CUIABÁ

SOLIDARIEDADE EM CENA

Casas Caminho Redentor é especializada em acolher pessoas com lesões físicas e cerebrais no estado

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O Instituto Incamtec une arte e responsabilidade social no evento “Beleza Cuiabá & Mato Grosso em Cena”, que será realizado no dia 1º de dezembro, no Teatro da UFMT. O espetáculo, que celebra a cultura mato-grossense, tem um propósito maior: arrecadar alimentos para a Casas Caminho Redentor, uma entidade filantrópica que acolhe pessoas, entre crianças e adultos, em situação de extrema vulnerabilidade e com lesões físicas e cerebrais.

A entrada para o evento é gratuita, mas o ingresso deve ser trocado por 2kg de alimento não perecível (exceto sal). A arrecadação será integralmente destinada à instituição, que depende exclusivamente de doações para manter seus serviços essenciais.

O evento tem como produtores o artista Edmilson Maciel e Rodinei Barbosa, diretor da companhia de dança que leva seu nome.

A Casas Caminho Redentor, fundada em 1986, atende pessoas com lesões físicas e cerebrais em situação de risco familiar. A entidade oferece não apenas abrigo, mas também atendimento médico, medicação contínua e fisioterapia diária, buscando oferecer dignidade e qualidade de vida aos acolhidos.

A presidente do Instituto Incamtec, Jane Santos de França, reforça o compromisso social do projeto.

“Ao mesmo tempo em que celebramos a arte mato-grossense, estamos estendendo a mão a quem precisa. O formato de troca de ingressos por alimentos não só democratiza o acesso à cultura, mas também mobiliza a comunidade em torno de uma causa vital. É a cultura e a solidariedade caminhando juntas, reforçando o impacto positivo que queremos deixar na vida das pessoas.”

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O produtor Edmilson Maciel pondera que o espetáculo transcende o entretenimento e se torna uma ação de cuidado coletivo. “A arte sempre foi uma ponte entre pessoas, e desta vez não é diferente. Quando colocamos nosso talento a serviço do bem, criamos um movimento que vai muito além do palco. Cada pessoa que contribuir com um quilo de alimento estará ajudando a escrever uma nova história para alguém que precisa. É isso que dá sentido ao nosso trabalho: transformar emoção em cuidado, e espetáculo em esperança.”

Rodinei Barbosa, também produtor do espetáculo, faz um apelo à participação. “Nosso espetáculo é uma celebração das nossas raízes, mas também um convite à ação. Quem for prestigiar a arte e a história de Mato Grosso estará, diretamente, garantindo o sustento e o cuidado de pessoas que não têm a quem recorrer. É um prazer poder usar a arte como ferramenta de auxílio ao próximo.”

NECESSIDADES
A Casas Caminho Redentor se mantém com doações e, muitas vezes, o valor é insuficiente para cobrir os custos de medicação contínua, terapias especializadas e as três refeições diárias.

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A instituição, que se divide em três lares (Lar Adalha para homens, Lar Caminho Redentor para mulheres e Lar Fraternidade para integração), busca voluntários de diversas áreas, como musicoterapia e terapia ocupacional, e está aberta à comunidade aos sábados para momentos de interação.

APOIO E PATROCÍNIO
O evento é realizado pelo Instituto Incamtec, com produção de Edmilson Maciel e da Cia de Dança Rodinei Barbosa, por meio de emenda do deputado estadual Beto Dois a Um (PSB), com apoio do Governo de Mato Grosso, da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), da Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel-MT) e do deputado federal Fábio Garcia.

SERVIÇO
•O QUÊ: Espetáculo “Beleza Cuiabá & Mato Grosso em Cena” – Ação Solidária
•QUANDO: 1º/12/2025, a partir das 20h
•ONDE: Teatro da UFMT
•INGRESSOS: Gratuitos, com troca solidária por 2kg de alimentos não-perecíveis (exceto sal).
•OBS.: Entrar em contato pelo telefone (65) 99815-9070 para agendar e pegar os ingressos.

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AGRO & NEGÓCIOS

Indígenas Parecis mostram que produzir também é preservar a dignidade

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Campo Novo do Parecis, em Mato Grosso, abriga uma experiência pioneira no Brasil: a produção agrícola conduzida por indígenas dentro de seu próprio território, de forma organizada, coletiva e com olhar voltado para o futuro.

