CUIABÁ

Profissionalizante

Capacitação em Piscicultura impulsionando produção sustentável em Jaciara

Publicado em

Entre os dias 24 e 27 de fevereiro, o Sindicato Rural de Jaciara, em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural de Mato Grosso (Senar-MT), realizou o curso de Piscicultura, capacitando produtores e interessados na criação de peixes de forma sustentável. Com carga horária de 32 horas, o treinamento combinou aulas teóricas e práticas em campo, proporcionando aos participantes conhecimento técnico e habilidades para aprimorar a produção aquícola na região.

O curso foi ministrado pelo biólogo e instrutor Cosme Alves Rodrigues, que destacou a importância do aprendizado para a profissionalização da atividade. “Trabalhamos com o treinamento em piscicultura, que envolve desde o conhecimento sobre as espécies mais produzidas na região até o monitoramento da qualidade da água. Abordamos temas como licenciamento ambiental, construção correta de viveiros escavados, técnicas de preparação dos ambientes de cultivo e manejo alimentar dos peixes. A ideia é que os participantes saiam capacitados para produzir de forma eficiente e sustentável”, explicou o instrutor.

A capacitação atraiu participantes como Andressa Fernanda Pinto Santana Kil, que viu no curso uma oportunidade de aprimorar a produção em sua propriedade. “Meu marido comprou um sítio que já tinha os tanques prontos, mas eles são muito antigos. A gente soltou a água e vai começar do zero. Para nós, esse curso foi muito importante, aprendemos muito, desde a construção correta do tanque até os cuidados com os peixes. Mesmo quem já tinha tanques cheios aprendeu coisas novas, entendemos que não é só ouvir o que falam, mas sim fazer da maneira certa. A participação foi ótima, fui a única mulher, gostei muito, e isso vai ajudar bastante no nosso sítio. Meu esposo também participou, foi muito bom e esperamos que mais cursos venham para a nossa região”, relatou a produtora.

A presidente do Sindicato Rural de Jaciara, Juliana Bortolini, ressaltou a relevância da capacitação para o setor. “A piscicultura é uma atividade em crescimento e que pode ser uma excelente fonte de renda para os produtores. Capacitar os trabalhadores do campo é essencial para garantir uma produção sustentável e eficiente. Esse curso vem ao encontro dessa necessidade, trazendo conhecimento técnico e promovendo o desenvolvimento da atividade na nossa região”, afirmou.

A mobilizadora do Sindicato, Andréia Nascimento, destacou que a iniciativa representa uma grande oportunidade de aprendizado para as famílias rurais. “O curso não só qualifica os produtores como também abre portas para novas possibilidades na propriedade. Muitas famílias enxergam na piscicultura um meio de diversificação da renda, e essa capacitação oferece todo o suporte para que possam iniciar ou aprimorar sua produção com segurança e conhecimento técnico”, ressaltou.

Leia Também:  Bancada da Bíblia consolida força, mas vive novos desafios

COMENTE ABAIXO:
Advertisement

AGRO & NEGÓCIOS

Indígenas Parecis mostram que produzir também é preservar a dignidade

Published

on

Campo Novo do Parecis, em Mato Grosso, abriga uma experiência pioneira no Brasil: a produção agrícola conduzida por indígenas dentro de seu próprio território, de forma organizada, coletiva e com olhar voltado para o futuro.

Durante reunião com lideranças indígenas da região, os pré-candidatos Dra. Paula Boaventura, à Câmara Federal, e Antônio Galvan, ao Senado, ouviram relatos fortes sobre a realidade dos Haliti-Pareci, povo que há anos enfrenta burocracias, embargos, preconceitos e visões ultrapassadas sobre o que é ser indígena no Brasil atual.


fAdilson Muziwane/Paula Boaventura

A principal mensagem deixada pelas lideranças foi clara: o indígena de hoje não pode ser condenado a viver como se o Brasil ainda estivesse em 1500. A cultura permanece, a tradição permanece, a família permanece. Mas o mundo mudou. A alimentação mudou. A saúde exige melhores condições. A educação exige investimento. E a dignidade exige trabalho.
“Somos seres humanos, somos brasileiros e temos o direito de viver bem dentro do nosso território, através do nosso próprio trabalho”, resumiu uma das lideranças.

