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Noite das Estrelas reúne homenagens e solidariedade em Campo Verde

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O município de Campo Verde foi palco, no dia 10 de outubro, de uma noite de emoção, reconhecimento e solidariedade. O evento Noite das Estrelas, realizado no Centro de Eventos Ipanema Festa, homenageou personalidades e instituições que marcaram a história local, reunindo autoridades, empresários, agricultores, pecuaristas e representantes de diversos segmentos da sociedade.

Idealizado pelo empresário Reginaldo Andrade, o projeto nasceu com a Revista das Estrelas, publicação que busca valorizar pessoas e empresas “de princípio”, em vida ou pós-vida. Em sua segunda edição em Campo Verde e quinta no Estado de Mato Grosso, a iniciativa também alia homenagens a uma forte vertente filantrópica.

“A Revista das Estrelas nasceu para servir, promover pessoas e empresas de princípios. Não homenageamos apenas por status ou dinheiro, mas quem tem serviços prestados à comunidade e ao Estado. É um trabalho que também beneficia entidades filantrópicas, como a APAE e o Hospital do Câncer”, explicou Reginaldo Andrade, destacando o envolvimento de uma equipe de cerca de 60 pessoas e o apoio de patrocinadores.

Solidariedade em destaque

A edição deste ano teve como entidade beneficiada a APAE de Campo Verde. Um dos pontos altos foi o leilão de um chapéu assinado pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, trazido ao evento pelo empresário e youtuber Thiago Boava, viúvo da deputada federal Amália Barros. A peça foi arrematada pelo empresário Paulo Roque por R$ 12 mil.

Outro gesto marcante foi a doação de R$ 30 mil feita pelo advogado Dr. Sérgio Henrique, que está há pouco tempo em Campo Verde e participou pela primeira vez da festa. Sua contribuição reforçou o caráter solidário do evento e foi recebida com entusiasmo pela comunidade.

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Somadas as arrecadações do leilão, doações diretas e o aporte do deputado Gilberto Cattani, os valores destinados à APAE ultrapassaram a marca de meio milhão de reais, consolidando a Noite das Estrelas como uma das maiores ações filantrópicas do município.

“Estou há apenas 60 dias em Campo Verde e já me sinto acolhido. É muito gratificante poder contribuir de forma significativa com a APAE e prestigiar um evento que valoriza quem fez e quem continua fazendo história”, destacou Dr. Sérgio Henrique.

A tabeliã Izilda Alves Fernandes também aproveitou a ocasião para lembrar a importância do legado dos pioneiros e sugeriu melhorias para o fortalecimento da instituição.

Homenagens e reconhecimento

Durante a solenidade, foram entregues comendas, moções de aplauso e títulos de cidadão mato-grossense, concedidos por meio de emendas do deputado estadual Gilberto Cattani (PL).

“É uma tradição já em Campo Verde a Assembleia Legislativa participar de eventos como este, homenageando os pioneiros e aqueles que ajudaram no desenvolvimento da cidade. É uma alegria poder reconhecer o esforço de cada um”, declarou Cattani.

Entre os homenageados, histórias de pioneirismo se destacaram. O empresário Paulo César de Aguiar, fundador do município, recordou a chegada em 1983 e o trabalho em prol da APAE e da Câmara Municipal.


O professor Haroldo Arruda ressaltou a gratidão em receber a moção de aplauso:

“Campo Verde é exemplo de desenvolvimento. O evento valoriza empresas e pessoas que fazem nosso Estado crescer e contribuir com o PIB brasileiro. É motivo de orgulho estar entre os homenageados”, destacou.

Já o prefeito Alexandre Lopes de Oliveira enfatizou a importância de celebrar os pioneiros ainda em vida:

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“É uma referência às famílias que, em tempos de dificuldade, contribuíram para a fundação da cidade. Homenageá-los é reconhecer que nossa história se construiu pelo esforço dessas pessoas.”

Tradição e emoção

Para muitos, a noite também foi um reencontro com memórias. O empresário Sérgio Dezordi, radicado em Campo Verde desde 1988, relembrou os primeiros anos da cidade:

“É um momento ímpar. Acompanhei o crescimento desde a emancipação. Hoje, celebrar junto com minha família é reviver parte dessa história.”

Outros homenageados, como o pecuarista Antônio Salazar Garcia, o produtor Ricardo Evangelista, o pioneiro Wilson Cândido de Lima e o agrônomo Gladir Tomazelli, reforçaram a emoção de serem lembrados.

“Não buscamos reconhecimento, mas é gratificante ver nosso trabalho social e empresarial valorizado”, afirmou Salazar.
“O título de Cidadão Mato-grossense sela minha história de luta e de amor por esse Estado”, completou Tomazelli.

Música e confraternização

Além das homenagens, o público participou de um delicioso coquetel e de uma programação cultural com as apresentações da dupla Mel & Zael e da cantora Lorena Dantas.

Entre as autoridades presentes, marcaram presença o prefeito de Primavera do Leste, Sérgio Machnic, e o presidente da Câmara de Vereadores de Campo Verde, Francisco Sílvio Pereira Cruz.

Uma noite para celebrar e inspirar

A Noite das Estrelas se consolidou como um evento que vai além do glamour das homenagens. Ao unir reconhecimento, música, confraternização e solidariedade, a festa reafirma a força comunitária de Campo Verde, lembrando que as grandes histórias da cidade se escrevem com pioneirismo, trabalho e compromisso social.

