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POBREZA

DIA INTERNACIONAL PARA A ERRADICAÇÃO DA POBREZA: UMA CHAMADA À AÇÃO GLOBAL

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Por Renan Dantas
UM MUNDO DE ABUNDÂNCIA MANCHADO PELA PERSISTÊNCIA DA POBREZA
O mundo de hoje, rico em recursos e oportunidades, ainda enfrenta um desafio persistente – a pobreza. Cerca de 700 milhões de pessoas lutam para sobreviver com menos de 2,15 dólares por dia. Mais de um bilhão de indivíduos carecem de necessidades básicas, como alimentos, água, cuidados de saúde e educação.
DESIGUALDADE, CONFLITOS E DISCRIMINAÇÃO: FATORES QUE AGRAVAM A POBREZA
A pobreza é agravada por conflitos, a crise climática e a discriminação, especialmente contra as mulheres. Além das necessidades básicas, milhares de milhões de pessoas enfrentam a falta de saneamento, acesso à energia, emprego, habitação e redes de segurança social.

DESAFIOS FINANCEIROS GLOBAIS: BARREIRAS PARA A REDUÇÃO DA POBREZA
Um sistema financeiro mundial desatualizado e injusto impede os países em desenvolvimento de investirem na redução da pobreza e na consecução dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).
COMPROMISSOS GLOBAIS PARA ERRADICAR A POBREZA

Foto: Renan Dantas
Líderes mundiais reconhecem a necessidade de reformar a arquitetura financeira internacional. Eles se comprometem a um plano ambicioso para resgatar os ODS e acelerar os esforços para erradicar a pobreza em todo o mundo, incluindo um financiamento de investimento de pelo menos 500 bilhões de dólares por ano.
TRABALHO DECENTE E PROTEÇÃO SOCIAL: PRIORIDADES PARA A ERRADICAÇÃO DA POBREZA
O lema deste ano, “Trabalho Decente e Proteção Social: Colocar a dignidade em prática para todos”, destaca a importância de medidas como a transformação dos sistemas alimentares e educativos, a criação de empregos dignos e a expansão da proteção social.
DESAFIO GLOBAL, SOLUÇÃO GLOBAL
A erradicação da pobreza é o desafio do nosso tempo. É um desafio que pode ser superado, desde que unamos nossas forças para enfrentá-lo. Neste Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza, renovemos nosso compromisso em direção a um mundo

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livre da pobreza, onde a dignidade humana e o bem-estar ambiental sejam prioridades, superando as preocupações financeiras.
FALA DO SECRETÁRIO-GERAL DA ONU
SECRETÁRIO-GERAL DA ONU — 17 de outubro de 2023
“No nosso mundo de abundância, a pobreza não deveria existir. No entanto, ao assinalarmos o Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza, cerca de 700 milhões de pessoas mal conseguem sobreviver, vivendo com menos de 2,15 dólares por dia. Mais de mil milhões de pessoas estão privadas de necessidades básicas como alimentos, água, cuidados de saúde e educação. Outros milhares de milhões carecem de saneamento e de acesso a energia, emprego, habitação e redes de segurança social.
Entretanto, os conflitos, a crise climática, a discriminação e a exclusão, em especial das mulheres, agravam o sofrimento. Esta situação é agravada por um sistema financeiro mundial desatualizado, disfuncional e injusto que impede o investimento dos países em desenvolvimento na redução da pobreza e nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).
Ao ritmo atual, quase 500 milhões de pessoas continuarão a viver em situação de pobreza extrema em 2030. Esta situação é inaceitável. Na Cimeira dos ODS, realizada em setembro, os líderes mundiais reconheceram a necessidade de reformar a arquitetura financeira internacional e comprometeram-se com um plano ambicioso para resgatar os ODS e acelerar os esforços para erradicar a pobreza em todo o mundo. Isto inclui o apoio a um plano de aceleração dos ODS de, pelo menos, 500 mil milhões de dólares por ano em financiamento de investimentos para os alcançar.
Os líderes mundiais também acordaram uma ação ajustada para aliviar a pobreza e o sofrimento de todas as pessoas, desde a transformação dos sistemas alimentares e educativos até à criação de empregos dignos e à expansão da proteção social, tal como salientado pelo lema deste ano. Acabar com a pobreza é o desafio do nosso tempo. Mas é um desafio que podemos vencer. Neste dia importante, renovemos o nosso compromisso com um mundo livre de pobreza.”

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AGRO & NEGÓCIOS

Indígenas Parecis mostram que produzir também é preservar a dignidade

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Campo Novo do Parecis, em Mato Grosso, abriga uma experiência pioneira no Brasil: a produção agrícola conduzida por indígenas dentro de seu próprio território, de forma organizada, coletiva e com olhar voltado para o futuro.

