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Papa Leão XIV é eleito e transmite mensagem de esperança em seu primeiro discurso

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Na tarde desta quinta-feira dia 8 de maio de 2025, o mundo católico celebrou a eleição do novo pontífice. O cardeal americano Robert Prevost, de Chicago, foi escolhido como o novo líder da Igreja Católica, adotando o nome de Papa Leão XIV.

A tradicional proclamação “Habemus Papam” foi feita pelo cardeal protodiácono Dominique Mamberti, marcando o início de uma nova fase para os mais de 1,4 bilhão de católicos ao redor do mundo.

nascido em Chicago, foi eleito como o novo líder da Igreja Católica, adotando o nome de Papa Leão XIV. Ele é o primeiro americano a ocupar o trono de São Pedro, marcando uma nova fase para os católicos ao redor do mundo.

Conhecido por seu perfil pastoral e experiência missionária, Papa Leão XIV traz para o Vaticano uma visão focada na paz, no diálogo e na construção de pontes entre as diferentes culturas e religiões. Inspirado pelos ensinamentos de Santo Agostinho, ele defende uma Igreja acolhedora, comprometida com a justiça social e guiada pela compaixão.

Em seu primeiro discurso, Papa Leão XIV se apresentou como um “filho de Santo Agostinho” e transmitiu uma mensagem de paz e fé para os fiéis reunidos na Praça de São Pedro e para todos que acompanhavam ao redor do mundo. Ele começou com uma saudação inspirada nas palavras do Cristo Ressuscitado:

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“A paz esteja com todos vocês. Irmãos e irmãs caríssimos, essa é a primeira saudação do Cristo Ressuscitado, o Bom Pastor, que deu a vida pelo rebanho de Deus. Eu também gostaria que essa saudação de paz entrasse no coração de vocês, alcançasse a família de vocês e todas as pessoas, onde quer que elas estejam, todos os povos, toda a Terra. Que a paz esteja com vocês. Essa é a paz de Cristo Ressuscitado. Uma paz desarmada e uma paz desarmante, humilde e perseverante, que provém de Deus. Deus que nos ama a todos, incondicionalmente.”

O novo papa também prestou homenagem ao seu antecessor, Papa Francisco, lembrando o impacto de sua liderança e suas mensagens de compaixão e misericórdia:

“Conservamos – guardamos ainda nos nossos ouvidos aquela voz fraca, mas sempre corajosa do Papa Francisco, que abençoava Roma e o mundo naquela manhã do dia da Páscoa. Obrigado, Papa Francisco.”

Leão XIV reforçou a importância de união e esperança, convidando os fiéis a seguir juntos em uma jornada de fé e solidariedade:

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“Deus nos ama, Deus ama todos vocês. O mal não irá prevalecer. Estamos todos nas mãos de Deus. Portanto, sem medo, juntos, de mãos dadas com Deus e uns com os outros, prossigamos. Somos discípulos de Cristo. Cristo nos precede. O mundo precisa da sua luz. A humanidade precisa dele como ponte para ser alcançada por Deus e por seu amor. Nos ajudem também, uns aos outros. Nos ajudem a construir pontes com diálogo, com encontro, todos juntos, num único povo, sempre em paz.”

Com essa mensagem, Papa Leão XIV inicia seu pontificado com um apelo à paz e à reconciliação, reforçando a importância de construir pontes e promover a unidade entre os povos.

Caborou Luiz Henrique Menezes

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AGRO & NEGÓCIOS

Indígenas Parecis mostram que produzir também é preservar a dignidade

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Campo Novo do Parecis, em Mato Grosso, abriga uma experiência pioneira no Brasil: a produção agrícola conduzida por indígenas dentro de seu próprio território, de forma organizada, coletiva e com olhar voltado para o futuro.

Durante reunião com lideranças indígenas da região, os pré-candidatos Dra. Paula Boaventura, à Câmara Federal, e Antônio Galvan, ao Senado, ouviram relatos fortes sobre a realidade dos Haliti-Pareci, povo que há anos enfrenta burocracias, embargos, preconceitos e visões ultrapassadas sobre o que é ser indígena no Brasil atual.


fAdilson Muziwane/Paula Boaventura

A principal mensagem deixada pelas lideranças foi clara: o indígena de hoje não pode ser condenado a viver como se o Brasil ainda estivesse em 1500. A cultura permanece, a tradição permanece, a família permanece. Mas o mundo mudou. A alimentação mudou. A saúde exige melhores condições. A educação exige investimento. E a dignidade exige trabalho.
“Somos seres humanos, somos brasileiros e temos o direito de viver bem dentro do nosso território, através do nosso próprio trabalho”, resumiu uma das lideranças.

