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BAZAR DO BEM SUPERA PRIMEIRA EDIÇÃO E ENTREGA MAIS DE R$ 103 MIL PARA A LÍRIOS

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A LÍRIOS ATENDE MULHERES E CRIANÇAS VÍTIMAS DE VIOLÊNCIA E RECENTEMENTE RECEBEU UM PRÊMIO DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE MATO GROSSO TAMBÉM ENTREGUE A PREFEITURA DE VÁRZEA GRANDE PELOS RESULTADO OBTIDOS.

O prefeito de Várzea Grande Kalil Baracat e a primeira-dama e idealizadora do Gabinete de Apoio às Ações Transformadoras (GAAT), promotora de Justiça, Kika Dorilêo Baracat, entregaram para a diretora executiva da Lírios – Liga de Reestruturação das Irmãs Ofendidas no Seu Sentimento, Maria Fernanda Figueiredo, um cheque simbólico no valor de R$ 103.256,10 relativo à arrecadação da Segunda Edição do Bazar do Bem, realizado nos dias 30 de novembro e 1º de dezembro, com a venda de mais de 6 mil peças de roupas, calçados e acessórios. A solenidade de entrega ocorreu no gabinete do Executivo municipal.
A Lírios é uma entidade filantrópica que tem como objetivo combater a violência contra a mulher. Ela existe há 9 anos e, nesse período, já prestou assistência psicossocial para mais de 13 mil mulheres e meninas, por meio de terapias com psicólogas, palestras e oficinas. De acordo com a diretora executiva da Lírios, Maria Fernanda Figueiredo, o dinheiro doado pelo GAAT será utilizado para construir a sede própria da instituição.
“Nós ganhamos um terreno e nosso intuito é que esse dinheiro seja o primeiro tijolo dessa obra de construção da sede, onde nós vamos acolher homens e mulheres porque o agressor também precisa ser tratado para que ele não promova agressões contra ninguém. Também vamos trabalhar na qualificação dessas pessoas para que eles possam, através do empreendedorismo, sair do ciclo de violência. Curar o seu emocional e fazer com que as pessoas tenham potencial de se autossustentar e assim evitar vários tipos de violência dentro do lar”, explica.
A diretora executiva da Lírios registrou sua gratidão pelo suporte recebido por meio do Bazar do Bem. “Quero agradecer primeiro a Deus pois a espiritualidade é a única que nunca se furta de estar conosco. A todas as pessoas e voluntários que disseram sim a este projeto lindo da primeira-dama e à população que teve a sensibilidade de doar e de adquirir as peças”.
O prefeito Kalil Baracat parabenizou a primeira-dama Kika Dorilêo Baracat por ter idealizado e realizado o Bazar do Bem, projeto que classificou como “fantástico” pelo poder de agregação. “Envolve a Prefeitura, toda a sociedade várzea-grandense, vários parceiros, onde a gente consegue de certa forma despertar em todos a importância de se viver bem, em comunidade, sem agressões, sem abusos. Essa ação é uma satisfação e é algo concreto, realizado e com resultados positivos”.
Kalil enalteceu o trabalho realizado pela Lírios e agradeceu a toda a população, que também se engajou na campanha solidária para potencializar o trabalho desenvolvido pela entidade. “Nós tivemos um recorde financeiro, batemos a meta e estamos ajudando uma instituição que presta um grande serviço, que é a Lírios, que atua no combate à violência contra a mulher e crianças e agora, com este recurso, com certeza vai desenvolver mais ainda as atividades e construir a tão sonhada sede. A gente entrega esse valor com muita satisfação e eu agradeço toda a sociedade várzea-grandense por esse valor arrecadado”, afirmou.
A primeira-dama Kika Dorilêo Baracat também agradeceu a todos que atenderam ao chamado dela e do prefeito para contribuir com o Bazar do Bem (tanto doando itens para venda, como ajudando no evento) e àqueles que participaram do bazar adquirindo peças. “O Bazar não seria esse sucesso que foi sem o coração generoso da população de Várzea Grande. E eu e o Kalil somos muito gratos. Nesse cheque de mais de R$ 103 mil tem um pedacinho de cada várzea-grandense que contribuiu e nós queremos agradecer e desejar que Deus retribua em dobro para cada um”, declarou.
Conforme a primeira-dama, a expectativa é de que o Bazar do Bem continue ajudando outros projetos que beneficiem o povo de Várzea Grande. “Se Deus nos permitir e nos der saúde, ano que vem a gente volta com o Bazar. A nossa intenção é sempre nos superar para trazer surpresas boas para a população várzea-grandense e para sempre poder abraçar causas que sejam importantes para a nossa cidade”, afirmou.
Além do prefeito Kalil Baracat e da primeira-dama, Kika Dorilêo Baracat, também foram homenageados como parceiros da Lírios, os secretários de Várzea Grande, Silvio Fidélis (Educação) e Ana Cristina Vieira (Assistência Social) pelos relevantes serviços prestados em prol da causa contra a violência contra as mulheres e crianças.