Por Luiz Henrique Menezes

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AGRO & NEGÓCIOS

Indígenas Parecis mostram que produzir também é preservar a dignidade

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Campo Novo do Parecis, em Mato Grosso, abriga uma experiência pioneira no Brasil: a produção agrícola conduzida por indígenas dentro de seu próprio território, de forma organizada, coletiva e com olhar voltado para o futuro.

Durante reunião com lideranças indígenas da região, os pré-candidatos Dra. Paula Boaventura, à Câmara Federal, e Antônio Galvan, ao Senado, ouviram relatos fortes sobre a realidade dos Haliti-Pareci, povo que há anos enfrenta burocracias, embargos, preconceitos e visões ultrapassadas sobre o que é ser indígena no Brasil atual.


fAdilson Muziwane/Paula Boaventura

A principal mensagem deixada pelas lideranças foi clara: o indígena de hoje não pode ser condenado a viver como se o Brasil ainda estivesse em 1500. A cultura permanece, a tradição permanece, a família permanece. Mas o mundo mudou. A alimentação mudou. A saúde exige melhores condições. A educação exige investimento. E a dignidade exige trabalho.
“Somos seres humanos, somos brasileiros e temos o direito de viver bem dentro do nosso território, através do nosso próprio trabalho”, resumiu uma das lideranças.

Os Pareci defendem uma política pública que reconheça a diversidade dos povos indígenas. Só em Mato Grosso, são dezenas de etnias, cada uma com sua história, seu tempo de contato, sua cultura e sua realidade. Por isso, segundo eles, não é possível que uma única visão ideológica, muitas vezes construída longe das aldeias, determine o futuro de todos.

A experiência agrícola dos Pareci mostra que é possível produzir, gerar renda, manter a cultura e melhorar a qualidade de vida. Arnaldo Zuni Zakaê relata que, antes da agricultura, muitas famílias dependiam quase exclusivamente de aposentadorias, cargos na saúde ou na educação. Hoje, a produção abriu novas oportunidades: trabalho nas lavouras, cooperativas, associações, operação de máquinas, gestão, pesquisa, tecnologia e distribuição de renda.

O resultado, segundo os relatos, aparece na vida real. A população aumentou, a alimentação melhorou, a mortalidade caiu e os jovens passaram a enxergar futuro dentro do próprio território. “Saúde não se faz só com remédio. Saúde se faz com alimentação”, afirmou Arnaldo.

Também chamou atenção a participação das mulheres indígenas. Sônia Aparecida Zoazo Kamaero, agricultora, formada em Direito e especialista na área ambiental, explicou que a produção não rompeu com a cultura familiar, mas se adequou a ela. Segundo ela, na tradição Pareci, a mulher sempre teve papel fundamental na colheita, na formação da família e na transmissão de valores. Hoje, além disso, participa das decisões técnicas e econômicas.


“O homem é o guarda-chuva, a mulher é o pilar. Um não anda sem o outro”, afirmou Sônia.
O que os Pareci pedem não é privilégio. É segurança jurídica. É o direito de planejar a longo prazo. É poder acessar crédito, licenciamento, tecnologia e comercialização sem viver sob ameaça permanente de que uma mudança política ou uma interpretação burocrática paralise tudo.

Antônio Galvan, ex-presidente da Aprosoja MT e da Aprosoja Brasil, defendeu que os indígenas tenham direito real ao uso produtivo de parte de seus territórios, sempre com responsabilidade. Para ele, a experiência Pareci prova que o trabalho melhora a vida nas aldeias e pode servir de exemplo para outras etnias que desejam produzir.

Dra. Paula Boaventura também reforçou compromisso com a regulamentação, com a segurança jurídica e com políticas públicas que respeitem a autonomia indígena. De origem Bororo, ela destacou a importância da família, da tradição e do desenvolvimento como caminhos que podem andar juntos.

A reflexão que fica é simples: não se combate pobreza mantendo povos inteiros dependentes de assistencialismo. Também não se preserva cultura impedindo que indígenas estudem, produzam, empreendam e decidam seu próprio futuro.
O povo Pareci mostra que tradição e modernidade não são inimigas. O indígena pode preservar sua língua, seus rituais, seus pajés, sua família, suas mulheres, seus jovens e, ao mesmo tempo, plantar, colher, comercializar, estudar, usar tecnologia e melhorar de vida.
O Brasil precisa abandonar a visão romântica e atrasada de que o indígena só é indígena se estiver isolado da modernidade. Ser indígena é pertencer a um povo, a uma história e a uma cultura. Mas também é ser cidadão brasileiro, com direito à dignidade, ao trabalho, à renda e à liberdade de escolher o próprio caminho.
Campo Novo do Parecis talvez esteja mostrando ao país uma das discussões mais importantes do nosso tempo: o futuro indígena não deve ser imposto por gabinetes, ONGs ou ideologias. Deve ser construído ouvindo quem vive na aldeia, quem planta, quem colhe, quem cria os filhos e quem sabe, na prática, o que significa lutar por dignidade dentro do próprio território.
Os Pareci foram pioneiros. Agora, o desafio político é transformar essa experiência em política pública séria, segura e respeitosa, para que outras etnias que desejem seguir esse caminho também possam ter oportunidade de produzir, prosperar e viver melhor.

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por Luiz Henrique Menezes

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