Os Pareci defendem uma política pública que reconheça a diversidade dos povos indígenas. Só em Mato Grosso, são dezenas de etnias, cada uma com sua história, seu tempo de contato, sua cultura e sua realidade. Por isso, segundo eles, não é possível que uma única visão ideológica, muitas vezes construída longe das aldeias, determine o futuro de todos.

A experiência agrícola dos Pareci mostra que é possível produzir, gerar renda, manter a cultura e melhorar a qualidade de vida. Arnaldo Zuni Zakaê relata que, antes da agricultura, muitas famílias dependiam quase exclusivamente de aposentadorias, cargos na saúde ou na educação. Hoje, a produção abriu novas oportunidades: trabalho nas lavouras, cooperativas, associações, operação de máquinas, gestão, pesquisa, tecnologia e distribuição de renda.

O resultado, segundo os relatos, aparece na vida real. A população aumentou, a alimentação melhorou, a mortalidade caiu e os jovens passaram a enxergar futuro dentro do próprio território. “Saúde não se faz só com remédio. Saúde se faz com alimentação”, afirmou Arnaldo.

Também chamou atenção a participação das mulheres indígenas. Sônia Aparecida Zoazo Kamaero, agricultora, formada em Direito e especialista na área ambiental, explicou que a produção não rompeu com a cultura familiar, mas se adequou a ela. Segundo ela, na tradição Pareci, a mulher sempre teve papel fundamental na colheita, na formação da família e na transmissão de valores. Hoje, além disso, participa das decisões técnicas e econômicas.


“O homem é o guarda-chuva, a mulher é o pilar. Um não anda sem o outro”, afirmou Sônia.
O que os Pareci pedem não é privilégio. É segurança jurídica. É o direito de planejar a longo prazo. É poder acessar crédito, licenciamento, tecnologia e comercialização sem viver sob ameaça permanente de que uma mudança política ou uma interpretação burocrática paralise tudo.

Antônio Galvan, ex-presidente da Aprosoja MT e da Aprosoja Brasil, defendeu que os indígenas tenham direito real ao uso produtivo de parte de seus territórios, sempre com responsabilidade. Para ele, a experiência Pareci prova que o trabalho melhora a vida nas aldeias e pode servir de exemplo para outras etnias que desejam produzir.

Dra. Paula Boaventura também reforçou compromisso com a regulamentação, com a segurança jurídica e com políticas públicas que respeitem a autonomia indígena. De origem Bororo, ela destacou a importância da família, da tradição e do desenvolvimento como caminhos que podem andar juntos.

A reflexão que fica é simples: não se combate pobreza mantendo povos inteiros dependentes de assistencialismo. Também não se preserva cultura impedindo que indígenas estudem, produzam, empreendam e decidam seu próprio futuro.
O povo Pareci mostra que tradição e modernidade não são inimigas. O indígena pode preservar sua língua, seus rituais, seus pajés, sua família, suas mulheres, seus jovens e, ao mesmo tempo, plantar, colher, comercializar, estudar, usar tecnologia e melhorar de vida.
O Brasil precisa abandonar a visão romântica e atrasada de que o indígena só é indígena se estiver isolado da modernidade. Ser indígena é pertencer a um povo, a uma história e a uma cultura. Mas também é ser cidadão brasileiro, com direito à dignidade, ao trabalho, à renda e à liberdade de escolher o próprio caminho.
Campo Novo do Parecis talvez esteja mostrando ao país uma das discussões mais importantes do nosso tempo: o futuro indígena não deve ser imposto por gabinetes, ONGs ou ideologias. Deve ser construído ouvindo quem vive na aldeia, quem planta, quem colhe, quem cria os filhos e quem sabe, na prática, o que significa lutar por dignidade dentro do próprio território.
Os Pareci foram pioneiros. Agora, o desafio político é transformar essa experiência em política pública séria, segura e respeitosa, para que outras etnias que desejem seguir esse caminho também possam ter oportunidade de produzir, prosperar e viver melhor.

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por Luiz Henrique Menezes

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