Durante reunião com lideranças indígenas da região, os pré-candidatos Dra. Paula Boaventura, à Câmara Federal, e Antônio Galvan, ao Senado, ouviram relatos fortes sobre a realidade dos Haliti-Pareci, povo que há anos enfrenta burocracias, embargos, preconceitos e visões ultrapassadas sobre o que é ser indígena no Brasil atual.


fAdilson Muziwane/Paula Boaventura

A principal mensagem deixada pelas lideranças foi clara: o indígena de hoje não pode ser condenado a viver como se o Brasil ainda estivesse em 1500. A cultura permanece, a tradição permanece, a família permanece. Mas o mundo mudou. A alimentação mudou. A saúde exige melhores condições. A educação exige investimento. E a dignidade exige trabalho.
“Somos seres humanos, somos brasileiros e temos o direito de viver bem dentro do nosso território, através do nosso próprio trabalho”, resumiu uma das lideranças.

Os Pareci defendem uma política pública que reconheça a diversidade dos povos indígenas. Só em Mato Grosso, são dezenas de etnias, cada uma com sua história, seu tempo de contato, sua cultura e sua realidade. Por isso, segundo eles, não é possível que uma única visão ideológica, muitas vezes construída longe das aldeias, determine o futuro de todos.

A experiência agrícola dos Pareci mostra que é possível produzir, gerar renda, manter a cultura e melhorar a qualidade de vida. Arnaldo Zuni Zakaê relata que, antes da agricultura, muitas famílias dependiam quase exclusivamente de aposentadorias, cargos na saúde ou na educação. Hoje, a produção abriu novas oportunidades: trabalho nas lavouras, cooperativas, associações, operação de máquinas, gestão, pesquisa, tecnologia e distribuição de renda.

O resultado, segundo os relatos, aparece na vida real. A população aumentou, a alimentação melhorou, a mortalidade caiu e os jovens passaram a enxergar futuro dentro do próprio território. “Saúde não se faz só com remédio. Saúde se faz com alimentação”, afirmou Arnaldo.

Também chamou atenção a participação das mulheres indígenas. Sônia Aparecida Zoazo Kamaero, agricultora, formada em Direito e especialista na área ambiental, explicou que a produção não rompeu com a cultura familiar, mas se adequou a ela. Segundo ela, na tradição Pareci, a mulher sempre teve papel fundamental na colheita, na formação da família e na transmissão de valores. Hoje, além disso, participa das decisões técnicas e econômicas.


“O homem é o guarda-chuva, a mulher é o pilar. Um não anda sem o outro”, afirmou Sônia.
O que os Pareci pedem não é privilégio. É segurança jurídica. É o direito de planejar a longo prazo. É poder acessar crédito, licenciamento, tecnologia e comercialização sem viver sob ameaça permanente de que uma mudança política ou uma interpretação burocrática paralise tudo.

Antônio Galvan, ex-presidente da Aprosoja MT e da Aprosoja Brasil, defendeu que os indígenas tenham direito real ao uso produtivo de parte de seus territórios, sempre com responsabilidade. Para ele, a experiência Pareci prova que o trabalho melhora a vida nas aldeias e pode servir de exemplo para outras etnias que desejam produzir.

Dra. Paula Boaventura também reforçou compromisso com a regulamentação, com a segurança jurídica e com políticas públicas que respeitem a autonomia indígena. De origem Bororo, ela destacou a importância da família, da tradição e do desenvolvimento como caminhos que podem andar juntos.

A reflexão que fica é simples: não se combate pobreza mantendo povos inteiros dependentes de assistencialismo. Também não se preserva cultura impedindo que indígenas estudem, produzam, empreendam e decidam seu próprio futuro.
O povo Pareci mostra que tradição e modernidade não são inimigas. O indígena pode preservar sua língua, seus rituais, seus pajés, sua família, suas mulheres, seus jovens e, ao mesmo tempo, plantar, colher, comercializar, estudar, usar tecnologia e melhorar de vida.
O Brasil precisa abandonar a visão romântica e atrasada de que o indígena só é indígena se estiver isolado da modernidade. Ser indígena é pertencer a um povo, a uma história e a uma cultura. Mas também é ser cidadão brasileiro, com direito à dignidade, ao trabalho, à renda e à liberdade de escolher o próprio caminho.
Campo Novo do Parecis talvez esteja mostrando ao país uma das discussões mais importantes do nosso tempo: o futuro indígena não deve ser imposto por gabinetes, ONGs ou ideologias. Deve ser construído ouvindo quem vive na aldeia, quem planta, quem colhe, quem cria os filhos e quem sabe, na prática, o que significa lutar por dignidade dentro do próprio território.
Os Pareci foram pioneiros. Agora, o desafio político é transformar essa experiência em política pública séria, segura e respeitosa, para que outras etnias que desejem seguir esse caminho também possam ter oportunidade de produzir, prosperar e viver melhor.

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por Luiz Henrique Menezes

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