CUIABÁ

AGOSTO LILÁS

Entre motores e consciências: o 2º Moto Encontro Agosto Lilás marcou história em Mato Grosso

Publicado em

Na manhã deste domingo frio — atípico para o final de agosto em Cuiabá, quando o calor costuma beirar os 40 graus — subi na garupa de minha própria moto que foi pilotada pelo meu amigo tenente-coronel Máriowiliam Fujinaka Cinara te adjunto do CR1 e nos misturamos as mais de 1000 motocicletas que partiram do pátio do Comando-Geral da PM rumo a Chapada dos Guimarães. O vento cortava o rosto, mas havia algo maior no ar: o sentimento de união. Homens e mulheres de diversos motoclubes aceleravam por uma causa nobre e urgente — o combate à violência contra a mulher.

De onde eu estava, pude ver a grandiosidade da organização. A cada quilômetro, percebia-se que não se tratava apenas de um passeio, mas de um manifesto silencioso, barulhento apenas pelo ronco dos motores.

Organização de peso e logística impecável

Conversei com Danillo Moraes, presidente da FECONSEG e idealizador do passeio, que revelou o trabalho por trás do sucesso:

“Foram 60 dias de organização intensa. Tivemos 1.411 inscrições oficiais, mas a estimativa é de quase 2 mil pessoas. Foi necessário o amparo total das forças de segurança: Polícia Militar, Polícia Civil, Bombeiros, Semob, Detran, Raio, Batalhão de Trânsito, entre outros. Todos ajudaram a garantir um evento seguro, familiar e ordeiro, que já é considerado o maior rolê da América Latina em ações preventivas contra a violência à mulher.”

Logo em seguida, ouvi o tenente-coronel Mariwiliam Fujinaka, comandante adjunto do CR1 e também organizador do evento. Em sua fala, destacou o propósito central da mobilização:

“A intenção dessa ação é fazer a mobilização, é fazer uma conscientização, pra que possamos combater ferozmente a violência contra a mulher. Infelizmente, os índices criminais são elevados, mas nós temos que sair do papel e vir pra prática. Nossa sociedade é firmada num tripé: a educação, a repressão e a legislação. Precisamos de leis duras — e Mato Grosso já é exemplo disso ao enrijecer o crime de feminicídio.

Temos a fiscalização, feita pelas forças de segurança, e a parte educativa, que é o que estamos realizando hoje: trazendo o mundo do motociclismo como mais uma voz contra a violência. Por que os motociclistas? Porque a maioria é de homens, e são eles que precisam se conscientizar primeiro. As mulheres já sabem o sofrimento que enfrentam. Com a bênção de Deus, conseguimos realizar esse evento maravilhoso.”

Leia Também:  INSS: volta de bônus de produtividade deve ser assinada esta semana

A voz da Justiça e da realidade

Entre as falas que marcaram o dia, a da delegada Judá Mali Pinheiro Marcondes, da Delegacia da Mulher, trouxe um tom de alerta:

“Precisamos envolver mais homens nesse debate. Os sinais sutis da violência — o controle, o ciúme excessivo, a humilhação — muitas vezes são confundidos com amor. Mas são alertas de um possível feminicídio. As mulheres podem denunciar, inclusive online, e ter acesso a medidas protetivas, patrulhas e apoio psicológico. É urgente dar um basta nesse ciclo.”

A procuradora de Justiça Elisamara Portela reforçou o peso dessa luta:

“Até agosto, 32 mulheres foram assassinadas em Mato Grosso. Mais de 50 crianças ficaram órfãs. Não é apenas um crime contra a mulher, mas uma ferida social que atinge famílias inteiras. A mensagem é: não se calem.”

O trânsito também abraça a causa

No meio dos estandes, encontrei Adriana Carnevale, diretora do Detran, que destacou a integração da pauta com a educação no trânsito:

“A mulher está cada vez mais presente nas vias, inclusive como motociclista. Precisamos trabalhar a preservação da vida e a percepção de risco. Dizer não à violência contra a mulher também passa por esse espaço.”

Política e reconhecimento oficial

Autoridades políticas também reforçaram o compromisso.

O deputado estadual Gilberto Catani anunciou, em primeira mão, que apresentou na Assembleia Legislativa um projeto de lei para incluir o Moto Encontro Agosto Lilás no calendário oficial do Estado.

Já o deputado federal José Medeiros foi direto:

“Mato Grosso é campeão no agronegócio, mas também lidera em mortes violentas de mulheres. Isso precisa mudar. Homens, nos ajudem nessa luta.”

