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Projeto Inclusão sem Fronteiras oferta vagas de trabalho para imigrantes em Cuiabá

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Com o objetivo de promover a inclusão e a responsabilidade social, a Kora Saúde e o Hospital São Mateus irão expandir o projeto “Inclusão sem Fronteiras”, na capital mato-grossense. A iniciativa visa oferecer postos de trabalho a imigrantes e refugiados de outros países que vieram para Cuiabá.

O projeto foi implantado em junho de 2024, e a partir do mês de agosto o hospital efetuou as primeiras contratações, de um auxiliar de manutenção predial e na sequência, um auxiliar administrativo, ambos oriundos da Venezuela.

De acordo com o gerente administrativo do São Mateus, Robson Barreto, como esse intercâmbio foi exitoso será aberto espaço para mais colaboradores de outras nacionalidades.

“A inserção dos funcionários migrantes no hospital deu muito certo. Atualmente contamos com dois deles integrados a nossa equipe, desempenhando suas funções e enriquecendo o ambiente de trabalho com suas experiências e perspectivas únicas. Temos outro estrangeiro em processo de contratação e neste mês vamos oferecer mais quatro vagas de trabalho”, explica Barreto.

*Vagas de trabalho*

No próximo dia 21 de novembro, o Hospital São Mateus e seis empresas de segmentos diversificados vão realizar uma feira de empregos na qual receberão currículos de imigrantes que buscam por uma nova chance.

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“Das 8h às 12h, teremos um espaço onde faremos a captação de currículos para a seleção de auxiliar de farmácia, auxiliar administrativo, atendente e menor aprendiz. Neste mesmo período, as empresas colaboradoras também irão receber currículos dos candidatos”, acrescenta o gestor do RH do hospital, Lucas Yuji.

 

Para fortalecer ainda mais o projeto foi firmada uma parceria com uma casa de apoio a migrantes, ampliando o suporte e oferecendo possibilidades concretas para aqueles que necessitam de uma ocupação laboral.

De acordo com a diretora-geral do Hospital São Mateus, Marilda Venzel, ampliar o “Inclusão sem Fronteiras” em Cuiabá reflete o compromisso das instituições de saúde com a construção de uma cultura empresarial socialmente responsável e inclusiva.

“À medida que o projeto se desenvolve continuamos a buscar novas parcerias e oportunidades de integração para fazer a diferença na vida das pessoas, reforçando nosso papel como agente transformador na sociedade”, conclui a diretora.

Crédito Foto: Divulgação

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AGRO & NEGÓCIOS

Indígenas Parecis mostram que produzir também é preservar a dignidade

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Campo Novo do Parecis, em Mato Grosso, abriga uma experiência pioneira no Brasil: a produção agrícola conduzida por indígenas dentro de seu próprio território, de forma organizada, coletiva e com olhar voltado para o futuro.

Durante reunião com lideranças indígenas da região, os pré-candidatos Dra. Paula Boaventura, à Câmara Federal, e Antônio Galvan, ao Senado, ouviram relatos fortes sobre a realidade dos Haliti-Pareci, povo que há anos enfrenta burocracias, embargos, preconceitos e visões ultrapassadas sobre o que é ser indígena no Brasil atual.


fAdilson Muziwane/Paula Boaventura

A principal mensagem deixada pelas lideranças foi clara: o indígena de hoje não pode ser condenado a viver como se o Brasil ainda estivesse em 1500. A cultura permanece, a tradição permanece, a família permanece. Mas o mundo mudou. A alimentação mudou. A saúde exige melhores condições. A educação exige investimento. E a dignidade exige trabalho.
“Somos seres humanos, somos brasileiros e temos o direito de viver bem dentro do nosso território, através do nosso próprio trabalho”, resumiu uma das lideranças.

