CUIABÁ

ARTE E HISTÓRIA EM CENA

Instituto Incamtec oferece uma aula de história e cultura regional com a fusão de dança e teatro

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O duplo espetáculo “Beleza Cuiabá & Mato Grosso em Cena”, que será apresentado nesta segunda-feira 1º de dezembro no Teatro da UFMT, vai além do entretenimento. Promovido pelo Instituto Incamtec, o evento se consolida como uma valiosa ferramenta de resgate e valorização da história e da cultura de Mato Grosso, oferecendo ao público uma verdadeira aula sobre as raízes regionais.

O espetáculo é uma fusão de linguagens artísticas, unindo a encenação teatral de Edmilson Maciel com a dança vibrante da Cia de Dança Rodinei Barbosa. A obra é dividida em dois atos que se complementam, celebrando a identidade mato-grossense sob diferentes perspectivas.

A presidente do Instituto Incamtec, Jane Santos de França, reforça o caráter educativo e inclusivo do projeto.

“O Incamtec tem o compromisso de promover projetos culturais que, além da excelência artística, cumpram uma função social e educativa. ‘Beleza Cuiabá & Mato Grosso em Cena’ é uma oportunidade ímpar para pais e professores levarem crianças e jovens a uma experiência imersiva na história e na cultura de Mato Grosso. Ao mesmo tempo em que oferecemos arte de qualidade, garantimos o acesso a todos por meio da troca solidária de ingressos por alimentos.”

O evento é uma programação familiar e um convite especial a alunos de escolas públicas, funcionando como um complemento didático sobre a história e a cultura do estado.

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BELEZA CUIABÁ

A primeira parte, “Beleza Cuiabá”, da Cia de Dança Rodinei Barbosa, é uma celebração vibrante da identidade e da alma da capital. Sob a direção e coreografia de Rodinei Barbosa, a obra, que foi remontada 20 anos após sua estreia, une a elegância da dança de salão a uma estética contemporânea.

O palco ganha vida com músicas de compositores locais que embalam o cotidiano e as manifestações populares. A companhia estiliza ritmos regionais cuiabanos, como o Rasqueado e o Labadão, de forma artística para o palco. Um dos momentos mais aguardados é a distribuição de Pixé na plateia, um doce tradicional, que acompanha a música “Milho Torradinho Socado Canela Açucarada”.

Rodinei Barbosa, produtor e diretor da Cia de Dança, destaca o valor da remontagem.

“É uma alegria trazer ‘Beleza Cuiabá’ de volta ao palco com uma nova roupagem, figurino novo e corpos mais maduros. Nosso objetivo é mostrar a riqueza do nosso regionalismo de uma forma acessível e emocionante. A arte tem o poder de educar e de conectar as pessoas com suas raízes, e este espetáculo é uma homenagem que convida o público a se ver em cena e celebrar a autêntica ‘cuiabania’”, finaliza.

MATO GROSSO EM CENA

Já a segunda parte, “Mato Grosso em Cena”, conduz o público por uma jornada histórica do estado. A narrativa se desenrola por meio de versos, prosas, poesias, danças e músicas, enquanto a história ganha vida pela personagem interpretada por Edmilson Maciel.

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O espetáculo aborda a cultura dos povos indígenas, a chegada dos colonos, o período da Guerra do Paraguai, a expansão com os garimpos, a vida da comunidade ribeirinha e o potencial econômico do agronegócio.

“Mato Grosso é um lugar único no mundo. Existem lugares bonitos… existem regiões de oportunidade… existem lugares com histórias fantásticas… e tem o Mato Grosso, que é tudo isso e um pouco mais. A nossa história precisa ser reverenciada e para mim, como artista mato-grossense que sou, é uma honra subir ao palco e contar um pouco do que somos,” afirma Edmilson Maciel, produtor e artista.

APOIO E PATROCÍNIO

O evento é realizado pelo Instituto Incamtec, por meio de emenda do deputado estadual Beto Dois a Um (PSB), com apoio do Governo de Mato Grosso, da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), da Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel-MT) e do deputado federal Fábio Garcia.

SERVIÇO

O QUÊ: Espetáculo “Beleza Cuiabá & Mato Grosso em Cena”

QUANDO: 1º/12/2025, a partir das 20h

ONDE: Teatro da UFMT

INGRESSOS: Gratuitos, com troca solidária por 2kg de alimentos não-perecíveis (exceto sal).

OBS.: Entrar em contato pelo telefone (65) 99815-9070 para agendar e pegar os ingressos.

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AGRO & NEGÓCIOS

Indígenas Parecis mostram que produzir também é preservar a dignidade

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Campo Novo do Parecis, em Mato Grosso, abriga uma experiência pioneira no Brasil: a produção agrícola conduzida por indígenas dentro de seu próprio território, de forma organizada, coletiva e com olhar voltado para o futuro.

