CUIABÁ

Solidariedade em duas rodas

Ação beneficente da Yamaha Cuiabá arrecada alimentos para comunidade carente

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No próximo sábado, 5 de julho, a Motoforte Yamaha realiza em Cuiabá uma grande ação solidária em comemoração aos 70 anos da marca Yamaha no mundo. O evento integra uma mobilização nacional da rede de concessionárias, mas em Mato Grosso, a iniciativa ganha um caráter ainda mais especial: a arrecadação de alimentos para famílias carentes da comunidade Passagem da Conceição.

A concentração começa às 8h30 na sede da Motoforte Yamaha, localizada na Avenida Coronel Escolástico, nº 660, no bairro Bandeirantes. Para participar, basta comparecer à loja até o dia do evento com 1 kg de alimento não perecível. Os donativos serão entregues à diretoria da escola local, que fará a distribuição entre os alunos e suas famílias.

“É o terceiro ano consecutivo que realizamos essa ação. Nos anos anteriores arrecadamos mais de 1.300 quilos de alimentos. Este ano, a expectativa é superar esse número, inclusive já temos doações significativas, como os 300 pacotes de feijão doados pela empresa Tio Lino”, explicou Isaque da Silva, responsável pela organização da ação na concessionária.

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O comboio de motociclistas sairá da loja rumo à Passagem da Conceição por volta das 8h40. No local, será oferecido um café da manhã aos participantes e haverá atividades comemorativas. “Todos os motociclistas, moto clubes e a comunidade em geral estão convidados. É uma festa linda, solidária e de grande impacto social”, completa Isaque.

A iniciativa conta com o apoio de moto clubes como o Bodes do Asfalto, representado pelo coordenador Ademar Franco. Para ele, a ação vai além da entrega de alimentos: “A caridade é a maior expressão do amor. Muitos que hoje passam fome não escolheram essa realidade. Se podemos repartir, que o façamos com alegria”, disse.

Também presente na organização, o motociclista e influenciador Jeff, conhecido como Dr. Pimpolho, reforça o apelo: “Não importa se a sua ajuda é grande ou pequena. Um quilo de alimento pode parecer pouco, mas para quem não tem nada, é muito. Doe sem aparecer, mas com o coração.”

O evento segue até a manhã de sábado, e os alimentos podem ser entregues na loja até às 8h30 do dia 5 de julho.

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Serviço:

O quê: Ação beneficente Yamaha 70 anos

Quando: Sábado, 05 de julho – saída do comboio às 8h40

Onde: Concentração na Motoforte Yamaha – Av. Coronel Escolástico, 660 – Bandeirantes, Cuiabá

Como participar: Levar 1 kg de alimento não perecível até a loja e participar da entrega na Passagem da Conceição

Destino das doações: Escola da comunidade Passagem da Conceição (distribuição para famílias carentes)

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AGRO & NEGÓCIOS

Indígenas Parecis mostram que produzir também é preservar a dignidade

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Campo Novo do Parecis, em Mato Grosso, abriga uma experiência pioneira no Brasil: a produção agrícola conduzida por indígenas dentro de seu próprio território, de forma organizada, coletiva e com olhar voltado para o futuro.

Durante reunião com lideranças indígenas da região, os pré-candidatos Dra. Paula Boaventura, à Câmara Federal, e Antônio Galvan, ao Senado, ouviram relatos fortes sobre a realidade dos Haliti-Pareci, povo que há anos enfrenta burocracias, embargos, preconceitos e visões ultrapassadas sobre o que é ser indígena no Brasil atual.


fAdilson Muziwane/Paula Boaventura

A principal mensagem deixada pelas lideranças foi clara: o indígena de hoje não pode ser condenado a viver como se o Brasil ainda estivesse em 1500. A cultura permanece, a tradição permanece, a família permanece. Mas o mundo mudou. A alimentação mudou. A saúde exige melhores condições. A educação exige investimento. E a dignidade exige trabalho.
“Somos seres humanos, somos brasileiros e temos o direito de viver bem dentro do nosso território, através do nosso próprio trabalho”, resumiu uma das lideranças.

