A DigiFarmz, startup do agronegócio especializada em auxiliar produtores e técnicos no manejo de doenças das culturas agrícolas, vem alcançando resultados para propriedades rurais em Mato Grosso. Sua atuação no estado já representou aumento de produtividade de 5,20 sacas por hectare. Além disso, a empresa tem apresentando crescimento recorrente no faturamento nos últimos anos. Em 2021, o aumento foi na ordem de 80,3% em comparação com 2020 e, para este ano, a previsão é que o incremento seja de 300% em relação ao ano passado.
Segundo o engenheiro agrônomo Alexandre M. Chequim, um dos fundadores e diretor executivo da DigiFarmz, esse crescimento é uma resposta à necessidade dos produtores e agrônomos na tomada de decisão mais assertiva em meio à complexidade de uma série de fatores, como clima, escolha dos produtos químicos e biológicos, misturas, datas de semeaduras, datas de aplicações, entre outros. “O uso do nosso sistema tem gerado de 3 a 18 sacas de soja a mais por hectare, o que representa um valor significativo para os produtores ao final de cada safra”, observa.
A DigiFarmz, com atuação no Brasil e na América Latina, é uma representante das startups chamadas Agtechs, jovens empresas baseadas em tecnologias inovadoras, que atuam levando soluções ao agronegócio. No modelo da empresa, o contato com o produtor é feito online pelo site www.digifarmz.com e o plano é pago anualmente, em um valor calculado por hectare. Por meio do tablet, celular ou computador, o produtor tem acesso ao sistema que cruza diferentes dados provenientes de quase duas décadas de pesquisas com mais de 30 parâmetros bióticos e abióticos, como informações climatológicas, genética de cultivares, datas de semeadura, local, imagens de satélites e demais dados para criar um plano personalizado para cada talhão da lavoura.
Entre os usuários da plataforma, a avaliação tem sido positiva. Para Feliciano Matos, engenheiro agrônomo e consultor, o que se destacou foi o aumento de produtividade. “Fizemos alguns trabalhos no cultivo de soja nas safras de 2020 e 2021 e estamos colhendo resultados que variam de 2,6 até 10 sacas a mais por hectare”, afirma.
Já Maurício Munaretto, produtor rural, observa vantagens específicas do uso da tecnologia. “A plataforma tem auxiliado principalmente na gestão dos insumos e na comparação entre as aplicações. Outra característica é a conciliação na parte meteorológica, pois a plataforma traz precisão nos dados de chuva para minha propriedade, facilitando o manejo defensivo”.
Desde 2019, a empresa vem aumentando o número de colaboradores. Hoje são mais de 30 profissionais de áreas como agronomia, marketing, design, vendas, engenharia da computação, pesquisa e desenvolvimento, e engenharia e ciência de dados que compõem o quadro total.
Crise dos insumos: fertilizante terá aumento de 103,4% para a safra 2022/2023
Item que corresponde a 40% do custo operacional das lavouras, segundo a Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul), o fertilizante vai causar ainda mais preocupação para o produtor. Conforme o levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da Esalq/USP divulgado em maio, na média, o fertilizante dobrou de valor no intervalo de um ano, entre março de 2021 a 2022, especialmente em função da guerra Rússia-Ucrânia. Assim, a projeção para a safra 2022/2023 feita a partir de dados de março aponta um aumento de 103,4% no gasto médio com esse item na produção de soja comparado a 2021.
A crise dos insumos agrícolas também atinge os defensivos, cujo preço de importação de moléculas está mais caro. Além disso, existe a falta de containers, que repercute nos preços dos fretes marítimos, e a alta da inflação, que irão gerar, consequentemente, um aumento de 20% a 25% no valor das sementes.
Diante desse cenário, Chequim alerta que o produtor precisa fazer uso da tecnologia para atingir maior economia pela otimização do uso dos recursos, principalmente naqueles que estão ao seu alcance. “Fazer melhor uso dos dados é a solução mais efetiva para aumentar a produtividade, especialmente em um momento de alta da inflação e de instabilidade nos mercados internacionais”, destaca.
Atualmente, segundo dados do Cepea/Esalq-USP, o agronegócio representa quase 25% do PIB brasileiro e conforme a Comissão Brasileira de Agricultura de Precisão (CBAP) 67% das propriedades agrícolas brasileiras já adotaram algum tipo de inovação tecnológica. Nesse contexto, a atuação de startups voltadas ao agronegócio se encontra em plena expansão, especialmente pelo fato de que 47% delas receberam investimentos externos em 2020, quase o dobro da média geral em outros setores (26,7%), segundo a Associação Brasileira de Startups.