CUIABÁ

CIDADES

Profissionais da Educação de VG são capacitados para combater casos de violência sexual

Publicado em

 

Profissionais da Secretaria Municipal de Educação, Cultura, Esporte e Lazer (Smecel) de Várzea Grande realizaram, nesta semana, a qualificação para implementação do novo Protocolo Integrado de Atendimento de Crianças e Adolescentes Vítimas de Violência Sexual, lançado na tarde desta quarta-feira (13) pela Rede Protege: Articulação Intersetorial da Infância e Adolescência. A capacitação foca na matéria de “Escuta Personalizada” e reúne oficinas com estudos de caso, orientações técnicas sobre a metodologia de Escuta Especializada e mais.

Esta é a terceira edição do documento que unifica os procedimentos para lidar com vítimas de violência sexual em diferentes instituições do poder público. A expectativa é que este contribua para gerar dinamicidade e maior efetividade das políticas públicas e serviços ofertados à população. O material traz, entre outros dados, informações sobre a porta de entrada para o acolhimento e os encaminhamentos a serem realizados entre as instituições que integram o Sistema de Garantia de Direitos e demais fluxos e procedimentos de atendimento da rede de proteção.

Presente no evento de lançamento do Protocolo, a primeira-dama de Várzea Grande e promotora de Justiça, Kika Dorilêo Baracat, destacou a importância da implementação deste protocolo para proteger as crianças e adolescentes de Várzea Grande e falou sobre o compromisso pessoal do prefeito Kalil Baracat em fortalecer as políticas públicas para este público.

Leia Também:  Motociclista não resiste a ferimentos por conta de acidente e vem a óbito em cuiabá neste domingo(16/02)

“Que nossos profissionais aproveitem ao máximo esse momento de formação, pois essas vítimas precisam ser olhadas com muito carinho, com muita atenção e com muita empatia. Elas precisam ser vistas como as pessoas em desenvolvimento que são, para que recebam integralmente toda a proteção que lhes é devida”, completou.

Representando o Secretário Municipal de Educação, Cultura, Esporte e Lazer, Silvio Fidelis, a subsecretária Maria Alice de Barros Silva também falou sobre a importância da qualificação para a efetivação da iniciativa. “É muito importante que os nossos profissionais sejam capacitados para operar dentro do Protocolo da melhor forma possível, para lidar com essa situação, que é muito delicada, de forma ágil e efetiva, prezando sempre pela segurança de nossas crianças”, disse.

Já o procurador Geral de Justiça do estado, José Antônio Borges Pereira, lembrou que nesta quarta-feira (13) também é comemorado o aniversário do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), documento que consolida direitos de uma minoria e representa uma conquista não apenas das crianças e adolescentes, mas também dos movimentos políticos das mulheres.

Leia Também:  Apreensão de pescado ilegal em Barão de Melgaço

“Sei que estou falando para convertidos aqui, mas não podemos deixar de reforçar a importância da luta pelo direito das mulheres, das crianças, dos idosos. É importante a gente saber que nosso estado, nosso município, tem essa consciência e por isso conseguimos esses marcos como o Protocolo”, concluiu.

A Rede Protege é uma articulação política e democrática que visa o atendimento integral de crianças e adolescentes em situação de violência sexual. Ela é formada por instituições públicas e da sociedade civil ligadas à Rede de Proteção Social à Criança e o Adolescente.

 

COMENTE ABAIXO:
Advertisement

AGRO & NEGÓCIOS

Indígenas Parecis mostram que produzir também é preservar a dignidade

Published

on

Campo Novo do Parecis, em Mato Grosso, abriga uma experiência pioneira no Brasil: a produção agrícola conduzida por indígenas dentro de seu próprio território, de forma organizada, coletiva e com olhar voltado para o futuro.

Durante reunião com lideranças indígenas da região, os pré-candidatos Dra. Paula Boaventura, à Câmara Federal, e Antônio Galvan, ao Senado, ouviram relatos fortes sobre a realidade dos Haliti-Pareci, povo que há anos enfrenta burocracias, embargos, preconceitos e visões ultrapassadas sobre o que é ser indígena no Brasil atual.


fAdilson Muziwane/Paula Boaventura

A principal mensagem deixada pelas lideranças foi clara: o indígena de hoje não pode ser condenado a viver como se o Brasil ainda estivesse em 1500. A cultura permanece, a tradição permanece, a família permanece. Mas o mundo mudou. A alimentação mudou. A saúde exige melhores condições. A educação exige investimento. E a dignidade exige trabalho.
“Somos seres humanos, somos brasileiros e temos o direito de viver bem dentro do nosso território, através do nosso próprio trabalho”, resumiu uma das lideranças.

