CUIABÁ

ESTELIONATO

Quadrilha realizava compras com cartão de crédito, recebia os equipamentos e cancelava os pagamentos via operadora

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A Polícia Civil de Mato Grosso, por meio da 1ª Delegacia de Sinop (500 km de Cuiabá), com apoio da Delegacia Regional de Uberlândia (MG), prendeu, nessa segunda-feira (17.3), um homem de 27 anos, recuperou equipamentos que haviam sido produtos de um golpe, avaliado em aproximadamente R$ 60 mil, e impediu um novo golpe de R$ 65 mil.

As investigações tiveram início na semana passada, após o grupo criminoso usar dados e documentos fraudados para comprar, nos dias 8 e 12 de março, 15 máquinas, entre roçadeiras, motosserras e sopradores de uma empresa de Sinop, separados em notas fiscais de R$ 20.351 e R$ 38.700.

Os estelionatários haviam entrado em contato com a empresa e realizado o pagamento via cartões de crédito. As mercadorias foram entregues por serviços contratados pelo próprio empregador. Depois, as compras foram canceladas pela administradora dos carões de crédito, deixando a empresa vendedora das máquinas no prejuízo.

 

Após o golpe, representantes da empresa procuraram a delegacia e registraram um boletim de ocorrência. A Polícia Civil deu início às investigações e, logo em seguida, o grupo criminoso realizou uma terceira compra, na mesma empresa, dessa vez de R$ 65 mil.

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Os suspeitos, mais uma vez, enviaram um motorista terceirizado buscar as máquinas, mas policiais da 1ª Delegacia de Sinop chegaram na empresa quando o material estava sendo carregado.

Questionado, o motorista disse que tinha sido contrato por meio de um aplicativo para carregar a carga e levá-la até um destino. Ele mostrou as mensagens trocadas com o contratante e se disponibilizou a ir até Uberlândia (MG) para indicar o local em que deveria levar as máquinas.

Já em Uberlândia, o motorista se apresentou na Delegacia Regional da cidade e foi acompanhado pelos policiais  até o endereço de entrega, onde um homem foi encontrado e se apresentou como o responsável por receber as máquinas nessa segunda-feira (17.3) e também nas outras duas compras.

No local, foram localizados seis rolos de fios, notas fiscais, sete roçadeiras e seis motosserras. O jovem de 27 anos, que estava recebendo os materiais, disse que recebia uma pequena comissão para receber e entregar as mercadorias. Ele foi preso em flagrante por receptação e encaminhado para a delegacia.

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O material apreendido, 13 máquinas e 6 rolos de fio, será devolvido à empresa vítima. O celular do acusado de receptação também foi apreendido e auxiliará nas investigações.

Fonte: SESP/MT

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Indígenas Parecis mostram que produzir também é preservar a dignidade

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Campo Novo do Parecis, em Mato Grosso, abriga uma experiência pioneira no Brasil: a produção agrícola conduzida por indígenas dentro de seu próprio território, de forma organizada, coletiva e com olhar voltado para o futuro.

Durante reunião com lideranças indígenas da região, os pré-candidatos Dra. Paula Boaventura, à Câmara Federal, e Antônio Galvan, ao Senado, ouviram relatos fortes sobre a realidade dos Haliti-Pareci, povo que há anos enfrenta burocracias, embargos, preconceitos e visões ultrapassadas sobre o que é ser indígena no Brasil atual.


fAdilson Muziwane/Paula Boaventura

A principal mensagem deixada pelas lideranças foi clara: o indígena de hoje não pode ser condenado a viver como se o Brasil ainda estivesse em 1500. A cultura permanece, a tradição permanece, a família permanece. Mas o mundo mudou. A alimentação mudou. A saúde exige melhores condições. A educação exige investimento. E a dignidade exige trabalho.
“Somos seres humanos, somos brasileiros e temos o direito de viver bem dentro do nosso território, através do nosso próprio trabalho”, resumiu uma das lideranças.

