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Atendimento visa ampliar acesso da população aos serviços, especialmente para quem não consegue se dirigir às unidades durante a semana

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Duas unidades de Saúde da Família de Várzea Grande (USF-VG) abriram as portas neste fim de semana para realizar mais uma ação vacinal com foco na ampliação do acesso aos serviços públicos de saúde. As atividades foram realizadas no sábado (5), nas unidades da Manga e do bairro Maringá I, com uma série de atendimentos voltados para toda população.

Na Unidade de Saúde da Manga, os atendimentos ocorreram das 8h às 17h, e foram ofertados os serviços de pesagem do Bolsa Família, troca de receita, atualização do cartão SUS, teste rápido e realização do exame preventivo Papanicolau (CCO). Conforme a gerente da unidade, Celeste Monteiro, as ações realizadas ao sábado sempre têm uma boa aceitação. Ela conta que foram aplicadas 45 doses da vacina contra a influenza, 94 atualizações do caderno vacinal fora os atendimentos de CCO e teste rápido. “Abrir a unidade aos sábados é uma forma de estarmos mais próximos da população, principalmente, para aqueles que não conseguem vir durante a semana”, destaca.

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Já na Unidade de Saúde Maringá, teve uma movimentação intensa até às 13h, período em que ficou aberta a unidade e, quem não perdeu tempo foi a jovem mãe Ermínia Campos, que levou os seis filhos para vacinarem e aproveitou para atualizar o que estava atrasado. Além do mais, atualizou a pesagem das crianças para o programa do Bolsa Família.

A dona Claudenice Bezerra, que trabalha durante a semana, também aproveitou que a unidade abriu no sábado e se vacinou contra a influenza e aproveitou para atualizar a receita. “Estou com sequelas pós Chikungunya. Tem dias que o braço dói, outro dia é o joelho, então aproveitei a médica e já me consultei e peguei uma nova receita”, disse.

Para a gente da unidade, Clauditi da Silva, fazer ações aos sábados tem tido uma ótima aceitação da comunidade local. “Muitos não conseguem vir durante a semana e sábado muitos estão em casa e facilita o acesso”, disse a gerente que durante a ação esse final de semana foram registrados 95 atendimentos para vacinação, 8 trocas de prescrição, além de 60 atualizações do Bolsa Família.

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Para o superintendente da Atenção Primária, Márcio Frederico de Arruda, essas ações aos sábados são organizadas conforme o planejamento de cada unidade e visam ampliar o acesso da população aos serviços, especialmente para quem não consegue se dirigir às unidades durante a semana. “Portanto, é interessante que a população fique atenta às ações que são promovidas pelas unidades de saúde e aproveitar a oportunidade, porque estão sendo ofertados vários serviços como, vacinação, atualização do cartão vacinal, pesagem, consultas, troca de receitas, testes rápidos, CCO e demais procedimentos ofertados gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS)”, frisou.

A estratégia reforça o compromisso da gestão em garantir que os serviços cheguem a quem mais precisa, fortalecendo a prevenção e os cuidados com a saúde da população várzea-grandense.

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Indígenas Parecis mostram que produzir também é preservar a dignidade

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Campo Novo do Parecis, em Mato Grosso, abriga uma experiência pioneira no Brasil: a produção agrícola conduzida por indígenas dentro de seu próprio território, de forma organizada, coletiva e com olhar voltado para o futuro.

Durante reunião com lideranças indígenas da região, os pré-candidatos Dra. Paula Boaventura, à Câmara Federal, e Antônio Galvan, ao Senado, ouviram relatos fortes sobre a realidade dos Haliti-Pareci, povo que há anos enfrenta burocracias, embargos, preconceitos e visões ultrapassadas sobre o que é ser indígena no Brasil atual.


fAdilson Muziwane/Paula Boaventura

A principal mensagem deixada pelas lideranças foi clara: o indígena de hoje não pode ser condenado a viver como se o Brasil ainda estivesse em 1500. A cultura permanece, a tradição permanece, a família permanece. Mas o mundo mudou. A alimentação mudou. A saúde exige melhores condições. A educação exige investimento. E a dignidade exige trabalho.
“Somos seres humanos, somos brasileiros e temos o direito de viver bem dentro do nosso território, através do nosso próprio trabalho”, resumiu uma das lideranças.

