CUIABÁ

CULTURA & SOLIDARIEDADE

Edmilson Maciel e Cia de Dança Rodinei Barbosa fazem espetáculos beneficentes na UFMT

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O Teatro da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) será palco do duplo espetáculo “Beleza Cuiabá & Mato Grosso em Cena”, estrelado pela Companhia de Dança Rodinei Barbosa, com sua riquíssima variedade de danças regionais, e pelo artista Edmilson Maciel, que mais uma vez encena a história mato-grossense. O evento será realizado na noite do próximo 1º de dezembro.

Com início às 20h e 1h20 de duração, o duplo espetáculo será solidário: cada ingresso poderá ser trocado por 2kg de alimento não perecível, exceto sal. A arrecadação será destinada à instituição “Casas Caminho Redentor”, que cuida de pessoas em situação de extrema vulnerabilidade, no bairro Nova Esperança I, em Cuiabá.

As cores e vivacidade estarão presentes no colorido e ritmos que representam o regionalismo mato-grossense durante todo o evento: rasqueado cuiabano, lendas, ritmos regionais, paisagens e tradições locais estarão presentes.

Segundo Edmilson Maciel, esta é mais uma oportunidade de levar a cultura local à sociedade de forma gratuita. “A nossa cultura é riquíssima e merece ser valorizada. É sempre uma honra celebrar nosso regionalismo, encantando e ‘reencantando’ o nosso povo”, explica.

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O artista também destaca que esta é uma oportunidade de programação familiar, onde a cultura e a história dançam juntas a trajetória de Mato Grosso.


Já para Rodinei Barbosa, diretor da companhia de dança que leva seu nome, o duplo espetáculo também quebra o paradigma de que cultura é só aos finais de semana.

“Cultura torna a vida mais leve, ensina a mente e enche o coração, não deve estar limitada ao final de semana. Segunda-feira também é dia de diversão, de entretenimento, de dança e de teatro! Esta é uma programação para a família, para amigos, namorados, para todo mundo, sem limitação de idade”, pontuou.

O evento possibilita, especialmente, que pais levem seus filhos para curtir o momento juntos. Além disso, alunos de escolas públicas também são o público-alvo do “Beleza Cuiabá & Mato Grosso em Cena”, uma vez que, além da cultura regional, também apresenta a história mato-grossense, desde a chegada dos bandeirantes até os tempos atuais.

Para a presidente do instituto Incamtec, Jane Santos de França, o evento evidencia o compromisso da classe artística com a solidariedade. “Esta iniciativa reafirma o compromisso do Incamtec em promover projetos culturais que também cumpram uma função social. Ao mesmo tempo em que celebramos a arte mato-grossense, estamos estendendo a mão a quem precisa. É uma oportunidade de fazer o bem e ainda prestigiar um espetáculo de altíssima qualidade”, destaca.

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O evento é realizado pelo Instituto Incamtec e pela Cia de Dança Rodinei Barbosa, por meio de emenda do deputado estadual Beto Dois a Um (PSB), com apoio do Governo de Mato Grosso, da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) e da Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel-MT).

*SERVIÇO*
O QUÊ: Espetáculo “Beleza Cuiabá & Mato Grosso em Cena”
QUANDO: 1º/12/2025, a partir das 20h
ONDE: Teatro da UFMT
INGRESSOS: Gratuitos, com troca solidária por 2kg de alimentos não-perecíveis (exceto sal). Obs.: entrar em contato pelo telefone (65) 99815-9070 para agendar e pegar os ingressos

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AGRO & NEGÓCIOS

Indígenas Parecis mostram que produzir também é preservar a dignidade

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Campo Novo do Parecis, em Mato Grosso, abriga uma experiência pioneira no Brasil: a produção agrícola conduzida por indígenas dentro de seu próprio território, de forma organizada, coletiva e com olhar voltado para o futuro.

Durante reunião com lideranças indígenas da região, os pré-candidatos Dra. Paula Boaventura, à Câmara Federal, e Antônio Galvan, ao Senado, ouviram relatos fortes sobre a realidade dos Haliti-Pareci, povo que há anos enfrenta burocracias, embargos, preconceitos e visões ultrapassadas sobre o que é ser indígena no Brasil atual.


fAdilson Muziwane/Paula Boaventura

A principal mensagem deixada pelas lideranças foi clara: o indígena de hoje não pode ser condenado a viver como se o Brasil ainda estivesse em 1500. A cultura permanece, a tradição permanece, a família permanece. Mas o mundo mudou. A alimentação mudou. A saúde exige melhores condições. A educação exige investimento. E a dignidade exige trabalho.
“Somos seres humanos, somos brasileiros e temos o direito de viver bem dentro do nosso território, através do nosso próprio trabalho”, resumiu uma das lideranças.

