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Presidente da ALMT homenageia 47 personalidades por serviços prestados

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Foto: Helder Faria

Quarenta e sete títulos de cidadão mato-grossense, comendas e moções de aplausos foram entregues durante sessão especial realizada na noite desta segunda-feira (21), por solicitação do presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, deputado estadual Eduardo Botelho (União Brasil). As honrarias representam o reconhecimento pelos relevantes serviços prestados por essas personalidades a Mato Grosso.

“Em verdade, os nossos homenageados, em seus labores diários, junto às suas respectivas comunidades, sempre com seus espíritos impregnados por grandes ideais não se limitaram ao mero cumprimento de seus deveres; fizeram e fazem muito mais do que isso, pois, comprovadamente, cumprem suas obrigações com eficiência, zelo, coragem, e acima de tudo com muito amor e dedicação, contribuindo, incansavelmente, para o desenvolvimento político, social e material das pessoas”, declarou Eduardo Botelho.

Primeiro homenageado da noite, André Luis dos Santos foi agraciado com a Comenda Senador Filinto Müller, considerada a mais alta honraria concedida pelo Poder Legislativo Estadual. Formado em Direito e pós-graduado em Direito Penal, André ingressou na Polícia Militar de Mato Grosso em 2002 e desde 2019 ocupa o posto de 1° sargento. 

Em sua carreira na PM, participou de diversos cursos de formação, serviu no Batalhão de Trânsito, atuou como comandante do tático móvel e atualmente está lotado na Coordenadoria Militar da Assembleia Legislativa. “A Polícia Militar atua nos 141 municípios do estado de Mato Grosso. Hoje, ela é a única instituição que está presente em todos os municípios do estado, levando segurança pra população. Esse é o nosso papel, nosso trabalho e eu estou muito grato e muito feliz por receber essa homenagem”, disse André.

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Na sequência, o presidente da ALMT realizou a entrega da comenda Marechal Cândido Rondon a nove pessoas. A honraria é concedida a personalidades brasileiras ou estrangeiras, civis ou militares, que, por seus méritos pessoais ou relevantes serviços prestados ao Estado de Mato Grosso, fizeram-se merecedoras de público reconhecimento.

Entre os homenageados, estão a juíza da 7ª Vara Criminal Especializada contra o Crime Organizado e coordenadora do Comitê Gestor de Proteção de Dados pessoais do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, Ana Cristina Silva Mendes, e a delegada de polícia titular da Delegacia de Roubos e Furtos de Várzea Grande, Elaine Fernandes de Souza.

Títulos de cidadão mato-grossense foram entregues a 14 personalidades que não nasceram em Mato Grosso, mas, de alguma forma, contribuíram para o desenvolvimento do estado e das pessoas que aqui vivem. Outras 23 pessoas receberam moções de aplausos, entre eles o juiz de direito Jamilson Haddad Campos, que atua há 23 anos em Mato Grosso e há 10, como juiz titular da 1ª Vara Especializada de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher de Cuiabá.

“É uma honra muito grande estar aqui na Assembleia Legislativa recebendo um reconhecimento do presidente, o excelentíssimo deputado Eduardo Botelho, com fundamento nos trabalhos que tenho desenvolvido. A prevenção e o combate à violência contra as mulheres é algo que tem relevância social e ser reconhecido por esse trabalho demonstra que a Assembleia Legislativa, institucionalmente, preocupa-se e valoriza essa temática”, ressaltou o magistrado.

Confira os nomes de todos os homenageados:

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Comenda Senador Filinto Müller

André Luis dos Santos

Comenda Marechal Cândido Rondon

Alexandre Corrêa Mendes

Ana Cristina Silva Mendes

Darwin Salgado Germano

Edvan Manoel de Azevedo

Elaine Fernandes de Souza

Heleno Xavier de Oliveira

Herbe Rodrigues da Silva

Otoniel Gonçalves Pinto

Walter de Melo Fonseca Júnior

Título de Cidadão Mato-grossense

Abraão da Silva Santana

Edson Vieira

Francisco José Maria Coria

Gilberto Colognese Valandro

Giovanni Natale Junior

João Carlos Zanata

Jonny Audrey Soares Braga de Farias

José Batista Filho

Juliana Nogueira

Lourival Lino de Lima

Max Valério Daniel

Moacir José Outeiro Pinto

Otomar Pereira de Pereira

Waléria Moreira Paes Barreto

Moção de Aplausos

Jamilson Haddad Campos

Carlos Henrique Tambarussi

Cláudio Nunes da Silva

Vitor Expedito

Edith Barros Seixas

Velenice Dias de Almeida

Ten. Cel Ernesto Xavier de Lima Júnior

1º ten. Vicente Braz Araújo

Daniel Pereira Duarte

Fábio Nalin

Ten. Cel PM Ronnie Peterson Dias da Silva

1º sargento PM André Luiz dos Santos

1º sargento PM Edson Ribeiro de Moraes

1º sargento PM Etevaldo Gonçalves Duarte

2º sargento PM Antônio Carlos de Almeida

2º sargento PM Lincoln Fernandes Cardoso

2º sargento PM Marcelo Garcia Arruda

2º sargento PM Monir Braz Curvo Arruda

3º sargento PM Claudymeire de Lima Costa Cunha

3º sargento PM Dário Moreira Castilho Neto

3º sargento PM Evanil Vanis Trevisan

3º sargento PM Henry Cristian M. de Oliveira

3º sargento PM Lindomar Ribeiro Pereira

Fonte: ALMT

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Indígenas Parecis mostram que produzir também é preservar a dignidade

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Campo Novo do Parecis, em Mato Grosso, abriga uma experiência pioneira no Brasil: a produção agrícola conduzida por indígenas dentro de seu próprio território, de forma organizada, coletiva e com olhar voltado para o futuro.