Os Pareci defendem uma política pública que reconheça a diversidade dos povos indígenas. Só em Mato Grosso, são dezenas de etnias, cada uma com sua história, seu tempo de contato, sua cultura e sua realidade. Por isso, segundo eles, não é possível que uma única visão ideológica, muitas vezes construída longe das aldeias, determine o futuro de todos.

A experiência agrícola dos Pareci mostra que é possível produzir, gerar renda, manter a cultura e melhorar a qualidade de vida. Arnaldo Zuni Zakaê relata que, antes da agricultura, muitas famílias dependiam quase exclusivamente de aposentadorias, cargos na saúde ou na educação. Hoje, a produção abriu novas oportunidades: trabalho nas lavouras, cooperativas, associações, operação de máquinas, gestão, pesquisa, tecnologia e distribuição de renda.

O resultado, segundo os relatos, aparece na vida real. A população aumentou, a alimentação melhorou, a mortalidade caiu e os jovens passaram a enxergar futuro dentro do próprio território. “Saúde não se faz só com remédio. Saúde se faz com alimentação”, afirmou Arnaldo.

Também chamou atenção a participação das mulheres indígenas. Sônia Aparecida Zoazo Kamaero, agricultora, formada em Direito e especialista na área ambiental, explicou que a produção não rompeu com a cultura familiar, mas se adequou a ela. Segundo ela, na tradição Pareci, a mulher sempre teve papel fundamental na colheita, na formação da família e na transmissão de valores. Hoje, além disso, participa das decisões técnicas e econômicas.


“O homem é o guarda-chuva, a mulher é o pilar. Um não anda sem o outro”, afirmou Sônia.
O que os Pareci pedem não é privilégio. É segurança jurídica. É o direito de planejar a longo prazo. É poder acessar crédito, licenciamento, tecnologia e comercialização sem viver sob ameaça permanente de que uma mudança política ou uma interpretação burocrática paralise tudo.

Antônio Galvan, ex-presidente da Aprosoja MT e da Aprosoja Brasil, defendeu que os indígenas tenham direito real ao uso produtivo de parte de seus territórios, sempre com responsabilidade. Para ele, a experiência Pareci prova que o trabalho melhora a vida nas aldeias e pode servir de exemplo para outras etnias que desejam produzir.

Dra. Paula Boaventura também reforçou compromisso com a regulamentação, com a segurança jurídica e com políticas públicas que respeitem a autonomia indígena. De origem Bororo, ela destacou a importância da família, da tradição e do desenvolvimento como caminhos que podem andar juntos.

A reflexão que fica é simples: não se combate pobreza mantendo povos inteiros dependentes de assistencialismo. Também não se preserva cultura impedindo que indígenas estudem, produzam, empreendam e decidam seu próprio futuro.
O povo Pareci mostra que tradição e modernidade não são inimigas. O indígena pode preservar sua língua, seus rituais, seus pajés, sua família, suas mulheres, seus jovens e, ao mesmo tempo, plantar, colher, comercializar, estudar, usar tecnologia e melhorar de vida.
O Brasil precisa abandonar a visão romântica e atrasada de que o indígena só é indígena se estiver isolado da modernidade. Ser indígena é pertencer a um povo, a uma história e a uma cultura. Mas também é ser cidadão brasileiro, com direito à dignidade, ao trabalho, à renda e à liberdade de escolher o próprio caminho.
Campo Novo do Parecis talvez esteja mostrando ao país uma das discussões mais importantes do nosso tempo: o futuro indígena não deve ser imposto por gabinetes, ONGs ou ideologias. Deve ser construído ouvindo quem vive na aldeia, quem planta, quem colhe, quem cria os filhos e quem sabe, na prática, o que significa lutar por dignidade dentro do próprio território.
Os Pareci foram pioneiros. Agora, o desafio político é transformar essa experiência em política pública séria, segura e respeitosa, para que outras etnias que desejem seguir esse caminho também possam ter oportunidade de produzir, prosperar e viver melhor.

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por Luiz Henrique Menezes

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