A morte da jornalista e empresária Lauristela Guimarães, ocorrida na manhã desta segunda-feira (9), em Cuiabá, gerou comoção entre profissionais da comunicação em Mato Grosso. Entre os que prestaram homenagem está o repórter cinematográfico Luiz Henrique Menezes, que relembrou um episódio marcante vivido ao lado da jornalista no início da década de 1990.

Na época, Luiz Henrique trabalhava no Grupo Gazeta de Comunicação quando recebeu de Lauristela o convite para acompanhar uma viagem ao Xingu, durante a realização do Quarup, cerimônia tradicional realizada anualmente pelos povos indígenas da região em homenagem aos mortos das aldeias.

Segundo ele, aquela cobertura tinha um caráter histórico. Pela primeira vez, a imprensa havia recebido autorização para acompanhar de perto o ritual. Profissionais de diferentes partes do Brasil viajaram até a região para registrar o evento e conhecer de perto as tradições dos povos do Xingu.

A chegada à aldeia já começou de forma inusitada. O avião que levava a equipe pousou, mas os jornalistas não puderam desembarcar imediatamente. Foi necessário aguardar a presença do cacique da aldeia para autorizar a entrada. Durante quase uma hora, todos permaneceram dentro da aeronave, temendo até mesmo ter que retornar para Cuiabá sem conseguir participar do evento.

A situação mudou quando o cacique chegou e reconheceu Lauristela Guimarães. Após a identificação, o grupo recebeu autorização para descer e seguir até a aldeia. Segundo Luiz Henrique, a presença da jornalista chamou atenção entre os indígenas, principalmente por causa de seu cabelo loiro, que despertou curiosidade e admiração. A equipe permaneceu cerca de três dias no local acompanhando as cerimônias do Quarup. Durante as noites, os visitantes eram hospedados nas malocas, grandes casas coletivas dispostas em círculo na aldeia, onde diversas redes são armadas para descanso.

Foi justamente ali que ocorreu um episódio curioso que Luiz Henrique guarda até hoje na memória. Após uma longa noite de atividades, ele se recolheu à maloca indicada pelo cacique e adormeceu em uma das redes. Já de madrugada, ouviu uma movimentação: Lauristela havia entrado por engano na maloca errada. Sem perceber o equívoco, ela se deitou em uma rede que pertencia a um dos moradores da aldeia. O dono da rede chegou pouco depois e estranhou a presença da visitante. O mal-entendido foi rapidamente resolvido, e Lauristela acabou sendo conduzida à maloca correta.

“Ela chegou rindo e contou: ‘Luiz, entrei na maloca errada e deitei na rede de um índio. Ele chegou bravo porque aquele não era meu lugar’”, relembra o repórter. A situação acabou virando motivo de muitas risadas entre os colegas.

Para Luiz Henrique Menezes, a lembrança simboliza o espírito curioso e destemido da jornalista, que sempre buscava viver de perto as histórias que contava.
“Produzimos um documentário lindo sobre a cultura do Quarup. Lauristela viveu cada momento daquela experiência. Mato Grosso perde uma grande jornalista e empresária. Eu tive a grata satisfação de trabalhar com ela e acompanhar seu compromisso com a comunicação do nosso estado. Ficam as boas lembranças e o respeito pela profissional que ela foi”, afirmou.
Ele também deixou uma mensagem de solidariedade aos familiares e amigos de Lauristela Guimarães neste momento de despedida.