Durante reunião com lideranças indígenas da região, os pré-candidatos Dra. Paula Boaventura, à Câmara Federal, e Antônio Galvan, ao Senado, ouviram relatos fortes sobre a realidade dos Haliti-Pareci, povo que há anos enfrenta burocracias, embargos, preconceitos e visões ultrapassadas sobre o que é ser indígena no Brasil atual.


fAdilson Muziwane/Paula Boaventura

A principal mensagem deixada pelas lideranças foi clara: o indígena de hoje não pode ser condenado a viver como se o Brasil ainda estivesse em 1500. A cultura permanece, a tradição permanece, a família permanece. Mas o mundo mudou. A alimentação mudou. A saúde exige melhores condições. A educação exige investimento. E a dignidade exige trabalho.
“Somos seres humanos, somos brasileiros e temos o direito de viver bem dentro do nosso território, através do nosso próprio trabalho”, resumiu uma das lideranças.

Os Pareci defendem uma política pública que reconheça a diversidade dos povos indígenas. Só em Mato Grosso, são dezenas de etnias, cada uma com sua história, seu tempo de contato, sua cultura e sua realidade. Por isso, segundo eles, não é possível que uma única visão ideológica, muitas vezes construída longe das aldeias, determine o futuro de todos.

A experiência agrícola dos Pareci mostra que é possível produzir, gerar renda, manter a cultura e melhorar a qualidade de vida. Arnaldo Zuni Zakaê relata que, antes da agricultura, muitas famílias dependiam quase exclusivamente de aposentadorias, cargos na saúde ou na educação. Hoje, a produção abriu novas oportunidades: trabalho nas lavouras, cooperativas, associações, operação de máquinas, gestão, pesquisa, tecnologia e distribuição de renda.

O resultado, segundo os relatos, aparece na vida real. A população aumentou, a alimentação melhorou, a mortalidade caiu e os jovens passaram a enxergar futuro dentro do próprio território. “Saúde não se faz só com remédio. Saúde se faz com alimentação”, afirmou Arnaldo.

Também chamou atenção a participação das mulheres indígenas. Sônia Aparecida Zoazo Kamaero, agricultora, formada em Direito e especialista na área ambiental, explicou que a produção não rompeu com a cultura familiar, mas se adequou a ela. Segundo ela, na tradição Pareci, a mulher sempre teve papel fundamental na colheita, na formação da família e na transmissão de valores. Hoje, além disso, participa das decisões técnicas e econômicas.


“O homem é o guarda-chuva, a mulher é o pilar. Um não anda sem o outro”, afirmou Sônia.
O que os Pareci pedem não é privilégio. É segurança jurídica. É o direito de planejar a longo prazo. É poder acessar crédito, licenciamento, tecnologia e comercialização sem viver sob ameaça permanente de que uma mudança política ou uma interpretação burocrática paralise tudo.

Antônio Galvan, ex-presidente da Aprosoja MT e da Aprosoja Brasil, defendeu que os indígenas tenham direito real ao uso produtivo de parte de seus territórios, sempre com responsabilidade. Para ele, a experiência Pareci prova que o trabalho melhora a vida nas aldeias e pode servir de exemplo para outras etnias que desejam produzir.

Dra. Paula Boaventura também reforçou compromisso com a regulamentação, com a segurança jurídica e com políticas públicas que respeitem a autonomia indígena. De origem Bororo, ela destacou a importância da família, da tradição e do desenvolvimento como caminhos que podem andar juntos.

A reflexão que fica é simples: não se combate pobreza mantendo povos inteiros dependentes de assistencialismo. Também não se preserva cultura impedindo que indígenas estudem, produzam, empreendam e decidam seu próprio futuro.
O povo Pareci mostra que tradição e modernidade não são inimigas. O indígena pode preservar sua língua, seus rituais, seus pajés, sua família, suas mulheres, seus jovens e, ao mesmo tempo, plantar, colher, comercializar, estudar, usar tecnologia e melhorar de vida.
O Brasil precisa abandonar a visão romântica e atrasada de que o indígena só é indígena se estiver isolado da modernidade. Ser indígena é pertencer a um povo, a uma história e a uma cultura. Mas também é ser cidadão brasileiro, com direito à dignidade, ao trabalho, à renda e à liberdade de escolher o próprio caminho.
Campo Novo do Parecis talvez esteja mostrando ao país uma das discussões mais importantes do nosso tempo: o futuro indígena não deve ser imposto por gabinetes, ONGs ou ideologias. Deve ser construído ouvindo quem vive na aldeia, quem planta, quem colhe, quem cria os filhos e quem sabe, na prática, o que significa lutar por dignidade dentro do próprio território.
Os Pareci foram pioneiros. Agora, o desafio político é transformar essa experiência em política pública séria, segura e respeitosa, para que outras etnias que desejem seguir esse caminho também possam ter oportunidade de produzir, prosperar e viver melhor.

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por Luiz Henrique Menezes

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