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Carnaval Off Cerrado encerra primeira edição com integração, aventura e espírito de liberdade nas estradas de Mato Grosso

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O último dia da primeira edição do Carnaval Off Cerrado marcou, nesta terça-feira (17), feriado de Carnaval, o encerramento de um evento que já nasce com vocação para se tornar tradição no calendário turístico e esportivo de Cuiabá. Organizado por um ex-piloto de motociclismo e atual instrutor de pilotagem de motos de alta cilindrada, o encontro reuniu, ao longo de três dias, amantes das duas rodas em percursos que mesclaram estrada de chão e asfalto.


Durante o período carnavalesco, pilotos experientes e também participantes de primeira viagem encararam o desafio com entusiasmo, espírito de companheirismo e respeito à natureza, reforçando a proposta do evento: oferecer uma alternativa para quem prefere trocar o agito dos blocos pela liberdade da estrada.


A terceira e última rota teve início às 6h30, com saída do Aquário Municipal de Cuiabá, na Orla do Porto, região norte da capital. O grupo seguiu inicialmente pela MT-251 (Estrada de Chapada), acessando vias secundárias em direção ao Distrito do Aguaçu.
Após o primeiro reagrupar, os motociclistas seguiram rumo à Serra das Laranjeiras, onde foram recebidos com um café da manhã preparado por membros da associação de agricultura familiar local, em um momento de integração entre esporte, turismo e comunidade.

O percurso continuou passando pela comunidade Baú, Torre da Embratel e Sítio MM, ponto de parada para refeição. Em seguida, o grupo enfrentou a subida da serra em baixa velocidade, registrando imagens e momentos marcantes da expedição, antes de seguir até a Cachoeira dos Macacos. No retorno, já em trecho asfaltado, os participantes passaram pelo Distrito de Nossa Senhora da Guia e seguiram até Cuiabá, encerrando o trajeto no Jaca Píer Bar, na Orla do Porto.

Quilometragem do dia

  • 80 km de asfalto
  • 120 km de estrada de chão
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O último dia do evento contou com a presença do prefeito de Cuiabá, Abílio Brunini, e da primeira-dama e vereadora Samantah Iris, que acompanharam parte do percurso com Abílio pilotando uma big trail, reforçando o apoio institucional à iniciativa. A organização também contou com suporte técnico especializado da Suzuki Cuiabá e da Studio Poroto Motos, que acompanharam o grupo, orientaram os participantes e garantiram mais segurança durante todo o trajeto.

A primeira edição do Carnaval Off Cerrado teve apoio fundamental de instituições públicas e forças de segurança:

A presença dessas instituições garantiu tranquilidade, organização e respaldo logístico aos participantes.

Um novo caminho para o Carnaval em Cuiabá

Mais do que um evento esportivo, o Carnaval Off Cerrado mostrou que é possível viver o feriado de forma diferente: explorando paisagens, fortalecendo amizades, promovendo o turismo regional e valorizando a cultura das duas rodas.

Com organização, estrutura e participação expressiva, a iniciativa desponta como forte candidata a integrar oficialmente o calendário municipal, oferecendo uma alternativa para quem deseja conhecer melhor Cuiabá e a Baixada Cuiabana sobre duas rodas, sentindo o vento no rosto e a liberdade da estrada.

A primeira edição termina deixando como legado a união entre pilotos, comunidades, poder público e iniciativa privada, e a expectativa de que, nos próximos anos, o evento cresça ainda mais, consolidando-se como referência no motociclismo de aventura em Mato Grosso.

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AGRO & NEGÓCIOS

Indígenas Parecis mostram que produzir também é preservar a dignidade

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Campo Novo do Parecis, em Mato Grosso, abriga uma experiência pioneira no Brasil: a produção agrícola conduzida por indígenas dentro de seu próprio território, de forma organizada, coletiva e com olhar voltado para o futuro.

Durante reunião com lideranças indígenas da região, os pré-candidatos Dra. Paula Boaventura, à Câmara Federal, e Antônio Galvan, ao Senado, ouviram relatos fortes sobre a realidade dos Haliti-Pareci, povo que há anos enfrenta burocracias, embargos, preconceitos e visões ultrapassadas sobre o que é ser indígena no Brasil atual.


fAdilson Muziwane/Paula Boaventura

A principal mensagem deixada pelas lideranças foi clara: o indígena de hoje não pode ser condenado a viver como se o Brasil ainda estivesse em 1500. A cultura permanece, a tradição permanece, a família permanece. Mas o mundo mudou. A alimentação mudou. A saúde exige melhores condições. A educação exige investimento. E a dignidade exige trabalho.
“Somos seres humanos, somos brasileiros e temos o direito de viver bem dentro do nosso território, através do nosso próprio trabalho”, resumiu uma das lideranças.