Durante reunião com lideranças indígenas da região, os pré-candidatos Dra. Paula Boaventura, à Câmara Federal, e Antônio Galvan, ao Senado, ouviram relatos fortes sobre a realidade dos Haliti-Pareci, povo que há anos enfrenta burocracias, embargos, preconceitos e visões ultrapassadas sobre o que é ser indígena no Brasil atual.


fAdilson Muziwane/Paula Boaventura

A principal mensagem deixada pelas lideranças foi clara: o indígena de hoje não pode ser condenado a viver como se o Brasil ainda estivesse em 1500. A cultura permanece, a tradição permanece, a família permanece. Mas o mundo mudou. A alimentação mudou. A saúde exige melhores condições. A educação exige investimento. E a dignidade exige trabalho.
“Somos seres humanos, somos brasileiros e temos o direito de viver bem dentro do nosso território, através do nosso próprio trabalho”, resumiu uma das lideranças.

Os Pareci defendem uma política pública que reconheça a diversidade dos povos indígenas. Só em Mato Grosso, são dezenas de etnias, cada uma com sua história, seu tempo de contato, sua cultura e sua realidade. Por isso, segundo eles, não é possível que uma única visão ideológica, muitas vezes construída longe das aldeias, determine o futuro de todos.

A experiência agrícola dos Pareci mostra que é possível produzir, gerar renda, manter a cultura e melhorar a qualidade de vida. Arnaldo Zuni Zakaê relata que, antes da agricultura, muitas famílias dependiam quase exclusivamente de aposentadorias, cargos na saúde ou na educação. Hoje, a produção abriu novas oportunidades: trabalho nas lavouras, cooperativas, associações, operação de máquinas, gestão, pesquisa, tecnologia e distribuição de renda.

O resultado, segundo os relatos, aparece na vida real. A população aumentou, a alimentação melhorou, a mortalidade caiu e os jovens passaram a enxergar futuro dentro do próprio território. “Saúde não se faz só com remédio. Saúde se faz com alimentação”, afirmou Arnaldo.

Também chamou atenção a participação das mulheres indígenas. Sônia Aparecida Zoazo Kamaero, agricultora, formada em Direito e especialista na área ambiental, explicou que a produção não rompeu com a cultura familiar, mas se adequou a ela. Segundo ela, na tradição Pareci, a mulher sempre teve papel fundamental na colheita, na formação da família e na transmissão de valores. Hoje, além disso, participa das decisões técnicas e econômicas.


“O homem é o guarda-chuva, a mulher é o pilar. Um não anda sem o outro”, afirmou Sônia.
O que os Pareci pedem não é privilégio. É segurança jurídica. É o direito de planejar a longo prazo. É poder acessar crédito, licenciamento, tecnologia e comercialização sem viver sob ameaça permanente de que uma mudança política ou uma interpretação burocrática paralise tudo.

Antônio Galvan, ex-presidente da Aprosoja MT e da Aprosoja Brasil, defendeu que os indígenas tenham direito real ao uso produtivo de parte de seus territórios, sempre com responsabilidade. Para ele, a experiência Pareci prova que o trabalho melhora a vida nas aldeias e pode servir de exemplo para outras etnias que desejam produzir.

Dra. Paula Boaventura também reforçou compromisso com a regulamentação, com a segurança jurídica e com políticas públicas que respeitem a autonomia indígena. De origem Bororo, ela destacou a importância da família, da tradição e do desenvolvimento como caminhos que podem andar juntos.

A reflexão que fica é simples: não se combate pobreza mantendo povos inteiros dependentes de assistencialismo. Também não se preserva cultura impedindo que indígenas estudem, produzam, empreendam e decidam seu próprio futuro.
O povo Pareci mostra que tradição e modernidade não são inimigas. O indígena pode preservar sua língua, seus rituais, seus pajés, sua família, suas mulheres, seus jovens e, ao mesmo tempo, plantar, colher, comercializar, estudar, usar tecnologia e melhorar de vida.
O Brasil precisa abandonar a visão romântica e atrasada de que o indígena só é indígena se estiver isolado da modernidade. Ser indígena é pertencer a um povo, a uma história e a uma cultura. Mas também é ser cidadão brasileiro, com direito à dignidade, ao trabalho, à renda e à liberdade de escolher o próprio caminho.
Campo Novo do Parecis talvez esteja mostrando ao país uma das discussões mais importantes do nosso tempo: o futuro indígena não deve ser imposto por gabinetes, ONGs ou ideologias. Deve ser construído ouvindo quem vive na aldeia, quem planta, quem colhe, quem cria os filhos e quem sabe, na prática, o que significa lutar por dignidade dentro do próprio território.
Os Pareci foram pioneiros. Agora, o desafio político é transformar essa experiência em política pública séria, segura e respeitosa, para que outras etnias que desejem seguir esse caminho também possam ter oportunidade de produzir, prosperar e viver melhor.

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por Luiz Henrique Menezes

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