A vice-prefeita de Cuiabá, coronel Vânia Rosa Garcia, emocionou-se ao lembrar sua trajetória na Patrulha Maria da Penha:

“Ano passado, eu estava nas ruas como comandante. Hoje, estou aqui como gestora, mas o propósito é o mesmo: conscientizar não só as mulheres, mas principalmente os homens. A violência não está apenas no olho roxo. Está nas sutilezas do dia a dia.”

Leia Também:  Inglaterra e Estados Unidos empatam e embolam a disputa no Grupo B

Forças de segurança unidas

O comandante-geral da PM, coronel Cláudio Fernando Tinoco, destacou a integração:

“Esse encontro mostra que, juntos, conseguimos conscientizar e proteger mais mulheres.”

O secretário de Segurança Pública, coronel César Roveri, reforçou:

“É um evento gigantesco, que mobiliza não só os motociclistas, mas toda a sociedade na luta contra a violência doméstica.”

Motoclubes, mulheres e a força da união

No espaço montado em Chapada, gincanas animaram o público. Os Insanos MC levaram o primeiro lugar, os Bodes do Asfalto ficaram em segundo e os Águias de Cristo em terceiro. Mas o grande prêmio foi coletivo: a consciência.

Os motoclubes marcaram presença em peso, como destacou Nilson Portela, presidente dos Insanos:

“Essas mulheres não morreram porque eram criminosas. Morreram em relacionamentos tóxicos. O motociclismo precisa dar esse grito de consciência.”

As mulheres também foram protagonistas. A presidente da BPW Chapada, Jurema Lara, criou um espaço de acolhimento com serviços de estética e beleza:

“Mais de cem mulheres passaram por aqui. Não é só sobre unha ou cabelo, é sobre autoestima e acolhimento. Isso também é enfrentamento à violência.”

A ceramista Lucileica David resumiu o impacto:

“Muitas mulheres carentes não têm acesso a isso. Hoje elas se sentiram valorizadas, e isso ajuda na luta diária.”

Arte, humor e reflexão

O ator Lioniê Vitório, da dupla Nico & Lau, também participou e se disse impressionado:

“É um evento pacífico, que leva uma mensagem linda. Precisamos sair desse ranking vergonhoso de violência contra a mulher.”

Encerramento: um futuro maior à frente

Enquanto o costelão comunitário reunia todos em volta das mesas, percebi que o ronco dos motores tinha se transformado em vozes uníssonas de conscientização. Autoridades, motociclistas, mulheres, artistas e sociedade civil — todos juntos em uma mesma causa.

Depois de tudo o que vi e ouvi, só consigo pensar em uma coisa: se o segundo Moto Encontro Agosto Lilás já foi dessa proporção, o terceiro promete ser ainda maior. E que continue levando essa consciência, sobretudo aos homens, porque as mulheres já sabem do seu valor.

Por Luiz Henrique Menezes

COMENTE ABAIXO:
Advertisement

CIDADES

Vivo e Starlink avançam em testes para levar sinal de satélite diretamente ao celular no Brasil

Published

on

Nome “Vivo Starlink” começa a aparecer em smartphones enquanto operadora testa tecnologia capaz de conectar celulares diretamente a satélites, sem necessidade da tradicional antena da Starlink