Os Pareci defendem uma política pública que reconheça a diversidade dos povos indígenas. Só em Mato Grosso, são dezenas de etnias, cada uma com sua história, seu tempo de contato, sua cultura e sua realidade. Por isso, segundo eles, não é possível que uma única visão ideológica, muitas vezes construída longe das aldeias, determine o futuro de todos.

A experiência agrícola dos Pareci mostra que é possível produzir, gerar renda, manter a cultura e melhorar a qualidade de vida. Arnaldo Zuni Zakaê relata que, antes da agricultura, muitas famílias dependiam quase exclusivamente de aposentadorias, cargos na saúde ou na educação. Hoje, a produção abriu novas oportunidades: trabalho nas lavouras, cooperativas, associações, operação de máquinas, gestão, pesquisa, tecnologia e distribuição de renda.

O resultado, segundo os relatos, aparece na vida real. A população aumentou, a alimentação melhorou, a mortalidade caiu e os jovens passaram a enxergar futuro dentro do próprio território. “Saúde não se faz só com remédio. Saúde se faz com alimentação”, afirmou Arnaldo.

Também chamou atenção a participação das mulheres indígenas. Sônia Aparecida Zoazo Kamaero, agricultora, formada em Direito e especialista na área ambiental, explicou que a produção não rompeu com a cultura familiar, mas se adequou a ela. Segundo ela, na tradição Pareci, a mulher sempre teve papel fundamental na colheita, na formação da família e na transmissão de valores. Hoje, além disso, participa das decisões técnicas e econômicas.


“O homem é o guarda-chuva, a mulher é o pilar. Um não anda sem o outro”, afirmou Sônia.
O que os Pareci pedem não é privilégio. É segurança jurídica. É o direito de planejar a longo prazo. É poder acessar crédito, licenciamento, tecnologia e comercialização sem viver sob ameaça permanente de que uma mudança política ou uma interpretação burocrática paralise tudo.

Antônio Galvan, ex-presidente da Aprosoja MT e da Aprosoja Brasil, defendeu que os indígenas tenham direito real ao uso produtivo de parte de seus territórios, sempre com responsabilidade. Para ele, a experiência Pareci prova que o trabalho melhora a vida nas aldeias e pode servir de exemplo para outras etnias que desejam produzir.

Dra. Paula Boaventura também reforçou compromisso com a regulamentação, com a segurança jurídica e com políticas públicas que respeitem a autonomia indígena. De origem Bororo, ela destacou a importância da família, da tradição e do desenvolvimento como caminhos que podem andar juntos.

A reflexão que fica é simples: não se combate pobreza mantendo povos inteiros dependentes de assistencialismo. Também não se preserva cultura impedindo que indígenas estudem, produzam, empreendam e decidam seu próprio futuro.
O povo Pareci mostra que tradição e modernidade não são inimigas. O indígena pode preservar sua língua, seus rituais, seus pajés, sua família, suas mulheres, seus jovens e, ao mesmo tempo, plantar, colher, comercializar, estudar, usar tecnologia e melhorar de vida.
O Brasil precisa abandonar a visão romântica e atrasada de que o indígena só é indígena se estiver isolado da modernidade. Ser indígena é pertencer a um povo, a uma história e a uma cultura. Mas também é ser cidadão brasileiro, com direito à dignidade, ao trabalho, à renda e à liberdade de escolher o próprio caminho.
Campo Novo do Parecis talvez esteja mostrando ao país uma das discussões mais importantes do nosso tempo: o futuro indígena não deve ser imposto por gabinetes, ONGs ou ideologias. Deve ser construído ouvindo quem vive na aldeia, quem planta, quem colhe, quem cria os filhos e quem sabe, na prática, o que significa lutar por dignidade dentro do próprio território.
Os Pareci foram pioneiros. Agora, o desafio político é transformar essa experiência em política pública séria, segura e respeitosa, para que outras etnias que desejem seguir esse caminho também possam ter oportunidade de produzir, prosperar e viver melhor.

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por Luiz Henrique Menezes

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