AGRO & NEGÓCIOS
ALMT realiza reunião para discutir a situação do novo prédio da Unemat em Rondonópolis
Publicado em
16 de novembro de 2022por
Da RedaçãoDiante dos questionamentos, o reitor da instituição de ensino superior, Rodrigo Bruno Zanin, afirmou que está aguardando um posicionamento oficial por parte da prefeitura para discutir os critérios que envolvem a incorporação do prédio pela universidade
Foto: Ronaldo Mazza
Diante das dificuldades para finalização de um acordo entre o município de Rondonópolis e a Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) para instalação de um novo campus, a Assembleia Legislativa de Mato Grosso realizou uma reunião para intermediar os diálogos. O encontro, ocorrido na manhã desta quarta-feira (16), foi uma iniciativa do deputado Thiago Silva (MDB) e reuniu representantes da instituição, dos acadêmicos e do Estado, por meio da Secretaria Estadual Ciência, Tecnologia e Inovação (Secitec). O Poder Executivo do município de Rondonópolis não se fez presente.
“O objetivo dessa convocação é esclarecer todas as dúvidas e pendências sobre o que está dependendo da Unemat para que o prédio comece a funcionar”, explicou o parlamentar. “A sua construção é uma iniciativa do município, mas falta oficializar a doação ou cessão para que a instituição se instale e os alunos possam começar a estudar nessa nova estrutura”, complementou.
Com oferta de cursos superiores desde 2017 no município, as aulas são ministradas nas instalações da Escola Estadual Professora Stela Maris Valeriano da Silva, no bairro Residencial Edelmina Querubim Marchetti, cujas condições são muito questionadas pelos universitários, conforme explicou o aluno do curso de Direito, Daniel da Silva Gonçalves.
“A escola, onde as aulas acontecem, não é apropriada para ensino superior e funciona junto com as turmas do ensino secundário, que é outra dinâmica. O que não é bom para nenhum dos dois”, lamentou. “Além disso, os alunos do período noturno sofrem com a insegurança, por ser um lugar afastado e de pouco movimento, onde nem carros de aplicativo aceitam solicitações”, falou com preocupação. “É inadmissível, a universidade funcionar de forma tão precária tendo um prédio construído exclusivamente para abrigar a instituição”, frisou.
Gonçalves questionou ainda a exclusão dos alunos das discussões que envolvem o impasse para ocupação do novo prédio. “É imprescindível que os alunos participem e sejam ouvidos em suas demandas porque, além de tudo isso que envolve as condições de funcionamento, existe o receio quanto ao futuro dos cursos, caso não seja criado o campus”, destacou.
Diante dos questionamentos, o reitor da instituição de ensino superior, Rodrigo Bruno Zanin, afirmou que está aguardando um posicionamento oficial por parte da prefeitura para discutir os critérios que envolvem a incorporação do prédio pela universidade. “A prefeitura resolveu doar uma área para Unemat e a construção foi em parceria com a iniciativa privada para efetivação de um campus no município. Mas ainda é preciso sentar e debater tudo que envolve essa incorporação de uma nova estrutura, o que não foi formalizado”, afirmou. Segundo ele, o processo precisa considerar as viabilidades orçamentárias tanto para manutenção do prédio e segurança, como as possibilidades de investimento no desenvolvimento pedagógico para estruturação dos cursos existentes e possível ampliação da grade.
Mesmo com a ausência de representante da prefeitura de Rondonópolis, o deputado Thiago Silva considerou a reunião muito produtiva e anunciou que vai encaminhar uma nova convocação. “Vamos novamente oficiar o governo do estado e a Prefeitura de Rondonópolis para marcar outra reunião com a Unemat a fim de resolver de vez essa situação”, adiantou. “O que mais preocupa é a afirmação do reitor de que não existe, por parte do município, nenhum documento que oficialize as condições para que o prédio seja passado à universidade”, afirmou. “Precisamos tramitar isso o quanto antes”, defendeu.
Unemat Rondonópolis
Instalado em 2017, é considerado um núcleo avançado e oferece vagas para formação nos cursos de direito, ciências da computação, engenharia civil, jornalismo, letras e pedagogia. As turmas estão divididas nos três turnos e as aulas são ministradas nas instalações da Escola Estadual Professora Stela Maris Valeriano da Silva, que atende aos alunos do ensino fundamental e médio.
O novo prédio: a construção da estrutura para sediar a Unemat no município foi viabilizada pela parceria da Prefeitura, que fez a doação do terreno e quatro empresas aderentes ao projeto, por meio de uma cooperação social. O valor estimado da obra é de R $8 milhões. A Prefeitura entrou com a doação do terreno, o cercamento da área, a terraplanagem e a confecção do projeto arquitetônico, que é assinado pela arquiteta Juliana Zancanaro, uma ex-aluna da Unemat. Além dela, também participou da elaboração do projeto o arquiteto Weslley Diego Figueiredo Ramos. As obras foram custeadas pelas empresas MDM, Grupo Rondobens, Grupo Echer e Grupo Euro.
A estrutura está praticamente pronta, restando apenas a finalização da parte hidráulica e elétrica. Ela conta com 36 salas de aulas, duas salas administrativas, refeitório, biblioteca e auditório para 300 pessoas. A sua capacidade será para abrigar mais de 1.800 estudantes (conforme projeto na prefeitura). O prédio fica localizado num terreno de 101 mil metros quadrados na área do antigo aeroporto, na saída para Cuiabá.
Fonte: ALMT
AGRO & NEGÓCIOS
Indígenas Parecis mostram que produzir também é preservar a dignidade
Published
3 dias atráson
11 de junho de 2026By
Da Redação
Campo Novo do Parecis, em Mato Grosso, abriga uma experiência pioneira no Brasil: a produção agrícola conduzida por indígenas dentro de seu próprio território, de forma organizada, coletiva e com olhar voltado para o futuro.

