A Escola Agrícola do IFMT Campus São Vicente celebrou seus 83 anos de fundação em clima de reencontro, saudade e gratidão. A festa reuniu ex-alunos, professores, familiares, autoridades e personagens que ajudaram a construir uma das histórias mais importantes da educação, da política e do agro em Mato Grosso.

Mais do que uma solenidade, o evento foi uma viagem no tempo. Logo na abertura, antigos alunos relembraram os tempos de disciplina rígida, ordem unida, apito na madrugada e hora cívica diária. Entre eles estava Mateus de Souza Ferreira, o “Mateuzinho”, ex-aluno de 1960 e professor aposentado, que voltou ao campus tomado pela emoção.

“Vem tudo na cabeça. A gente sente a saudade, a tristeza, a falta. Eu amo essa terra e meus ex-alunos”, disse Mateus, que também foi homenageado com moção de aplausos.

Mas em São Vicente, nome de batismo nem sempre é o mais lembrado. A tradição dos apelidos marcou gerações. Dito Lucas virou “Lanchão”. Abimael Antunes Marques é o “Bizão”. Amauri de Figueiredo, aos 93 anos, ainda carrega com bom humor o apelido de “Sancho Pança”. Diane Rodrigues Lamas escapou da brincadeira, mas confirmou: “Os meninos a gente conhece mais pelo apelido. O nome às vezes precisa buscar no HDzinho da memória”.

Essa identidade afetiva resume o espírito dos “agricolinos”, como são chamados aqueles que passaram pela escola. Para muitos, São Vicente não foi apenas um lugar de estudo, mas uma segunda casa, uma irmandade construída nos dormitórios, nas salas de aula, nos piqueniques, nos bailes antigos e nas amizades que atravessaram décadas.

A comemoração também reforçou a importância histórica do campus para Mato Grosso. Autoridades como o governador em exercício Otaviano Pivetta, o presidente da Assembleia Legislativa Max Russi, o deputado federal José Medeiros, o ex-senador Cidinho Santos e o reitor do IFMT, Júlio César dos Santos, participaram da solenidade.

Pivetta destacou que São Vicente é símbolo da formação de capital humano no estado. Medeiros lembrou que muitos técnicos formados ali ajudaram a levar conhecimento ao campo, contribuindo para transformar Mato Grosso em potência agrícola. A escola, segundo ele, foi uma das bases do avanço do agro no cerrado.

A cultura também teve espaço especial na festa. O projeto Conexões, com Nico e Lau, levou humor, cuiabania e tradição ao evento. A dupla sertaneja Sander e Felipe animou o público, reforçando a ligação entre educação, agro e cultura popular.

Um dos momentos mais simbólicos veio com o senhor Amauri, memória viva da instituição. Ele relembrou quando Marechal Rondon passava pela escola e dizia que, se Mato Grosso continuasse “em cima do arado”, um dia forneceria comida para o mundo. Décadas depois, a profecia se confirmou.

A festa terminou como começou: com abraços, histórias, risadas e emoção. Quatro bois no rolete foram servidos ao público, que permaneceu até o fim da tarde celebrando não apenas os 83 anos de uma escola, mas a trajetória de uma instituição que ajudou a formar homens e mulheres que fizeram parte do crescimento de Mato Grosso.

Em São Vicente, cada apelido guarda uma história. Cada reencontro reacende uma memória. E cada aniversário confirma que a velha Escola Agrícola continua viva no coração de quem passou por ali, e na história do gigante Mato Grosso.
Colaborou Luiz H. Menezes