Os Pareci defendem uma política pública que reconheça a diversidade dos povos indígenas. Só em Mato Grosso, são dezenas de etnias, cada uma com sua história, seu tempo de contato, sua cultura e sua realidade. Por isso, segundo eles, não é possível que uma única visão ideológica, muitas vezes construída longe das aldeias, determine o futuro de todos.

A experiência agrícola dos Pareci mostra que é possível produzir, gerar renda, manter a cultura e melhorar a qualidade de vida. Arnaldo Zuni Zakaê relata que, antes da agricultura, muitas famílias dependiam quase exclusivamente de aposentadorias, cargos na saúde ou na educação. Hoje, a produção abriu novas oportunidades: trabalho nas lavouras, cooperativas, associações, operação de máquinas, gestão, pesquisa, tecnologia e distribuição de renda.

O resultado, segundo os relatos, aparece na vida real. A população aumentou, a alimentação melhorou, a mortalidade caiu e os jovens passaram a enxergar futuro dentro do próprio território. “Saúde não se faz só com remédio. Saúde se faz com alimentação”, afirmou Arnaldo.

Também chamou atenção a participação das mulheres indígenas. Sônia Aparecida Zoazo Kamaero, agricultora, formada em Direito e especialista na área ambiental, explicou que a produção não rompeu com a cultura familiar, mas se adequou a ela. Segundo ela, na tradição Pareci, a mulher sempre teve papel fundamental na colheita, na formação da família e na transmissão de valores. Hoje, além disso, participa das decisões técnicas e econômicas.


“O homem é o guarda-chuva, a mulher é o pilar. Um não anda sem o outro”, afirmou Sônia.
O que os Pareci pedem não é privilégio. É segurança jurídica. É o direito de planejar a longo prazo. É poder acessar crédito, licenciamento, tecnologia e comercialização sem viver sob ameaça permanente de que uma mudança política ou uma interpretação burocrática paralise tudo.

Antônio Galvan, ex-presidente da Aprosoja MT e da Aprosoja Brasil, defendeu que os indígenas tenham direito real ao uso produtivo de parte de seus territórios, sempre com responsabilidade. Para ele, a experiência Pareci prova que o trabalho melhora a vida nas aldeias e pode servir de exemplo para outras etnias que desejam produzir.

Dra. Paula Boaventura também reforçou compromisso com a regulamentação, com a segurança jurídica e com políticas públicas que respeitem a autonomia indígena. De origem Bororo, ela destacou a importância da família, da tradição e do desenvolvimento como caminhos que podem andar juntos.

A reflexão que fica é simples: não se combate pobreza mantendo povos inteiros dependentes de assistencialismo. Também não se preserva cultura impedindo que indígenas estudem, produzam, empreendam e decidam seu próprio futuro.
O povo Pareci mostra que tradição e modernidade não são inimigas. O indígena pode preservar sua língua, seus rituais, seus pajés, sua família, suas mulheres, seus jovens e, ao mesmo tempo, plantar, colher, comercializar, estudar, usar tecnologia e melhorar de vida.
O Brasil precisa abandonar a visão romântica e atrasada de que o indígena só é indígena se estiver isolado da modernidade. Ser indígena é pertencer a um povo, a uma história e a uma cultura. Mas também é ser cidadão brasileiro, com direito à dignidade, ao trabalho, à renda e à liberdade de escolher o próprio caminho.
Campo Novo do Parecis talvez esteja mostrando ao país uma das discussões mais importantes do nosso tempo: o futuro indígena não deve ser imposto por gabinetes, ONGs ou ideologias. Deve ser construído ouvindo quem vive na aldeia, quem planta, quem colhe, quem cria os filhos e quem sabe, na prática, o que significa lutar por dignidade dentro do próprio território.
Os Pareci foram pioneiros. Agora, o desafio político é transformar essa experiência em política pública séria, segura e respeitosa, para que outras etnias que desejem seguir esse caminho também possam ter oportunidade de produzir, prosperar e viver melhor.

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por Luiz Henrique Menezes

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