Os Pareci defendem uma política pública que reconheça a diversidade dos povos indígenas. Só em Mato Grosso, são dezenas de etnias, cada uma com sua história, seu tempo de contato, sua cultura e sua realidade. Por isso, segundo eles, não é possível que uma única visão ideológica, muitas vezes construída longe das aldeias, determine o futuro de todos.

A experiência agrícola dos Pareci mostra que é possível produzir, gerar renda, manter a cultura e melhorar a qualidade de vida. Arnaldo Zuni Zakaê relata que, antes da agricultura, muitas famílias dependiam quase exclusivamente de aposentadorias, cargos na saúde ou na educação. Hoje, a produção abriu novas oportunidades: trabalho nas lavouras, cooperativas, associações, operação de máquinas, gestão, pesquisa, tecnologia e distribuição de renda.

O resultado, segundo os relatos, aparece na vida real. A população aumentou, a alimentação melhorou, a mortalidade caiu e os jovens passaram a enxergar futuro dentro do próprio território. “Saúde não se faz só com remédio. Saúde se faz com alimentação”, afirmou Arnaldo.

Também chamou atenção a participação das mulheres indígenas. Sônia Aparecida Zoazo Kamaero, agricultora, formada em Direito e especialista na área ambiental, explicou que a produção não rompeu com a cultura familiar, mas se adequou a ela. Segundo ela, na tradição Pareci, a mulher sempre teve papel fundamental na colheita, na formação da família e na transmissão de valores. Hoje, além disso, participa das decisões técnicas e econômicas.


“O homem é o guarda-chuva, a mulher é o pilar. Um não anda sem o outro”, afirmou Sônia.
O que os Pareci pedem não é privilégio. É segurança jurídica. É o direito de planejar a longo prazo. É poder acessar crédito, licenciamento, tecnologia e comercialização sem viver sob ameaça permanente de que uma mudança política ou uma interpretação burocrática paralise tudo.

Antônio Galvan, ex-presidente da Aprosoja MT e da Aprosoja Brasil, defendeu que os indígenas tenham direito real ao uso produtivo de parte de seus territórios, sempre com responsabilidade. Para ele, a experiência Pareci prova que o trabalho melhora a vida nas aldeias e pode servir de exemplo para outras etnias que desejam produzir.

Dra. Paula Boaventura também reforçou compromisso com a regulamentação, com a segurança jurídica e com políticas públicas que respeitem a autonomia indígena. De origem Bororo, ela destacou a importância da família, da tradição e do desenvolvimento como caminhos que podem andar juntos.

A reflexão que fica é simples: não se combate pobreza mantendo povos inteiros dependentes de assistencialismo. Também não se preserva cultura impedindo que indígenas estudem, produzam, empreendam e decidam seu próprio futuro.
O povo Pareci mostra que tradição e modernidade não são inimigas. O indígena pode preservar sua língua, seus rituais, seus pajés, sua família, suas mulheres, seus jovens e, ao mesmo tempo, plantar, colher, comercializar, estudar, usar tecnologia e melhorar de vida.
O Brasil precisa abandonar a visão romântica e atrasada de que o indígena só é indígena se estiver isolado da modernidade. Ser indígena é pertencer a um povo, a uma história e a uma cultura. Mas também é ser cidadão brasileiro, com direito à dignidade, ao trabalho, à renda e à liberdade de escolher o próprio caminho.
Campo Novo do Parecis talvez esteja mostrando ao país uma das discussões mais importantes do nosso tempo: o futuro indígena não deve ser imposto por gabinetes, ONGs ou ideologias. Deve ser construído ouvindo quem vive na aldeia, quem planta, quem colhe, quem cria os filhos e quem sabe, na prática, o que significa lutar por dignidade dentro do próprio território.
Os Pareci foram pioneiros. Agora, o desafio político é transformar essa experiência em política pública séria, segura e respeitosa, para que outras etnias que desejem seguir esse caminho também possam ter oportunidade de produzir, prosperar e viver melhor.

Leia Também:  STF DERRUBA MARCO TEMPORAL PARA DEMARCAÇÃO DE TERRAS INDÍGENAS POR 9 A 2

por Luiz Henrique Menezes

COMENTE ABAIXO:
Continue Reading

CIDADES

POLÍTICA MT

MATO GROSSO

POLÍCIA

MAIS LIDAS DA SEMANA