Os Pareci defendem uma política pública que reconheça a diversidade dos povos indígenas. Só em Mato Grosso, são dezenas de etnias, cada uma com sua história, seu tempo de contato, sua cultura e sua realidade. Por isso, segundo eles, não é possível que uma única visão ideológica, muitas vezes construída longe das aldeias, determine o futuro de todos.

A experiência agrícola dos Pareci mostra que é possível produzir, gerar renda, manter a cultura e melhorar a qualidade de vida. Arnaldo Zuni Zakaê relata que, antes da agricultura, muitas famílias dependiam quase exclusivamente de aposentadorias, cargos na saúde ou na educação. Hoje, a produção abriu novas oportunidades: trabalho nas lavouras, cooperativas, associações, operação de máquinas, gestão, pesquisa, tecnologia e distribuição de renda.

O resultado, segundo os relatos, aparece na vida real. A população aumentou, a alimentação melhorou, a mortalidade caiu e os jovens passaram a enxergar futuro dentro do próprio território. “Saúde não se faz só com remédio. Saúde se faz com alimentação”, afirmou Arnaldo.

Também chamou atenção a participação das mulheres indígenas. Sônia Aparecida Zoazo Kamaero, agricultora, formada em Direito e especialista na área ambiental, explicou que a produção não rompeu com a cultura familiar, mas se adequou a ela. Segundo ela, na tradição Pareci, a mulher sempre teve papel fundamental na colheita, na formação da família e na transmissão de valores. Hoje, além disso, participa das decisões técnicas e econômicas.


“O homem é o guarda-chuva, a mulher é o pilar. Um não anda sem o outro”, afirmou Sônia.
O que os Pareci pedem não é privilégio. É segurança jurídica. É o direito de planejar a longo prazo. É poder acessar crédito, licenciamento, tecnologia e comercialização sem viver sob ameaça permanente de que uma mudança política ou uma interpretação burocrática paralise tudo.

Antônio Galvan, ex-presidente da Aprosoja MT e da Aprosoja Brasil, defendeu que os indígenas tenham direito real ao uso produtivo de parte de seus territórios, sempre com responsabilidade. Para ele, a experiência Pareci prova que o trabalho melhora a vida nas aldeias e pode servir de exemplo para outras etnias que desejam produzir.

Dra. Paula Boaventura também reforçou compromisso com a regulamentação, com a segurança jurídica e com políticas públicas que respeitem a autonomia indígena. De origem Bororo, ela destacou a importância da família, da tradição e do desenvolvimento como caminhos que podem andar juntos.

A reflexão que fica é simples: não se combate pobreza mantendo povos inteiros dependentes de assistencialismo. Também não se preserva cultura impedindo que indígenas estudem, produzam, empreendam e decidam seu próprio futuro.
O povo Pareci mostra que tradição e modernidade não são inimigas. O indígena pode preservar sua língua, seus rituais, seus pajés, sua família, suas mulheres, seus jovens e, ao mesmo tempo, plantar, colher, comercializar, estudar, usar tecnologia e melhorar de vida.
O Brasil precisa abandonar a visão romântica e atrasada de que o indígena só é indígena se estiver isolado da modernidade. Ser indígena é pertencer a um povo, a uma história e a uma cultura. Mas também é ser cidadão brasileiro, com direito à dignidade, ao trabalho, à renda e à liberdade de escolher o próprio caminho.
Campo Novo do Parecis talvez esteja mostrando ao país uma das discussões mais importantes do nosso tempo: o futuro indígena não deve ser imposto por gabinetes, ONGs ou ideologias. Deve ser construído ouvindo quem vive na aldeia, quem planta, quem colhe, quem cria os filhos e quem sabe, na prática, o que significa lutar por dignidade dentro do próprio território.
Os Pareci foram pioneiros. Agora, o desafio político é transformar essa experiência em política pública séria, segura e respeitosa, para que outras etnias que desejem seguir esse caminho também possam ter oportunidade de produzir, prosperar e viver melhor.

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por Luiz Henrique Menezes

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