Os Pareci defendem uma política pública que reconheça a diversidade dos povos indígenas. Só em Mato Grosso, são dezenas de etnias, cada uma com sua história, seu tempo de contato, sua cultura e sua realidade. Por isso, segundo eles, não é possível que uma única visão ideológica, muitas vezes construída longe das aldeias, determine o futuro de todos.

A experiência agrícola dos Pareci mostra que é possível produzir, gerar renda, manter a cultura e melhorar a qualidade de vida. Arnaldo Zuni Zakaê relata que, antes da agricultura, muitas famílias dependiam quase exclusivamente de aposentadorias, cargos na saúde ou na educação. Hoje, a produção abriu novas oportunidades: trabalho nas lavouras, cooperativas, associações, operação de máquinas, gestão, pesquisa, tecnologia e distribuição de renda.

O resultado, segundo os relatos, aparece na vida real. A população aumentou, a alimentação melhorou, a mortalidade caiu e os jovens passaram a enxergar futuro dentro do próprio território. “Saúde não se faz só com remédio. Saúde se faz com alimentação”, afirmou Arnaldo.

Também chamou atenção a participação das mulheres indígenas. Sônia Aparecida Zoazo Kamaero, agricultora, formada em Direito e especialista na área ambiental, explicou que a produção não rompeu com a cultura familiar, mas se adequou a ela. Segundo ela, na tradição Pareci, a mulher sempre teve papel fundamental na colheita, na formação da família e na transmissão de valores. Hoje, além disso, participa das decisões técnicas e econômicas.


“O homem é o guarda-chuva, a mulher é o pilar. Um não anda sem o outro”, afirmou Sônia.
O que os Pareci pedem não é privilégio. É segurança jurídica. É o direito de planejar a longo prazo. É poder acessar crédito, licenciamento, tecnologia e comercialização sem viver sob ameaça permanente de que uma mudança política ou uma interpretação burocrática paralise tudo.

Antônio Galvan, ex-presidente da Aprosoja MT e da Aprosoja Brasil, defendeu que os indígenas tenham direito real ao uso produtivo de parte de seus territórios, sempre com responsabilidade. Para ele, a experiência Pareci prova que o trabalho melhora a vida nas aldeias e pode servir de exemplo para outras etnias que desejam produzir.

Dra. Paula Boaventura também reforçou compromisso com a regulamentação, com a segurança jurídica e com políticas públicas que respeitem a autonomia indígena. De origem Bororo, ela destacou a importância da família, da tradição e do desenvolvimento como caminhos que podem andar juntos.

A reflexão que fica é simples: não se combate pobreza mantendo povos inteiros dependentes de assistencialismo. Também não se preserva cultura impedindo que indígenas estudem, produzam, empreendam e decidam seu próprio futuro.
O povo Pareci mostra que tradição e modernidade não são inimigas. O indígena pode preservar sua língua, seus rituais, seus pajés, sua família, suas mulheres, seus jovens e, ao mesmo tempo, plantar, colher, comercializar, estudar, usar tecnologia e melhorar de vida.
O Brasil precisa abandonar a visão romântica e atrasada de que o indígena só é indígena se estiver isolado da modernidade. Ser indígena é pertencer a um povo, a uma história e a uma cultura. Mas também é ser cidadão brasileiro, com direito à dignidade, ao trabalho, à renda e à liberdade de escolher o próprio caminho.
Campo Novo do Parecis talvez esteja mostrando ao país uma das discussões mais importantes do nosso tempo: o futuro indígena não deve ser imposto por gabinetes, ONGs ou ideologias. Deve ser construído ouvindo quem vive na aldeia, quem planta, quem colhe, quem cria os filhos e quem sabe, na prática, o que significa lutar por dignidade dentro do próprio território.
Os Pareci foram pioneiros. Agora, o desafio político é transformar essa experiência em política pública séria, segura e respeitosa, para que outras etnias que desejem seguir esse caminho também possam ter oportunidade de produzir, prosperar e viver melhor.

Leia Também:  Motociclista não resiste a ferimentos por conta de acidente e vem a óbito em cuiabá neste domingo(16/02)

por Luiz Henrique Menezes

COMENTE ABAIXO:
Continue Reading

CIDADES

POLÍTICA MT

MATO GROSSO

POLÍCIA

MAIS LIDAS DA SEMANA