Durante reunião com lideranças indígenas da região, os pré-candidatos Dra. Paula Boaventura, à Câmara Federal, e Antônio Galvan, ao Senado, ouviram relatos fortes sobre a realidade dos Haliti-Pareci, povo que há anos enfrenta burocracias, embargos, preconceitos e visões ultrapassadas sobre o que é ser indígena no Brasil atual.

fAdilson Muziwane/Paula Boaventura
A principal mensagem deixada pelas lideranças foi clara: o indígena de hoje não pode ser condenado a viver como se o Brasil ainda estivesse em 1500. A cultura permanece, a tradição permanece, a família permanece. Mas o mundo mudou. A alimentação mudou. A saúde exige melhores condições. A educação exige investimento. E a dignidade exige trabalho.
“Somos seres humanos, somos brasileiros e temos o direito de viver bem dentro do nosso território, através do nosso próprio trabalho”, resumiu uma das lideranças.

Os Pareci defendem uma política pública que reconheça a diversidade dos povos indígenas. Só em Mato Grosso, são dezenas de etnias, cada uma com sua história, seu tempo de contato, sua cultura e sua realidade. Por isso, segundo eles, não é possível que uma única visão ideológica, muitas vezes construída longe das aldeias, determine o futuro de todos.

A experiência agrícola dos Pareci mostra que é possível produzir, gerar renda, manter a cultura e melhorar a qualidade de vida. Arnaldo Zuni Zakaê relata que, antes da agricultura, muitas famílias dependiam quase exclusivamente de aposentadorias, cargos na saúde ou na educação. Hoje, a produção abriu novas oportunidades: trabalho nas lavouras, cooperativas, associações, operação de máquinas, gestão, pesquisa, tecnologia e distribuição de renda.
O resultado, segundo os relatos, aparece na vida real. A população aumentou, a alimentação melhorou, a mortalidade caiu e os jovens passaram a enxergar futuro dentro do próprio território. “Saúde não se faz só com remédio. Saúde se faz com alimentação”, afirmou Arnaldo.

Também chamou atenção a participação das mulheres indígenas. Sônia Aparecida Zoazo Kamaero, agricultora, formada em Direito e especialista na área ambiental, explicou que a produção não rompeu com a cultura familiar, mas se adequou a ela. Segundo ela, na tradição Pareci, a mulher sempre teve papel fundamental na colheita, na formação da família e na transmissão de valores. Hoje, além disso, participa das decisões técnicas e econômicas.

“O homem é o guarda-chuva, a mulher é o pilar. Um não anda sem o outro”, afirmou Sônia.
O que os Pareci pedem não é privilégio. É segurança jurídica. É o direito de planejar a longo prazo. É poder acessar crédito, licenciamento, tecnologia e comercialização sem viver sob ameaça permanente de que uma mudança política ou uma interpretação burocrática paralise tudo.

Antônio Galvan, ex-presidente da Aprosoja MT e da Aprosoja Brasil, defendeu que os indígenas tenham direito real ao uso produtivo de parte de seus territórios, sempre com responsabilidade. Para ele, a experiência Pareci prova que o trabalho melhora a vida nas aldeias e pode servir de exemplo para outras etnias que desejam produzir.

Dra. Paula Boaventura também reforçou compromisso com a regulamentação, com a segurança jurídica e com políticas públicas que respeitem a autonomia indígena. De origem Bororo, ela destacou a importância da família, da tradição e do desenvolvimento como caminhos que podem andar juntos.
A reflexão que fica é simples: não se combate pobreza mantendo povos inteiros dependentes de assistencialismo. Também não se preserva cultura impedindo que indígenas estudem, produzam, empreendam e decidam seu próprio futuro.
O povo Pareci mostra que tradição e modernidade não são inimigas. O indígena pode preservar sua língua, seus rituais, seus pajés, sua família, suas mulheres, seus jovens e, ao mesmo tempo, plantar, colher, comercializar, estudar, usar tecnologia e melhorar de vida.
O Brasil precisa abandonar a visão romântica e atrasada de que o indígena só é indígena se estiver isolado da modernidade. Ser indígena é pertencer a um povo, a uma história e a uma cultura. Mas também é ser cidadão brasileiro, com direito à dignidade, ao trabalho, à renda e à liberdade de escolher o próprio caminho.
Campo Novo do Parecis talvez esteja mostrando ao país uma das discussões mais importantes do nosso tempo: o futuro indígena não deve ser imposto por gabinetes, ONGs ou ideologias. Deve ser construído ouvindo quem vive na aldeia, quem planta, quem colhe, quem cria os filhos e quem sabe, na prática, o que significa lutar por dignidade dentro do próprio território.
Os Pareci foram pioneiros. Agora, o desafio político é transformar essa experiência em política pública séria, segura e respeitosa, para que outras etnias que desejem seguir esse caminho também possam ter oportunidade de produzir, prosperar e viver melhor.
por Luiz Henrique Menezes
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