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Troca na Petrobras não deve causar efeito esperado nos combustíveis

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Petrobras irá trocar o presidente pela quarta vez em dois anos
Ivonete Dainese

Petrobras irá trocar o presidente pela quarta vez em dois anos

O presidente da Petrobras, José Mauro Coelho, deixou a presidência da estatal nesta segunda-feira (20) em meio a forte pressão provocada pelo Palácio do Planalto e aliados do presidente Jair Bolsonaro (PL) após mais um reajuste no preço dos combustíveis, anunciado pela estatal na última sexta-feira (17). No entanto, a saída de Coelho pode não causar o efeito esperado pelo governo.

A pressão em cima do Planalto às vésperas das eleições tem aumento o desespero da ala governista. Pesquisas internas feitas pelo PL colocam Bolsonaro abaixo de seu principal concorrente, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e a culpa, na visão da ala política, é dos combustíveis.

O reajuste de 8,9% no diesel em maio deste ano foi o estopim para Bolsonaro demitir José Mauro Coelho, pouco mais de 40 dias após sua nomeação. O nome de Coelho era avalizado pelo então ministro de Minas e Energia Bento Albuquerque, também demitido após esse reajuste.

Coelho, no entanto, se manteve na presidência da estatal até o Conselho de Administração avaliar a nova indicação do governo, o que ainda não aconteceu.

Nos últimos dias, governistas se mobilizam para alterar a Lei das Estatais e autorizar uma interferência política maior na Petrobras. A demissão de José Mauro Coelho passa por essa vontade de ter maior controle sobre o preço dos combustíveis.

Na visão do especialista em agronegócio José Carlos de Lima Junior, a troca não irá reduzir o preço e nem irá mudar a decisão do Conselho de Administração.

“Não deve causar o efeito esperado. Segurar os preços dos combustíveis será um tiro no pé do governo”, explica.

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“O governo precisa encontrar alternativa para reduzir a pressão internacional sobre os combustíveis, mas isso não deve ser feito com o fim do PPI, mas um programa energético completo”.

O especialista ainda criticou as mudanças prometidas pelo governo federal e avaliou o Congresso como “parado” nos últimos três anos.

“Eles poderiam ter resolvido esse problema dos combustíveis no ano passado. A Câmara e o Senado tiveram grandes mudanças nas eleições de 2018 e prometeram grandes reformas. 2019 não fizeram, 2020 tivemos a pandemia, mas em 2021 poderia ter sido feito algo”, completa.

José Mauro Coelho foi o terceiro presidente da Petrobras no governo Bolsonaro. Ele iniciou a gestão em abril, após a demissão de Joaquim Silva e Luna. Antes, Roberto Castello Branco comandou a estatal entre janeiro de 2019 e fevereiro de 2021. Para seu lugar, o Planalto indicou Caio Paes de Andrade, auxiliar de Paulo Guedes no Ministério da Economia.

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O governo espera que a troca provoque uma segurada no preço dos combustíveis, enquanto o Congresso tenta alterar a política de preços da Petrobras. Entretanto, a ideia pode afugentar investidores.

“Enquanto a quantidade de produção de refino de petróleo caiu nos últimos 10 anos, o número de caminhões circulando nas ruas aumentou 50%. Segurar o preço do diesel vai fazer com que empresas que importam diesel deixe de existir no Brasil”.

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“É como se a Petrobras, por exemplo, conseguisse abastecer 70% dos caminhões, outros 30% vão depender de postos que importam o diesel. Sem esses postos, poderá provocar desabastecimento e, consequentemente, uma crise muito maior dentro da Petrobras”, conclui Lima Junior.

Ações da Petrobras suspensas

As ações da Petrobras estão em alta na tarde desta segunda-feira, mesmo após a saída de Coelho da presidência da empresa. Os papéis da estatal crescem 0,99%, cotados a R$ 27,58.

O mercado financeiro, porém, não recebeu a notícia com bons olhos. As negociações dos papéis da empresa ficaram suspensas por quase uma hora nesta manhã e foi necessário fazer um leilão para recuperar os efeitos negativos.

“O mercado ele está vendo de forma negativa pelo fato de ser uma intervenção estatal assim muito rápida no sentido de mudança de gestão em um período muito rápido. Isso sinaliza uma possibilidade do governo ter algum controle sobre as ações da estatal. Tudo isso afeta o mercado para o lado negativo”, afirma o analista de investimentos da Nova Futura Investimentos, Matheus Jaconeli.

Jaconeli acredita que o jogo poderá se inverter nas próximas horas, após declarações do presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (Progressistas-AL), e a mobilização para a criação de uma CPI para investigar a estatal.

“A perspectiva, embora esteja em alta, ainda há possibilidade de queda nas ações da estatal. Ainda acontece uma reunião para criação de uma CPI da Petrobras, além das promessas feitas por Lira para taxar os lucros da empresa. Tudo isso pode virar o jogo no mercado e derrubar as ações da empresa”, completa.

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Brasil é 1º no ranking mundial de crescimento das compras online

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Com a pandemia e as lojas físicas fechadas, as vendas online cresceram significativamente em todos os países do mundo.

A grande surpresa, é que especialmente no Brasil, o aumento foi ainda mais significativo. O país que lidera o ranking de crescimento das vendas online, com 22,2% no ano de 2022, e um crescimento estimado de 20,73% ao ano, entre 2022 e 2025.

É o que revela um estudo divulgado pela CupomValido.com.br, plataforma de cupons de descontos online, com dados da Statista sobre as vendas no e-commerce.

De acordo com o estudo, o Brasil possui uma expectativa de crescimento quase duas vezes maior que a média mundial (11,35%), e acima até de países como o Japão (14,7%), o Estados Unidos (14,55%) e a França (11,68%).

Por que o e-commerce no Brasil cresce tanto?

Dois fatores foram cruciais para influenciar o forte crescimento das vendas online no Brasil.

A pandemia é um dos primeiros fatores, pois com as lojas físicas fechadas, fez com que diversos brasileiros passassem a realizar sua primeira compra online. Ao encontrar facilidade na compra, métodos de pagamento instantâneos (como o PIX), e entregas rápidas (diversas lojas com entregas em 1 dia útil), muitos deles se tornaram consumidores recorrentes.

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Um segundo fator, é que o índice de penetração de compras online, ainda é relativamente baixo no Brasil.

Segundo a pesquisa, no Reino Unido, 84% das pessoas realizaram pelo menos uma compra nos últimos 12 meses. Nos Estados Unidos e no Japão, em ambos os países a taxa foi de 77%. E na Alemanha, foi de 74%.

Como boa parte da população, principalmente destes países desenvolvidos, já realiza frequentemente compras online, a taxa de crescimento em potencial tende a ser menor nos próximos anos.

Em contrapartida, no caso do Brasil, apenas 49% da população realizou ao menos uma compra online no último ano. Isto explica o potencial significativo de crescimento que o Brasil ainda possui, ao comparar com os outros países.

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