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Presidente questiona adiamento de nova ferramenta por partes do aplicativo

Redação
Redação abr 27

O presidente Jair Bolsonaro se reuniu com representantes do WhatsApp no Palácio do Planalto nesta quarta-feira (27). A reunião não constava na agenda oficial do presidente.

Após o encontro, o ministro das Comunicações, Fabio Faria, deu uma entrevista coletiva. Ele afirmou que Bolsonaro queria ouvir do WhatsApp o motivo para a empresa ter adiado a implementação, no Brasil, de uma ferramenta para disparar mensagens para milhares de destinatários.

Redes sociais e aplicativos de mensagens, como WhatsApp, estão no centro da discussão sobre combate a informações falsas nas eleições.

As principais plataformas fecharam acordo com a Justiça Eleitoral para adotar medidas contra a disseminação de conteúdo deturpado.

Há duas semanas, durante um evento em São Paulo, Bolsonaro disse que o WhatsApp não seguiria o acordo com a Justiça Eleitoral. O presidente e seus aliados são contra as regras e argumentam que defendem a “liberdade de expressão”.

Na época da fala do presidente, o WhatsApp havia anunciado que, no mundo inteiro, vai permitir que usuários do aplicativo enviem uma mesma mensagem a milhares de pessoas. E explicou que, no Brasil, essa função só vai ser permitida após as eleições.

Isso indignou Bolsonaro e seus aliados, que fazem das redes sociais o principal meio de conquista de votos.

De acordo com Faria, o WhatsApp disse na reunião que sua decisão sobre o Brasil não foi motivada por pedido da Justiça Eleitoral. Diante dessa declaração da empresa, segundo Faria, Bolsonaro entendeu a decisão e não a contestou.

“Tivemos reunião agora com o presidente da República e representantes do Whatsapp e da Meta [controladora do WhatsApp] para esclarecimentos do que foi amplamente veiculado na imprensa, nas redes sociais. E o Whatsapp deixou claro, a Meta também, que em nenhum momento atendeu pedido do TSE para que fosse feitas essas mudanças em relação as comunidades apenas após as eleições. Isso não houve. Eles tomaram uma decisão global, olhando concorrentes, mercado mundial”, explicou o ministro.

Em nota, o WhatsApp confirmou que explicou a Bolsonaro a implementação do recurso comunidades.

“É importante ressaltar que a decisão sobre a data de lançamento deste recurso no Brasil foi tomada exclusivamente pela empresa, tendo em vista a confiabilidade do funcionamento do recurso e sua estratégia de negócios de longo prazo. Essa decisão não foi tomada a pedido nem por acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE)”, disse a nota.

ACORDO COM O TSE – Faria afirmou que o encontro foi um pedido de Bolsonaro e durou cerca de uma hora. O presidente desejava entender os termos do acordo firmado entre Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Segundo o ministro, Bolsonaro, ao ler na imprensa sobre o adiamento da estreia das comunidades no Brasil, entendeu que o WhatsApp concordou com um pedido do TSE, o que foi negado pela empresa na reunião.

“Depois que ele [Bolsonaro] ouviu isso, ele entendeu completamente sendo uma decisão da empresa, é uma decisão do mercado”, disse Faria

O TSE formalizou em fevereiro parcerias com as plataformas digitais para combater a desinformação e a disseminação de notícias falsas que possam atingir as eleições de outubro. Firmaram o acordo Twitter, TikTok, Facebook, WhatsApp, Google, Instagram, YouTube e Kwai.

No acordo, as plataformas se comprometeram a desenvolver filtragens para identificar informação enganosa e remover o conteúdo que violar regras. No caso do WhatsApp, o memorando não menciona o calendário da ferramenta comunidades.

No anúncio da ferramenta, Dario Durigan, gerente de políticas públicas do WhatsApp no Brasil, afirmou que a decisão de adiar a estreia do recurso até depois do segundo turno das eleições era um caso de “cautela”.

“É uma medida de cautela para não haver nenhum ruído em um ano de eleição, um ano complicado”, explicou Durigan na ocasião.

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