Uma mudança discreta percebida por usuários de telefonia móvel nos últimos dias pode ser o sinal de uma transformação importante na forma como os brasileiros se conectam. O nome “Vivo Starlink” começou a aparecer na identificação de rede de alguns aparelhos, justamente no momento em que a Telefônica Brasil, dona da Vivo, avança nos testes de comunicação direta entre smartphones e satélites.
A tecnologia é conhecida como Direct-to-Device, ou D2D, e permite que determinados celulares se comuniquem diretamente com satélites em órbita, sem depender exclusivamente de uma torre convencional de telefonia próxima e sem a necessidade de instalar a conhecida antena externa utilizada atualmente pelos clientes da internet residencial da Starlink. (Tecnoblog)
O SaranNews verificou a informação e confirmou que existe, de fato, uma autorização da Agência Nacional de Telecomunicações, Anatel para que a Telefônica Brasil realize testes da tecnologia em território nacional.
Segundo informações publicadas pelo setor especializado em telecomunicações, o Ato nº 9.095, publicado no Diário Oficial da União em 15 de julho, autorizou experimentos entre 19 de julho e 22 de outubro de 2026, envolvendo até 50 terminais móveis. (TeleSíntese)
Embora o documento da Anatel não identifique formalmente a companhia responsável pelo segmento espacial do experimento, informações de mercado apontam para negociações entre a Vivo e a SpaceX, empresa de Elon Musk responsável pela constelação Starlink. (TeleSíntese)
Nos últimos dias, o avanço ficou ainda mais evidente. Clientes começaram a registrar em seus aparelhos a identificação “Vivo Starlink”, e fontes ouvidas pelo Tecnoblog indicam que as empresas estão caminhando para uma parceria estratégica que poderá resultar na oferta comercial do serviço nos próximos meses. Vivo e Starlink, entretanto, ainda não divulgaram oficialmente os detalhes de um eventual contrato. (Tecnoblog)
O celular vira uma espécie de “antena de satélite”
Na prática, a proposta é fazer com que os próprios satélites funcionem como torres de telefonia no espaço.
Em uma região com cobertura convencional de 4G ou 5G, nada muda: o aparelho continua conectado às antenas terrestres da operadora. Mas, ao chegar a uma fazenda, estrada, região de mata ou qualquer outro ponto sem cobertura convencional, um aparelho compatível poderá procurar o sinal do satélite.
É justamente aí que está o potencial da tecnologia.
Em um país continental como o Brasil, onde há enormes áreas rurais e extensos trechos de rodovias sem cobertura de telefonia, o D2D poderá reduzir significativamente os chamados “buracos de sinal”.
A própria Anatel vem estudando a comunicação direta entre dispositivos móveis e satélites há alguns anos. Em 2024, a agência já havia autorizado os primeiros experimentos de D2D no país, apontando a tecnologia como uma alternativa capaz de ampliar futuramente a cobertura dos sistemas móveis brasileiros. (Serviços e Informações do Brasil)
Não significa internet Starlink liberada para todos
É justamente neste ponto que algumas publicações nas redes sociais precisam ser interpretadas com cautela.
Ver a identificação “Vivo Starlink” no telefone não significa que todos os clientes da Vivo já tenham acesso à internet da Starlink.
O serviço continua em fase experimental e detalhes importantes ainda são desconhecidos, entre eles os modelos de celulares definitivamente compatíveis, planos que terão acesso, preço, velocidade e quais serviços serão disponibilizados inicialmente.
A tendência internacional é que a conexão por satélite comece com funções mais simples, sobretudo mensagens e comunicações emergenciais, antes da expansão para serviços mais pesados de dados.
Nos Estados Unidos, por exemplo, a T-Mobile já opera comercialmente um serviço baseado na Starlink para comunicação direta com celulares. A tecnologia é considerada principalmente um complemento à rede terrestre, e não uma substituição do 4G, 5G, das fibras ópticas ou das atuais torres de telefonia. (Tecnoblog)
Uma mudança especialmente importante para o interior

Leia Também:  Dia do Ortopedista: Médicos especialistas do HMC e São Benedito realizaram mais de 25 mil atendimentos

Para Mato Grosso e outros estados com extensas áreas rurais, a tecnologia pode ter um impacto ainda maior.
Rodovias, propriedades rurais, áreas de produção agrícola, comunidades isoladas, regiões de fronteira e locais distantes dos grandes centros ainda convivem com ausência ou instabilidade de sinal.
Uma comunicação direta entre celular e satélite poderia representar não apenas comodidade, mas também segurança.
Um motorista com o veículo quebrado em uma estrada sem cobertura, uma ocorrência policial em área remota, equipes de saúde, produtores rurais ou pessoas envolvidas em situações de emergência poderiam, no futuro, ter uma alternativa de comunicação justamente onde hoje aparece no celular a temida mensagem: “sem serviço”.
Por enquanto, ainda estamos diante de testes.
Mas o surgimento da identificação “Vivo Starlink” nos aparelhos mostra que aquela ideia que poucos anos atrás parecia distante, apontar um celular comum para o céu e conseguir comunicação por meio de um satélite, está cada vez mais próxima de fazer parte do cotidiano brasileiro.

