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Professor da UFMT assume presidência da Abracopel e reforça compromisso com a segurança elétrica no Brasil

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O professor da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Danilo de Souza, assumiu a presidência da Associação Brasileira de Conscientização para os Perigos da Eletricidade (Abracopel). Com ampla experiência no setor elétrico e acadêmico, Danilo traz sua expertise para liderar a entidade, cuja principal missão é reduzir os acidentes de origem elétrica no Brasil.

Com duas décadas de envolvimento no setor elétrico, Danilo iniciou sua trajetória em 2005, ao ingressar no curso técnico do então Centro Federal de Educação Tecnológica de Mato Grosso (CEFET-MT), atual Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT). Desde então, construiu uma carreira sólida, com 14 anos de docência na UFMT, onde ministra disciplinas sobre instalações elétricas e energia.

A Abracopel, que completará 20 anos de atuação em 2025, é uma referência nacional na conscientização sobre segurança elétrica. A entidade possui representação em diversos estados do país e congrega especialistas de diferentes áreas, como engenheiros, economistas, acadêmicos, profissionais do setor jurídico e concessionárias de energia. Além disso, mantém parcerias internacionais com instituições dos Estados Unidos e do Japão, promovendo a troca de conhecimentos sobre melhores práticas em segurança elétrica.

Danilo de Souza tem participação ativa no cenário global de segurança elétrica. Anualmente, representa o Brasil no IEEE Electrical Safety Workshop (ESW), nos Estados Unidos, considerado o evento mais importante do mundo sobre o uso seguro da eletricidade. Além disso, é um dos organizadores da edição brasileira do evento, realizado bienalmente, fortalecendo o debate nacional sobre o tema.

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A Abracopel promove diversas iniciativas voltadas à educação e à prevenção de acidentes elétricos. Entre elas, destaca-se o Concurso de Redação, Desenho e Vídeo, que incentiva estudantes a explorarem o tema da segurança elétrica. O Programa Casa Segura orienta a população sobre segurança em instalações elétricas residenciais. A entidade também publica o Anuário Estatístico de Acidentes de Origem Elétrica, um relatório que fornece dados essenciais para a formulação de políticas públicas. Além disso, a cada cinco anos, realiza o Raio-X das Instalações Elétricas Comerciais e Residenciais, um estudo detalhado que avalia a qualidade das instalações elétricas no Brasil.

Com forte atuação acadêmica e na pesquisa, Danilo é vice-coordenador do Núcleo Interdisciplinar de Estudos em Planejamento Energético (NIEPE), da Faculdade de Economia da UFMT, onde pesquisa a relação entre energia e sociedade. Também integra o Grupo de Desempenho e Segurança de Equipamentos e Materiais Elétricos (DESEME), do Instituto de Energia e Ambiente (IEE) da USP, contribuindo para o aprimoramento de normas e regulamentos do setor elétrico.

Para Danilo, a segurança elétrica está diretamente ligada a fatores estruturais, como o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), o acesso à educação e à saúde pública. Segundo ele, a precariedade desses fatores aumenta o número de acidentes elétricos fatais, como choques, incêndios e descargas atmosféricas. À frente da Abracopel, pretende intensificar a produção de dados estatísticos e campanhas educativas, além de fornecer subsídios para a formulação de políticas públicas que combatam essas desigualdades.

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Com passagens por centros de pesquisa em Portugal e na Rússia, Danilo possui doutorado pelo Instituto de Energia e Ambiente da USP (Summa Cum Laude) e especializações em Engenharia de Segurança do Trabalho, além de Energia e Sociedade.

Sob sua liderança, a Abracopel buscará ampliar seu alcance e fortalecer iniciativas de conscientização sobre segurança elétrica, incluindo a criação de materiais educativos para trabalhadores e crianças, bem como o desenvolvimento de políticas públicas voltadas à segurança elétrica no país.

“Nosso objetivo é que, um dia, a Abracopel não precise mais existir, porque a segurança elétrica estará garantida para todos os brasileiros”, afirma Danilo.

Para mais informações sobre os programas e projetos da entidade, acesse o site oficial: [www.abracopel.org](http://www.abracopel.org).

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AGRO & NEGÓCIOS

Indígenas Parecis mostram que produzir também é preservar a dignidade

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Campo Novo do Parecis, em Mato Grosso, abriga uma experiência pioneira no Brasil: a produção agrícola conduzida por indígenas dentro de seu próprio território, de forma organizada, coletiva e com olhar voltado para o futuro.

