, comércio regional e apoio de parlamentares viabilizou a estrutura do evento. Para ela, o show da dupla cuiabana trouxe ainda mais significado: “Não foi apenas humor. Eles plantaram uma semente de conscientização contra a violência às mulheres, algo essencial para nossa realidade.”
Um dia só delas

O encontro reservou ainda espaços de beleza com maquiadores, cabeleireiros e massagistas, além de sorteios de brindes exclusivos para o público feminino. O comércio local colaborou com a doação de secadores, chapinhas, maquiagens e outros itens.
A cada edição, o Encontro da Mulher Rural de Castanheira cresce em público, organização e significado. Mais que um momento de lazer, tornou-se símbolo de protagonismo, união e valorização da mulher do campo, reafirmando que, em cada gesto e conquista, a força feminina é essencial para o desenvolvimento do município e do Estado.

Por Luiz Henrique Menezes
AGRO & NEGÓCIOS
Indígenas Parecis mostram que produzir também é preservar a dignidade
Published
2 dias atráson
11 de junho de 2026By
Da Redação
Campo Novo do Parecis, em Mato Grosso, abriga uma experiência pioneira no Brasil: a produção agrícola conduzida por indígenas dentro de seu próprio território, de forma organizada, coletiva e com olhar voltado para o futuro.

Durante reunião com lideranças indígenas da região, os pré-candidatos Dra. Paula Boaventura, à Câmara Federal, e Antônio Galvan, ao Senado, ouviram relatos fortes sobre a realidade dos Haliti-Pareci, povo que há anos enfrenta burocracias, embargos, preconceitos e visões ultrapassadas sobre o que é ser indígena no Brasil atual.

fAdilson Muziwane/Paula Boaventura
A principal mensagem deixada pelas lideranças foi clara: o indígena de hoje não pode ser condenado a viver como se o Brasil ainda estivesse em 1500. A cultura permanece, a tradição permanece, a família permanece. Mas o mundo mudou. A alimentação mudou. A saúde exige melhores condições. A educação exige investimento. E a dignidade exige trabalho.
“Somos seres humanos, somos brasileiros e temos o direito de viver bem dentro do nosso território, através do nosso próprio trabalho”, resumiu uma das lideranças.

Os Pareci defendem uma política pública que reconheça a diversidade dos povos indígenas. Só em Mato Grosso, são dezenas de etnias, cada uma com sua história, seu tempo de contato, sua cultura e sua realidade. Por isso, segundo eles, não é possível que uma única visão ideológica, muitas vezes construída longe das aldeias, determine o futuro de todos.

A experiência agrícola dos Pareci mostra que é possível produzir, gerar renda, manter a cultura e melhorar a qualidade de vida. Arnaldo Zuni Zakaê relata que, antes da agricultura, muitas famílias dependiam quase exclusivamente de aposentadorias, cargos na saúde ou na educação. Hoje, a produção abriu novas oportunidades: trabalho nas lavouras, cooperativas, associações, operação de máquinas, gestão, pesquisa, tecnologia e distribuição de renda.
O resultado, segundo os relatos, aparece na vida real. A população aumentou, a alimentação melhorou, a mortalidade caiu e os jovens passaram a enxergar futuro dentro do próprio território. “Saúde não se faz só com remédio. Saúde se faz com alimentação”, afirmou Arnaldo.

Também chamou atenção a participação das mulheres indígenas. Sônia Aparecida Zoazo Kamaero, agricultora, formada em Direito e especialista na área ambiental, explicou que a produção não rompeu com a cultura familiar, mas se adequou a ela. Segundo ela, na tradição Pareci, a mulher sempre teve papel fundamental na colheita, na formação da família e na transmissão de valores. Hoje, além disso, participa das decisões técnicas e econômicas.

“O homem é o guarda-chuva, a mulher é o pilar. Um não anda sem o outro”, afirmou Sônia.
O que os Pareci pedem não é privilégio. É segurança jurídica. É o direito de planejar a longo prazo. É poder acessar crédito, licenciamento, tecnologia e comercialização sem viver sob ameaça permanente de que uma mudança política ou uma interpretação burocrática paralise tudo.

Antônio Galvan, ex-presidente da Aprosoja MT e da Aprosoja Brasil, defendeu que os indígenas tenham direito real ao uso produtivo de parte de seus territórios, sempre com responsabilidade. Para ele, a experiência Pareci prova que o trabalho melhora a vida nas aldeias e pode servir de exemplo para outras etnias que desejam produzir.

Dra. Paula Boaventura também reforçou compromisso com a regulamentação, com a segurança jurídica e com políticas públicas que respeitem a autonomia indígena. De origem Bororo, ela destacou a importância da família, da tradição e do desenvolvimento como caminhos que podem andar juntos.
A reflexão que fica é simples: não se combate pobreza mantendo povos inteiros dependentes de assistencialismo. Também não se preserva cultura impedindo que indígenas estudem, produzam, empreendam e decidam seu próprio futuro.
O povo Pareci mostra que tradição e modernidade não são inimigas. O indígena pode preservar sua língua, seus rituais, seus pajés, sua família, suas mulheres, seus jovens e, ao mesmo tempo, plantar, colher, comercializar, estudar, usar tecnologia e melhorar de vida.
O Brasil precisa abandonar a visão romântica e atrasada de que o indígena só é indígena se estiver isolado da modernidade. Ser indígena é pertencer a um povo, a uma história e a uma cultura. Mas também é ser cidadão brasileiro, com direito à dignidade, ao trabalho, à renda e à liberdade de escolher o próprio caminho.
Campo Novo do Parecis talvez esteja mostrando ao país uma das discussões mais importantes do nosso tempo: o futuro indígena não deve ser imposto por gabinetes, ONGs ou ideologias. Deve ser construído ouvindo quem vive na aldeia, quem planta, quem colhe, quem cria os filhos e quem sabe, na prática, o que significa lutar por dignidade dentro do próprio território.
Os Pareci foram pioneiros. Agora, o desafio político é transformar essa experiência em política pública séria, segura e respeitosa, para que outras etnias que desejem seguir esse caminho também possam ter oportunidade de produzir, prosperar e viver melhor.
por Luiz Henrique Menezes
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