A guerra entre Rússia e Ucrânia apresenta nesta terça-feira (29) um sinal importante para o restante do mundo: o conflito aéreo está mudando de velocidade e obrigando as defesas a evoluírem rapidamente.
Em pronunciamento divulgado nesta terça-feira, o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky relatou novos ataques contra Sumy e Kiev e afirmou que bombas atingiram áreas civis, incluindo uma escola onde crianças e professores estavam protegidos em um abrigo.
O cenário de intensificação dos ataques é confirmado por dados divulgados pela Força Aérea ucraniana: somente durante a noite para esta terça-feira, a Rússia lançou 152 drones contra a Ucrânia, sendo 82 deles modelos a jato, além de mísseis. As forças ucranianas afirmam ter neutralizado 106 drones e dois mísseis.
Mas talvez a informação mais relevante do pronunciamento esteja na transformação tecnológica da guerra.
A utilização crescente de drones a jato aumenta o desafio para sistemas de defesa aérea projetados para enfrentar ameaças diferentes. Zelensky reconheceu que a eficiência ucraniana contra esses novos equipamentos ainda precisa melhorar e revelou que o país já emprega interceptadores produzidos internamente.
Paralelamente, Kiev continua recebendo armamentos ocidentais. Zelensky confirmou a chegada de novos mísseis para sistemas NASAMS e disse que negocia mais munições para os Patriot. A Bélgica deverá ainda entregar três caças F-16 à Ucrânia até o final deste ano.
A União Europeia também mantém o financiamento da defesa ucraniana. Um repasse de € 3,3 bilhões foi liberado neste mês para aquisição de drones e mísseis.
Do outro lado da guerra, a Ucrânia mantém sua estratégia de ataques de longo alcance. Zelensky afirmou que a indústria petrolífera russa continua sentindo os efeitos das operações ucranianas — uma declaração que deve ser tratada como posição oficial de Kiev enquanto não houver confirmação independente de cada operação.
O QUE ESSA FALA REPRESENTA PARA O MUNDO?
Mais do que anunciar armas e ataques, o pronunciamento evidencia uma corrida tecnológica: drones mais rápidos exigem interceptadores mais rápidos, mais baratos e produzidos em grande escala.
Ao mesmo tempo, sistemas como Patriot, NASAMS e caças F-16 tornam a defesa ucraniana cada vez mais dependente de uma cadeia internacional de produção, financiamento e fornecimento de munições.
A guerra, portanto, continua sendo travada no território ucraniano, mas suas consequências ultrapassam suas fronteiras: ela influencia investimentos militares europeus, desenvolvimento de novas tecnologias de defesa e decisões estratégicas dentro da OTAN e da União Europeia.
E permanece a grande questão: até onde essa corrida tecnológica e militar poderá avançar antes que a diplomacia consiga produzir uma saída para uma guerra que já dura anos?