Durante reunião com lideranças indígenas da região, os pré-candidatos Dra. Paula Boaventura, à Câmara Federal, e Antônio Galvan, ao Senado, ouviram relatos fortes sobre a realidade dos Haliti-Pareci, povo que há anos enfrenta burocracias, embargos, preconceitos e visões ultrapassadas sobre o que é ser indígena no Brasil atual.


fAdilson Muziwane/Paula Boaventura

A principal mensagem deixada pelas lideranças foi clara: o indígena de hoje não pode ser condenado a viver como se o Brasil ainda estivesse em 1500. A cultura permanece, a tradição permanece, a família permanece. Mas o mundo mudou. A alimentação mudou. A saúde exige melhores condições. A educação exige investimento. E a dignidade exige trabalho.
“Somos seres humanos, somos brasileiros e temos o direito de viver bem dentro do nosso território, através do nosso próprio trabalho”, resumiu uma das lideranças.

Os Pareci defendem uma política pública que reconheça a diversidade dos povos indígenas. Só em Mato Grosso, são dezenas de etnias, cada uma com sua história, seu tempo de contato, sua cultura e sua realidade. Por isso, segundo eles, não é possível que uma única visão ideológica, muitas vezes construída longe das aldeias, determine o futuro de todos.

A experiência agrícola dos Pareci mostra que é possível produzir, gerar renda, manter a cultura e melhorar a qualidade de vida. Arnaldo Zuni Zakaê relata que, antes da agricultura, muitas famílias dependiam quase exclusivamente de aposentadorias, cargos na saúde ou na educação. Hoje, a produção abriu novas oportunidades: trabalho nas lavouras, cooperativas, associações, operação de máquinas, gestão, pesquisa, tecnologia e distribuição de renda.

O resultado, segundo os relatos, aparece na vida real. A população aumentou, a alimentação melhorou, a mortalidade caiu e os jovens passaram a enxergar futuro dentro do próprio território. “Saúde não se faz só com remédio. Saúde se faz com alimentação”, afirmou Arnaldo.

Também chamou atenção a participação das mulheres indígenas. Sônia Aparecida Zoazo Kamaero, agricultora, formada em Direito e especialista na área ambiental, explicou que a produção não rompeu com a cultura familiar, mas se adequou a ela. Segundo ela, na tradição Pareci, a mulher sempre teve papel fundamental na colheita, na formação da família e na transmissão de valores. Hoje, além disso, participa das decisões técnicas e econômicas.


“O homem é o guarda-chuva, a mulher é o pilar. Um não anda sem o outro”, afirmou Sônia.
O que os Pareci pedem não é privilégio. É segurança jurídica. É o direito de planejar a longo prazo. É poder acessar crédito, licenciamento, tecnologia e comercialização sem viver sob ameaça permanente de que uma mudança política ou uma interpretação burocrática paralise tudo.

Antônio Galvan, ex-presidente da Aprosoja MT e da Aprosoja Brasil, defendeu que os indígenas tenham direito real ao uso produtivo de parte de seus territórios, sempre com responsabilidade. Para ele, a experiência Pareci prova que o trabalho melhora a vida nas aldeias e pode servir de exemplo para outras etnias que desejam produzir.

Dra. Paula Boaventura também reforçou compromisso com a regulamentação, com a segurança jurídica e com políticas públicas que respeitem a autonomia indígena. De origem Bororo, ela destacou a importância da família, da tradição e do desenvolvimento como caminhos que podem andar juntos.

A reflexão que fica é simples: não se combate pobreza mantendo povos inteiros dependentes de assistencialismo. Também não se preserva cultura impedindo que indígenas estudem, produzam, empreendam e decidam seu próprio futuro.
O povo Pareci mostra que tradição e modernidade não são inimigas. O indígena pode preservar sua língua, seus rituais, seus pajés, sua família, suas mulheres, seus jovens e, ao mesmo tempo, plantar, colher, comercializar, estudar, usar tecnologia e melhorar de vida.
O Brasil precisa abandonar a visão romântica e atrasada de que o indígena só é indígena se estiver isolado da modernidade. Ser indígena é pertencer a um povo, a uma história e a uma cultura. Mas também é ser cidadão brasileiro, com direito à dignidade, ao trabalho, à renda e à liberdade de escolher o próprio caminho.
Campo Novo do Parecis talvez esteja mostrando ao país uma das discussões mais importantes do nosso tempo: o futuro indígena não deve ser imposto por gabinetes, ONGs ou ideologias. Deve ser construído ouvindo quem vive na aldeia, quem planta, quem colhe, quem cria os filhos e quem sabe, na prática, o que significa lutar por dignidade dentro do próprio território.
Os Pareci foram pioneiros. Agora, o desafio político é transformar essa experiência em política pública séria, segura e respeitosa, para que outras etnias que desejem seguir esse caminho também possam ter oportunidade de produzir, prosperar e viver melhor.

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por Luiz Henrique Menezes

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