Vivo e Starlink avançam em testes para levar sinal de satélite diretamente ao celular no Brasil
Nome “Vivo Starlink” começa a aparecer em smartphones enquanto operadora testa tecnologia capaz de conectar celulares diretamente a satélites, sem necessidade da tradicional antena da Starlink
Uma mudança discreta percebida por usuários de telefonia móvel nos últimos dias pode ser o sinal de uma transformação importante na forma como os brasileiros se conectam. O nome “Vivo Starlink” começou a aparecer na identificação de rede de alguns aparelhos, justamente no momento em que a Telefônica Brasil, dona da Vivo, avança nos testes de comunicação direta entre smartphones e satélites.
A tecnologia é conhecida como Direct-to-Device, ou D2D, e permite que determinados celulares se comuniquem diretamente com satélites em órbita, sem depender exclusivamente de uma torre convencional de telefonia próxima e sem a necessidade de instalar a conhecida antena externa utilizada atualmente pelos clientes da internet residencial da Starlink. (Tecnoblog)
O SaranNews verificou a informação e confirmou que existe, de fato, uma autorização da Agência Nacional de Telecomunicações — Anatel — para que a Telefônica Brasil realize testes da tecnologia em território nacional.
Segundo informações publicadas pelo setor especializado em telecomunicações, o Ato nº 9.095, publicado no Diário Oficial da União em 15 de julho, autorizou experimentos entre 19 de julho e 22 de outubro de 2026, envolvendo até 50 terminais móveis. (TeleSíntese)
Embora o documento da Anatel não identifique formalmente a companhia responsável pelo segmento espacial do experimento, informações de mercado apontam para negociações entre a Vivo e a SpaceX, empresa de Elon Musk responsável pela constelação Starlink. (TeleSíntese)
Nos últimos dias, o avanço ficou ainda mais evidente. Clientes começaram a registrar em seus aparelhos a identificação “Vivo Starlink”, e fontes ouvidas pelo Tecnoblog indicam que as empresas estão caminhando para uma parceria estratégica que poderá resultar na oferta comercial do serviço nos próximos meses. Vivo e Starlink, entretanto, ainda não divulgaram oficialmente os detalhes de um eventual contrato. (Tecnoblog)
O celular vira uma espécie de “antena de satélite”
Na prática, a proposta é fazer com que os próprios satélites funcionem como torres de telefonia no espaço.
Em uma região com cobertura convencional de 4G ou 5G, nada muda: o aparelho continua conectado às antenas terrestres da operadora. Mas, ao chegar a uma fazenda, estrada, região de mata ou qualquer outro ponto sem cobertura convencional, um aparelho compatível poderá procurar o sinal do satélite.
É justamente aí que está o potencial da tecnologia.
Em um país continental como o Brasil, onde há enormes áreas rurais e extensos trechos de rodovias sem cobertura de telefonia, o D2D poderá reduzir significativamente os chamados “buracos de sinal”.
A própria Anatel vem estudando a comunicação direta entre dispositivos móveis e satélites há alguns anos. Em 2024, a agência já havia autorizado os primeiros experimentos de D2D no país, apontando a tecnologia como uma alternativa capaz de ampliar futuramente a cobertura dos sistemas móveis brasileiros. (Serviços e Informações do Brasil)

Leia Também:  Tati Zaqui faz selfie na cama só de lingerie e atrai elogio de affair: “Mas é gata viu!”

Não significa internet Starlink liberada para todos
É justamente neste ponto que algumas publicações nas redes sociais precisam ser interpretadas com cautela.
Ver a identificação “Vivo Starlink” no telefone não significa que todos os clientes da Vivo já tenham acesso à internet da Starlink.
O serviço continua em fase experimental e detalhes importantes ainda são desconhecidos, entre eles os modelos de celulares definitivamente compatíveis, planos que terão acesso, preço, velocidade e quais serviços serão disponibilizados inicialmente.
A tendência internacional é que a conexão por satélite comece com funções mais simples, sobretudo mensagens e comunicações emergenciais, antes da expansão para serviços mais pesados de dados.
Nos Estados Unidos, por exemplo, a T-Mobile já opera comercialmente um serviço baseado na Starlink para comunicação direta com celulares. A tecnologia é considerada principalmente um complemento à rede terrestre, e não uma substituição do 4G, 5G, das fibras ópticas ou das atuais torres de telefonia. (Tecnoblog)
Uma mudança especialmente importante para o interior
Para Mato Grosso e outros estados com extensas áreas rurais, a tecnologia pode ter um impacto ainda maior.
Rodovias, propriedades rurais, áreas de produção agrícola, comunidades isoladas, regiões de fronteira e locais distantes dos grandes centros ainda convivem com ausência ou instabilidade de sinal.
Uma comunicação direta entre celular e satélite poderia representar não apenas comodidade, mas também segurança.
Um motorista com o veículo quebrado em uma estrada sem cobertura, uma ocorrência policial em área remota, equipes de saúde, produtores rurais ou pessoas envolvidas em situações de emergência poderiam, no futuro, ter uma alternativa de comunicação justamente onde hoje aparece no celular a temida mensagem: “sem serviço”.

Por enquanto, ainda estamos diante de testes.

Mas o surgimento da identificação “Vivo Starlink” nos aparelhos mostra que aquela ideia que poucos anos atrás parecia distante, apontar um celular comum para o céu e conseguir comunicação por meio de um satélite, está cada vez mais próxima de fazer parte do cotidiano brasileiro.

SaranNews — Informação com responsabilidade. Informação com responsabilidade.

COMENTE ABAIXO:
Continue Reading

CIDADES

POLÍTICA MT

MATO GROSSO

POLÍCIA

MAIS LIDAS DA SEMANA