Os Pareci defendem uma política pública que reconheça a diversidade dos povos indígenas. Só em Mato Grosso, são dezenas de etnias, cada uma com sua história, seu tempo de contato, sua cultura e sua realidade. Por isso, segundo eles, não é possível que uma única visão ideológica, muitas vezes construída longe das aldeias, determine o futuro de todos.

A experiência agrícola dos Pareci mostra que é possível produzir, gerar renda, manter a cultura e melhorar a qualidade de vida. Arnaldo Zuni Zakaê relata que, antes da agricultura, muitas famílias dependiam quase exclusivamente de aposentadorias, cargos na saúde ou na educação. Hoje, a produção abriu novas oportunidades: trabalho nas lavouras, cooperativas, associações, operação de máquinas, gestão, pesquisa, tecnologia e distribuição de renda.

O resultado, segundo os relatos, aparece na vida real. A população aumentou, a alimentação melhorou, a mortalidade caiu e os jovens passaram a enxergar futuro dentro do próprio território. “Saúde não se faz só com remédio. Saúde se faz com alimentação”, afirmou Arnaldo.

Também chamou atenção a participação das mulheres indígenas. Sônia Aparecida Zoazo Kamaero, agricultora, formada em Direito e especialista na área ambiental, explicou que a produção não rompeu com a cultura familiar, mas se adequou a ela. Segundo ela, na tradição Pareci, a mulher sempre teve papel fundamental na colheita, na formação da família e na transmissão de valores. Hoje, além disso, participa das decisões técnicas e econômicas.


“O homem é o guarda-chuva, a mulher é o pilar. Um não anda sem o outro”, afirmou Sônia.
O que os Pareci pedem não é privilégio. É segurança jurídica. É o direito de planejar a longo prazo. É poder acessar crédito, licenciamento, tecnologia e comercialização sem viver sob ameaça permanente de que uma mudança política ou uma interpretação burocrática paralise tudo.

Antônio Galvan, ex-presidente da Aprosoja MT e da Aprosoja Brasil, defendeu que os indígenas tenham direito real ao uso produtivo de parte de seus territórios, sempre com responsabilidade. Para ele, a experiência Pareci prova que o trabalho melhora a vida nas aldeias e pode servir de exemplo para outras etnias que desejam produzir.

Dra. Paula Boaventura também reforçou compromisso com a regulamentação, com a segurança jurídica e com políticas públicas que respeitem a autonomia indígena. De origem Bororo, ela destacou a importância da família, da tradição e do desenvolvimento como caminhos que podem andar juntos.

A reflexão que fica é simples: não se combate pobreza mantendo povos inteiros dependentes de assistencialismo. Também não se preserva cultura impedindo que indígenas estudem, produzam, empreendam e decidam seu próprio futuro.
O povo Pareci mostra que tradição e modernidade não são inimigas. O indígena pode preservar sua língua, seus rituais, seus pajés, sua família, suas mulheres, seus jovens e, ao mesmo tempo, plantar, colher, comercializar, estudar, usar tecnologia e melhorar de vida.
O Brasil precisa abandonar a visão romântica e atrasada de que o indígena só é indígena se estiver isolado da modernidade. Ser indígena é pertencer a um povo, a uma história e a uma cultura. Mas também é ser cidadão brasileiro, com direito à dignidade, ao trabalho, à renda e à liberdade de escolher o próprio caminho.
Campo Novo do Parecis talvez esteja mostrando ao país uma das discussões mais importantes do nosso tempo: o futuro indígena não deve ser imposto por gabinetes, ONGs ou ideologias. Deve ser construído ouvindo quem vive na aldeia, quem planta, quem colhe, quem cria os filhos e quem sabe, na prática, o que significa lutar por dignidade dentro do próprio território.
Os Pareci foram pioneiros. Agora, o desafio político é transformar essa experiência em política pública séria, segura e respeitosa, para que outras etnias que desejem seguir esse caminho também possam ter oportunidade de produzir, prosperar e viver melhor.

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por Luiz Henrique Menezes

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