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AGRO & NEGÓCIOS

Indígenas Parecis mostram que produzir também é preservar a dignidade

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Campo Novo do Parecis, em Mato Grosso, abriga uma experiência pioneira no Brasil: a produção agrícola conduzida por indígenas dentro de seu próprio território, de forma organizada, coletiva e com olhar voltado para o futuro.

Durante reunião com lideranças indígenas da região, os pré-candidatos Dra. Paula Boaventura, à Câmara Federal, e Antônio Galvan, ao Senado, ouviram relatos fortes sobre a realidade dos Haliti-Pareci, povo que há anos enfrenta burocracias, embargos, preconceitos e visões ultrapassadas sobre o que é ser indígena no Brasil atual.


fAdilson Muziwane/Paula Boaventura

A principal mensagem deixada pelas lideranças foi clara: o indígena de hoje não pode ser condenado a viver como se o Brasil ainda estivesse em 1500. A cultura permanece, a tradição permanece, a família permanece. Mas o mundo mudou. A alimentação mudou. A saúde exige melhores condições. A educação exige investimento. E a dignidade exige trabalho.
“Somos seres humanos, somos brasileiros e temos o direito de viver bem dentro do nosso território, através do nosso próprio trabalho”, resumiu uma das lideranças.

Os Pareci defendem uma política pública que reconheça a diversidade dos povos indígenas. Só em Mato Grosso, são dezenas de etnias, cada uma com sua história, seu tempo de contato, sua cultura e sua realidade. Por isso, segundo eles, não é possível que uma única visão ideológica, muitas vezes construída longe das aldeias, determine o futuro de todos.

A experiência agrícola dos Pareci mostra que é possível produzir, gerar renda, manter a cultura e melhorar a qualidade de vida. Arnaldo Zuni Zakaê relata que, antes da agricultura, muitas famílias dependiam quase exclusivamente de aposentadorias, cargos na saúde ou na educação. Hoje, a produção abriu novas oportunidades: trabalho nas lavouras, cooperativas, associações, operação de máquinas, gestão, pesquisa, tecnologia e distribuição de renda.

O resultado, segundo os relatos, aparece na vida real. A população aumentou, a alimentação melhorou, a mortalidade caiu e os jovens passaram a enxergar futuro dentro do próprio território. “Saúde não se faz só com remédio. Saúde se faz com alimentação”, afirmou Arnaldo.

Também chamou atenção a participação das mulheres indígenas. Sônia Aparecida Zoazo Kamaero, agricultora, formada em Direito e especialista na área ambiental, explicou que a produção não rompeu com a cultura familiar, mas se adequou a ela. Segundo ela, na tradição Pareci, a mulher sempre teve papel fundamental na colheita, na formação da família e na transmissão de valores. Hoje, além disso, participa das decisões técnicas e econômicas.


“O homem é o guarda-chuva, a mulher é o pilar. Um não anda sem o outro”, afirmou Sônia.
O que os Pareci pedem não é privilégio. É segurança jurídica. É o direito de planejar a longo prazo. É poder acessar crédito, licenciamento, tecnologia e comercialização sem viver sob ameaça permanente de que uma mudança política ou uma interpretação burocrática paralise tudo.

Antônio Galvan, ex-presidente da Aprosoja MT e da Aprosoja Brasil, defendeu que os indígenas tenham direito real ao uso produtivo de parte de seus territórios, sempre com responsabilidade. Para ele, a experiência Pareci prova que o trabalho melhora a vida nas aldeias e pode servir de exemplo para outras etnias que desejam produzir.

Dra. Paula Boaventura também reforçou compromisso com a regulamentação, com a segurança jurídica e com políticas públicas que respeitem a autonomia indígena. De origem Bororo, ela destacou a importância da família, da tradição e do desenvolvimento como caminhos que podem andar juntos.

A reflexão que fica é simples: não se combate pobreza mantendo povos inteiros dependentes de assistencialismo. Também não se preserva cultura impedindo que indígenas estudem, produzam, empreendam e decidam seu próprio futuro.
O povo Pareci mostra que tradição e modernidade não são inimigas. O indígena pode preservar sua língua, seus rituais, seus pajés, sua família, suas mulheres, seus jovens e, ao mesmo tempo, plantar, colher, comercializar, estudar, usar tecnologia e melhorar de vida.
O Brasil precisa abandonar a visão romântica e atrasada de que o indígena só é indígena se estiver isolado da modernidade. Ser indígena é pertencer a um povo, a uma história e a uma cultura. Mas também é ser cidadão brasileiro, com direito à dignidade, ao trabalho, à renda e à liberdade de escolher o próprio caminho.
Campo Novo do Parecis talvez esteja mostrando ao país uma das discussões mais importantes do nosso tempo: o futuro indígena não deve ser imposto por gabinetes, ONGs ou ideologias. Deve ser construído ouvindo quem vive na aldeia, quem planta, quem colhe, quem cria os filhos e quem sabe, na prática, o que significa lutar por dignidade dentro do próprio território.
Os Pareci foram pioneiros. Agora, o desafio político é transformar essa experiência em política pública séria, segura e respeitosa, para que outras etnias que desejem seguir esse caminho também possam ter oportunidade de produzir, prosperar e viver melhor.

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por Luiz Henrique Menezes

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