Os Pareci defendem uma política pública que reconheça a diversidade dos povos indígenas. Só em Mato Grosso, são dezenas de etnias, cada uma com sua história, seu tempo de contato, sua cultura e sua realidade. Por isso, segundo eles, não é possível que uma única visão ideológica, muitas vezes construída longe das aldeias, determine o futuro de todos.

A experiência agrícola dos Pareci mostra que é possível produzir, gerar renda, manter a cultura e melhorar a qualidade de vida. Arnaldo Zuni Zakaê relata que, antes da agricultura, muitas famílias dependiam quase exclusivamente de aposentadorias, cargos na saúde ou na educação. Hoje, a produção abriu novas oportunidades: trabalho nas lavouras, cooperativas, associações, operação de máquinas, gestão, pesquisa, tecnologia e distribuição de renda.

O resultado, segundo os relatos, aparece na vida real. A população aumentou, a alimentação melhorou, a mortalidade caiu e os jovens passaram a enxergar futuro dentro do próprio território. “Saúde não se faz só com remédio. Saúde se faz com alimentação”, afirmou Arnaldo.

Também chamou atenção a participação das mulheres indígenas. Sônia Aparecida Zoazo Kamaero, agricultora, formada em Direito e especialista na área ambiental, explicou que a produção não rompeu com a cultura familiar, mas se adequou a ela. Segundo ela, na tradição Pareci, a mulher sempre teve papel fundamental na colheita, na formação da família e na transmissão de valores. Hoje, além disso, participa das decisões técnicas e econômicas.


“O homem é o guarda-chuva, a mulher é o pilar. Um não anda sem o outro”, afirmou Sônia.
O que os Pareci pedem não é privilégio. É segurança jurídica. É o direito de planejar a longo prazo. É poder acessar crédito, licenciamento, tecnologia e comercialização sem viver sob ameaça permanente de que uma mudança política ou uma interpretação burocrática paralise tudo.

Antônio Galvan, ex-presidente da Aprosoja MT e da Aprosoja Brasil, defendeu que os indígenas tenham direito real ao uso produtivo de parte de seus territórios, sempre com responsabilidade. Para ele, a experiência Pareci prova que o trabalho melhora a vida nas aldeias e pode servir de exemplo para outras etnias que desejam produzir.

Dra. Paula Boaventura também reforçou compromisso com a regulamentação, com a segurança jurídica e com políticas públicas que respeitem a autonomia indígena. De origem Bororo, ela destacou a importância da família, da tradição e do desenvolvimento como caminhos que podem andar juntos.

A reflexão que fica é simples: não se combate pobreza mantendo povos inteiros dependentes de assistencialismo. Também não se preserva cultura impedindo que indígenas estudem, produzam, empreendam e decidam seu próprio futuro.
O povo Pareci mostra que tradição e modernidade não são inimigas. O indígena pode preservar sua língua, seus rituais, seus pajés, sua família, suas mulheres, seus jovens e, ao mesmo tempo, plantar, colher, comercializar, estudar, usar tecnologia e melhorar de vida.
O Brasil precisa abandonar a visão romântica e atrasada de que o indígena só é indígena se estiver isolado da modernidade. Ser indígena é pertencer a um povo, a uma história e a uma cultura. Mas também é ser cidadão brasileiro, com direito à dignidade, ao trabalho, à renda e à liberdade de escolher o próprio caminho.
Campo Novo do Parecis talvez esteja mostrando ao país uma das discussões mais importantes do nosso tempo: o futuro indígena não deve ser imposto por gabinetes, ONGs ou ideologias. Deve ser construído ouvindo quem vive na aldeia, quem planta, quem colhe, quem cria os filhos e quem sabe, na prática, o que significa lutar por dignidade dentro do próprio território.
Os Pareci foram pioneiros. Agora, o desafio político é transformar essa experiência em política pública séria, segura e respeitosa, para que outras etnias que desejem seguir esse caminho também possam ter oportunidade de produzir, prosperar e viver melhor.

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por Luiz Henrique Menezes

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