Durante reunião com lideranças indígenas da região, os pré-candidatos Dra. Paula Boaventura, à Câmara Federal, e Antônio Galvan, ao Senado, ouviram relatos fortes sobre a realidade dos Haliti-Pareci, povo que há anos enfrenta burocracias, embargos, preconceitos e visões ultrapassadas sobre o que é ser indígena no Brasil atual.


fAdilson Muziwane/Paula Boaventura

A principal mensagem deixada pelas lideranças foi clara: o indígena de hoje não pode ser condenado a viver como se o Brasil ainda estivesse em 1500. A cultura permanece, a tradição permanece, a família permanece. Mas o mundo mudou. A alimentação mudou. A saúde exige melhores condições. A educação exige investimento. E a dignidade exige trabalho.
“Somos seres humanos, somos brasileiros e temos o direito de viver bem dentro do nosso território, através do nosso próprio trabalho”, resumiu uma das lideranças.

Os Pareci defendem uma política pública que reconheça a diversidade dos povos indígenas. Só em Mato Grosso, são dezenas de etnias, cada uma com sua história, seu tempo de contato, sua cultura e sua realidade. Por isso, segundo eles, não é possível que uma única visão ideológica, muitas vezes construída longe das aldeias, determine o futuro de todos.

A experiência agrícola dos Pareci mostra que é possível produzir, gerar renda, manter a cultura e melhorar a qualidade de vida. Arnaldo Zuni Zakaê relata que, antes da agricultura, muitas famílias dependiam quase exclusivamente de aposentadorias, cargos na saúde ou na educação. Hoje, a produção abriu novas oportunidades: trabalho nas lavouras, cooperativas, associações, operação de máquinas, gestão, pesquisa, tecnologia e distribuição de renda.

O resultado, segundo os relatos, aparece na vida real. A população aumentou, a alimentação melhorou, a mortalidade caiu e os jovens passaram a enxergar futuro dentro do próprio território. “Saúde não se faz só com remédio. Saúde se faz com alimentação”, afirmou Arnaldo.

Também chamou atenção a participação das mulheres indígenas. Sônia Aparecida Zoazo Kamaero, agricultora, formada em Direito e especialista na área ambiental, explicou que a produção não rompeu com a cultura familiar, mas se adequou a ela. Segundo ela, na tradição Pareci, a mulher sempre teve papel fundamental na colheita, na formação da família e na transmissão de valores. Hoje, além disso, participa das decisões técnicas e econômicas.


“O homem é o guarda-chuva, a mulher é o pilar. Um não anda sem o outro”, afirmou Sônia.
O que os Pareci pedem não é privilégio. É segurança jurídica. É o direito de planejar a longo prazo. É poder acessar crédito, licenciamento, tecnologia e comercialização sem viver sob ameaça permanente de que uma mudança política ou uma interpretação burocrática paralise tudo.

Antônio Galvan, ex-presidente da Aprosoja MT e da Aprosoja Brasil, defendeu que os indígenas tenham direito real ao uso produtivo de parte de seus territórios, sempre com responsabilidade. Para ele, a experiência Pareci prova que o trabalho melhora a vida nas aldeias e pode servir de exemplo para outras etnias que desejam produzir.

Dra. Paula Boaventura também reforçou compromisso com a regulamentação, com a segurança jurídica e com políticas públicas que respeitem a autonomia indígena. De origem Bororo, ela destacou a importância da família, da tradição e do desenvolvimento como caminhos que podem andar juntos.

A reflexão que fica é simples: não se combate pobreza mantendo povos inteiros dependentes de assistencialismo. Também não se preserva cultura impedindo que indígenas estudem, produzam, empreendam e decidam seu próprio futuro.
O povo Pareci mostra que tradição e modernidade não são inimigas. O indígena pode preservar sua língua, seus rituais, seus pajés, sua família, suas mulheres, seus jovens e, ao mesmo tempo, plantar, colher, comercializar, estudar, usar tecnologia e melhorar de vida.
O Brasil precisa abandonar a visão romântica e atrasada de que o indígena só é indígena se estiver isolado da modernidade. Ser indígena é pertencer a um povo, a uma história e a uma cultura. Mas também é ser cidadão brasileiro, com direito à dignidade, ao trabalho, à renda e à liberdade de escolher o próprio caminho.
Campo Novo do Parecis talvez esteja mostrando ao país uma das discussões mais importantes do nosso tempo: o futuro indígena não deve ser imposto por gabinetes, ONGs ou ideologias. Deve ser construído ouvindo quem vive na aldeia, quem planta, quem colhe, quem cria os filhos e quem sabe, na prática, o que significa lutar por dignidade dentro do próprio território.
Os Pareci foram pioneiros. Agora, o desafio político é transformar essa experiência em política pública séria, segura e respeitosa, para que outras etnias que desejem seguir esse caminho também possam ter oportunidade de produzir, prosperar e viver melhor.

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por Luiz Henrique Menezes

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