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Dados apontam que no período de janeiro de 2020 a outubro de 2022, 1.759 pessoas foram tratadas por situações de acidentes com esses animais

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Os deputados da Assembleia Legislativa de Mato Grosso aprovaram, em segunda votação, o Projeto de Lei n° 200/2022, do deputado Valdir Barranco (PT), que determina a divulgação, em todas as unidades de saúde, das orientações necessárias em caso de acidentes com animais peçonhentos e aracnídeos. A matéria foi aprovada na sessão do dia 15/3 e segue para sanção do governador.

“O projeto se faz necessário em razão do aumento do número de acidentes com os animais descritos  na normativa no Estado de Mato Grosso, conforme vem sendo veiculado pela imprensa. Cabe ressaltar que a dificuldade da população, em ter informações sobre o local adequado para o rápido atendimento, pode incorrer no agravamento do estado de saúde do paciente”, lembrou Barranco.

Conforme dados fornecidos pelo do Centro de Informação e Assistência Toxicológica (CIATOX) do Hospital Municipal de Cuiabá (HMC) e Pronto-Socorro “Dr. Leony Palma de Carvalho” (HMC) revelam que 1.759 pessoas foram tratadas por situações de acidentes por animais peçonhentos. Os dados compreendem o período de janeiro de 2020 a outubro de 2022. O setor, que funciona há 35 anos, é referência em Mato Grosso e fica instalado no HMC.

O Centro de Informações Antiveneno (Ciave) de Cuiabá, em 2021, realizou 707 atendimentos envolvendo animais peçonhentos, sendo 422 envolvendo escorpiões, 234 envolvendo serpentes, 38 envolvendo aranhas;  outros animais peçonhentos foram 32 atendimentos.  Apenas um óbito por acidente com serpente foi registrado no ano de 2021.

Ainda segundo dados do Ciave, os casos de envenenamentos por serpentes e escorpiões são frequentes devido à sazonalidade dos acidentes , o que leva em consideração o clima, além dos casos de intoxicação de uma maneira geral.

Várias pessoas já vivenciaram momentos apreensivos e desesperadores quando foram picadas ou mordidas por esses animais. Algumas delas chegaram a ficar internadas em tratamento de longo prazo, outras ainda, tiveram sequelas no corpo.

Um desses exemplos é o secretário parlamentar da Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (ALMT), José Domingos Fraga. No dia 14 de janeiro deste ano, ele foi picado por uma cobra jararaca quando caminhava em um sítio, em Nobres, a 151 km de Cuiabá.

De acordo com José Domingos, a picada foi no tornozelo e ele próprio conseguiu identificar e capturar o animal. Foi socorrido por pessoas que estavam com ele no sítio e encaminhado até a sede da propriedade onde recebeu um soro e, em seguida, deu entrada no hospital de Nobres.

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Naquela oportunidade, José Domingos ficou por três dias internado em tratamento, sentindo algumas dores, mas não teve febre. Após retornar à Cuiabá, o ex-parlamentar procurou novamente um médico devido a nova inflamação quando permaneceu por mais 17 dias internado.

“Foi algo sinistro o que aconteceu comigo, porque foi mais por uma questão de descuido. A cobra, animal peçonhento, nunca ataca ninguém, ele se defende. Naquela oportunidade eu passei próximo do animal, até porque já havia passado um grupo de pessoas na minha frente, e com certeza ela ficou irritada e para se defender acabou me picando”, disse ele.

José Domingos falou que, naquele momento, mesmo com uma dor forte na perna, a primeira providência foi capturar o animal para levar na unidade de saúde e ser reconhecida para tomar o antídoto.

“Meu socorro foi emergencial, com 20 minutos após a picado, já estava no hospital sendo atendido. Devido a rapidez do atendimento, não tive sequelas no corpo. Fiquei por três dias internado tomando antibióticos e anti-inflamatórios”, falou.

“Depois de receber alta do hospital retornei para Cuiabá e então percebi que minha pele estava ficando com cor rosada e o inchaço aumentou. Procurei novamente um médico, foi constatado uma infecção bacteriana e precisei ficar internado por 17 dias tomando mais remédios”, complementou ele.

Outro exemplo foi com a médica Dieynne Saugo, de 33 anos, que tomava banho com amigos na Cachoeira Serra Azul, em Nobres, quando foi picada por uma cobra jararaca duas vezes, no rosto e no pescoço, recebeu acompanhamento médico e tratamentos por quase três meses. Depois fez fisioterapia três vezes por semana para manter os movimentos do corpo.

O fato aconteceu em 2020;  ao ser picada pela cobra, a médica teve comprometimento da respiração devido ao inchaço e precisou passar por transfusão de sangue e pelo processo de traqueostomia para desobstruir as vias aéreas, que estavam comprometidas em 70%. Ela ficou nove dias em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

Na ocasião, ela deu entrada no Hospital Municipal de Cuiabá (HMC) vomitando sangue e com edemas. Após receber o soro antiofídico, foi encaminhada ao Complexo Hospitalar de Cuiabá e posteriormente, a família optou pela transferência para o Hospital Albert Einstein, em São Paulo.

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Cuidados médicos 

O médico Eduardo Santos dá algumas dicas do que fazer em caso de picadas de serpente. A primeira medida é lavar bem o local da picada com água e sabão; depois, chamar socorro imediatamente ou, se não houver serviço de resgate no local, levar a pessoa até o atendimento médico o mais rápido possível; nesse meio tempo, manter o paciente deitado e hidratado.

“A conduta geral básica é o seguinte: lavar o ferimento com água e sabão e procurar atendimento médico mais breve possível”, aponta o médico.

Para Eduardo Santos, acidentes com animais peçonhentos como a cobra, são um problema no Brasil. “São quase 30 mil ao ano, e desse montante, aproximadamente 100 pessoas morrem devido a picadas de cobras. Basicamente, são três grandes famílias de grandes serpentes venenosas no Brasil: jararaca, cascavel e coral. Nem toda picada de cobra leva a problemas, porque existe um número maior de cobras não venenosas, e nem toda cobra venenosa quando pica consegue injetar o veneno na corrente sanguínea”, comenta o médico.

Conforme explicações, os sintomas das picadas de determinada cobra variam muito de acordo com a família dela. “As picadas da jararaca, por exemplo, provocam muitas dores, inchaços e vermelhidão. As picadas da cascavel provocam poucos sintomas local”, lembra Eduardo Santos.

“Esses acidentes, em geral, ocasionam muitas dores no local da picada, náuseas, pressão baixa, visão turva, hemorragia, destruição muscular, e é muito comum o veneno da cobra causar alteração da coagulação. A picada da coral verdadeira, pode matar por paralisia muscular, quando a pessoa não consegue respirar. Então você tem sintomas locais e sintomas sistêmicos graves”, avalia o médico.

Informação apresentada pelo médico destaca que, a maioria dos acidentes com cobras  acontece com picadas nas extremidades do corpo, mãos, braços e pernas. “O indivíduo que coloca os pés e mãos sem saber o que tem no local, fatalmente pode ter uma surpresa desagradável, pois as cobras ficam debaixo de folhas, escondidas em mato baixo e outros locais que elas possam se defender”, destaca.

“É bom lembrar que o indivíduo picado por cobra venenosa não morre na hora, ele morre por complicações, como hemorragia, insuficiência renal ou respiratória. Os acidentes acontecem porque fomos nós quem invadimos o ecossistema. As cobras fazem parte da cadeia alimentar e são importantes. Isso tem muito a ver com o meio ambiente”, conclui Eduardo Santos.

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AGRO & NEGÓCIOS

Circuito Aprosoja reúne produtores em Alta Floresta e debate endividamento, FETAB e desafios do agro em MT

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A manhã desta segunda-feira (18) foi marcada pela realização do 20º Circuito Aprosoja, em Alta Floresta, no extremo norte de Mato Grosso. O encontro reuniu produtores rurais, empresários e lideranças do setor na sede do SIMENORTE, Sindicato dos Madeireiros do Extremo Norte de Mato Grosso.


Representando a Aprosoja-MT, o vice-presidente Luiz Pedro Bier fez um balanço dos últimos anos de atuação da entidade e destacou os principais desafios enfrentados pela agricultura mato-grossense. Entre os temas abordados estiveram o endividamento dos produtores, insegurança jurídica no campo, ameaças de invasão de terras, instabilidades climáticas, restrições ao crédito rural, regularização ambiental, logística e a cobrança do FETAB.


Durante a apresentação, Bier afirmou que o setor produtivo tem enfrentado uma combinação de fatores que pressionam diretamente a atividade no campo. Segundo ele, a queda no preço da soja, o aumento dos custos de produção, os juros elevados, a seca em algumas regiões e o excesso de chuvas em outras criaram um cenário de forte preocupação para os produtores.

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O vice-presidente também destacou a atuação da Aprosoja em pautas como a regularização do CAR, a defesa da propriedade privada, o enfrentamento à moratória da soja e o diálogo com instituições financeiras em busca de alternativas para o endividamento rural.


Outro ponto de destaque foi o FETAB. Bier afirmou que a entidade, junto com outras organizações do setor produtivo, tem trabalhado para evitar novos aumentos e buscar alívio ao produtor rural. Segundo ele, os congelamentos recentes e a possível não reedição do chamado FETAB 2 podem representar uma economia expressiva para o setor.

O ex-presidente da Aprosoja Brasil, Antônio Galvan, também participou do encontro e falou sobre o impacto do FETAB no bolso do produtor, reforçando a cobrança por medidas que aliviem a carga sobre quem produz em Mato Grosso.

O evento também contou com palestra do professor HOC, que abordou temas ligados à geopolítica e seus reflexos no agronegócio brasileiro, especialmente em um momento de instabilidade econômica, disputas comerciais e mudanças no cenário internacional.


O Circuito Aprosoja em Alta Floresta reforçou a importância do debate regionalizado, ouvindo produtores e levando informações sobre as ações da entidade em defesa do setor produtivo mato-grossense.

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